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Argentina elege seus candidatos à presidência em meio à crise econômica

Segundo pesquisas de opinião, o processo é incerto e ainda sem um claro favorito para a sucessão de Alberto Fernández

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Pré-candidatos à eleição presidencial da Argentina (da esq. para dir.): ex-ministra da Segurança Patricia Bullrich e o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta (Partido Juntos por el Cambio); ministro da Economia, Sergio Massa (aliança governista Unión por la Patria); Javier Milei (La Libertad Avanza); e o ativista Juan Grabois (AFP/AFP)

Pré-candidatos à eleição presidencial da Argentina (da esq. para dir.): ex-ministra da Segurança Patricia Bullrich e o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta (Partido Juntos por el Cambio); ministro da Economia, Sergio Massa (aliança governista Unión por la Patria); Javier Milei (La Libertad Avanza); e o ativista Juan Grabois (AFP/AFP)

Em meio à crise econômica e com uma dose de ceticismo, os argentinos votam neste domingo, 13, nas eleições primárias para definir seus candidatos à eleição presidencial de outubro, um processo incerto ainda sem um claro favorito, de acordo com as pesquisas, para a sucessão de Alberto Fernández.

A aliança governista Unión por la Patria (peronismo) descartou sequer pensar na reeleição de Fernández, cujo governo tem uma rejeição de mais de 80%, e alinhou-se com o ministro da Economia, Sergio Massa.

Os centros de votação abriram às 8h locais (mesmo horário em Brasília) e fecham às 18h. Os resultados devem começar a ser anunciados a partir das 22h.

Conheça os candidatos

Massa, um advogado de 51 anos, cultiva boas relações com os diversos atores do poder, sejam empresários, sindicatos, ou o Fundo Monetário Internacional (FMI). É desafiado por Juan Grabois, um líder dos movimentos sociais próximo ao papa Francisco que se candidata pela primeira vez e pretende refletir a ala esquerda do peronismo.

"No Unión por la Patria não há competição. Claramente Massa será o candidato oficial", antecipa a diretora da consultoria Zubán, Córdoba y Asociados, Paola Zubán.

Já na coalizão oposicionista Juntos por el Cambio (centro-direita) está ocorrendo uma verdadeira luta entre o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, de 57 anos, e a ex-ministra de Segurança Patricia Bullrich, de 67, duas figuras entre a moderação e a intransigência que exaltaram suas diferenças ao longo da campanha.

"É uma eleição em aberto, e esse resultado definirá o novo cenário eleitoral. Rodríguez Larreta atrai um eleitor não politizado, Patricia Bullrich é o contrário", disse à AFP o cientista político Carlos Fara.

Depois de anos imersos na polarização, para os argentinos, esta eleição será a primeira sem os ex-presidentes Cristina Kirchner ou Mauricio Macri, figuras tutelares do partido governista e da oposição.

Mais à direita

Como elemento de novidade, surge o libertário Javier Milei, um economista de 52 anos de extrema direita que pretende se firmar como a terceira força nacional com um discurso agressivo contra o que chama de “casta política”.

Facundo Cardozo, um gerente de vendas de 27 anos, acha que as coisas vão tão mal que a proposta de Milei é a melhor. "Tem que romper o que está armado para depois juntar as peças outras vez e voltar a começar", comentou.

"Acho que é hora de tentar alguém novo: Milei. Gosto dele porque diz um pouco do que todos pensamos", disse à AFP Carlos Reyes, um eletricista de 66 anos.

Nas eleições legislativas de 2021, sua primeira eleição, o partido La Libertad Avanza, de Milei, foi o terceiro partido com mais votos na cidade de Buenos Aires, com 17%.

Nas últimas semanas, porém, sua figura foi manchada por denúncias de ex-colaboradores, segundo as quais ele exigia pagamentos em dólares para registrar candidaturas às eleições presidenciais e parlamentares de outubro.

Milei "é reflexo do desencanto que levou muitos eleitores a desacreditarem dos partidos políticos", comentou Juan Negri, professor de Ciência Política da Universidade Torcuato di Tella.

"Após o fracasso do governo de Mauricio Macri (2015-19), muitos se voltaram para uma direita mais radical", disse Negri.

Para analistas, a frustração do eleitorado, tanto com o governo do Juntos por el Cambio quanto com o atual governo peronista, faz dessa eleição a mais incerta dos últimos tempos.

A crise

Embora quase sempre tenham vivido em uma economia em crise, os argentinos sofrem neste momento com os piores indicadores em 30 anos: a inflação interanual é de 115%, uma das mais altas do mundo; a pobreza atinge 40% da população de mais de 45 milhões de pessoas; e a moeda local, o peso, está se desvalorizando a um ritmo cada vez mais rápido (17% no último mês).

"Do próximo governo, quero que estimule os jovens a ficar no país. A Argentina é um país muito bonito, mas tem que recuperar os valores da educação e do trabalho", disse Mariana López, uma nutricionista de 45 anos que foi votar com sua filha de 8 anos.

A Argentina é a terceira maior economia da América Latina e um importante exportador mundial de alimentos. Ao mesmo tempo, tem de cumprir um acordo de 44 bilhões de dólares (R$ 216 bilhões, na cotação atual) com o FMI.

"A Argentina está em declínio econômico há mais de 10 anos, em uma crise que se agrava lentamente. Há uma crescente insatisfação do eleitorado, em um país que tinha identidades políticas claras. A eleição deste ano é chave, devido à necessidade de os eleitores de que haja uma mudança, mas também para que os políticos mudem", disse Negri.

Nestas eleições, estão aptos a votar mais de 35 milhões de pessoas, que também vão eleger os candidatos às eleições legislativas parciais que renovam parte do Congresso, a prefeitura da capital e o governo da província de Buenos Aires.

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