Apoiadores de Trump invadem Congresso nos EUA; votação vai continuar no Capitólio

Washington decreta toque de recolher e Mike Pence é retirado do Congresso

Uma multidão formada por apoiadores do presidente Donald Trump invadiu o prédio do Congresso americano nesta quarta-feira, dia 6, com a intenção de bloquear a sessão de confirmação da vitória do democrata Joe Biden. Em geral, a cerimônia costuma ser breve, já que trata-se basicamente de uma formalidade.

Washington decidiu decretar toque de recolher a partir das 18h (no horário local). Os deputados, senadores e funcionários do Congresso que estão dentro do prédio não podem sair por conta da violência que tomou conta do local.

A situação segue tensa, com a polícia tentando dispersar os manifestantes e proteger as pessoas que permanecem dentro do Capitólio. Apoiadores de Trump conseguiram derrubar as barricadas de metal colocadas ao redor do prédio. A prefeitura de Washginton diz que não há efetivo policial o suficiente para conter a multidão. Há relatos de cenas de violência entre os invasores e as forças policiais dentro do prédio do Capitólio.

A violência não se limita mais ao Congresso. Foi encontrado um explosivo na sede do Partido Republicano. Um pacote suspeito foi localizado nas proximidades do escritório do Partido Democrata em Washington.

Uma mulher, funcionária do Congresso, foi atingida por uma bala na região do pescoço e não resistiu. Segundo informações da NBC, ela faleceu na tarde desta quarta-feira. Ainda não está claro quem atirou na mulher, mas uma testemunha disse que tiros foram disparados depois que as autoridades policiais pediram aos manifestassem que recuassem. Vários policiais ficaram feridos e pelo menos um foi transportado para o hospital.

Um homem de 24 anos que estava escalando o andaime na frente oeste do prédio do Capitólio caiu de uma altura de 9 metros. Ele está sendo levado ao hospital em condições críticas, segundo uma fonte da família.

Na manhã desta quinta-feira, a polícia de Washington D.C confirmou ao todo quatro mortes. Além da funcionária do Congresso, dois homens e uma mulher morreram após "emergências médicas separadas" em partes da capital. Ao menos 52 pessoas foram presas.

Ralph Northam, governador do estado da Virgínia, decretou toque de recolher das 18h às 6h no território. "Também estou emitindo um estado de emergência na Virgínia", declarou Northam em sua conta no Twitter.

No Capitólio, o secretário de estado da Geórgia, Brad Raffensperger e outros assessores foram escoltados para fora do prédio após manifestantes se reunirem no estacionamento do local. De acordo com informações do NYTimes, toda a Guarda Nacional, de 1.100 soldados foi acionada. Além disso, o governador da Virgínia despachou membros da Guarda da Virgínia junto com 200 policiais estaduais para reprimir a violência na capital do país.

Apoiadores do presidente dos EUA, Donald Trump, entram no Cogresso dos EUAApoiadores do presidente dos EUA, Donald Trump, entram no Cogresso dos EUA

Fora de Washington, manifestantes também se reuniram no Kansas, onde invadiram a Câmara local.

Ao mesmo tempo, na Geórgia, os democratas levaram ontem as duas cadeiras restantes no Senado com o resultado das eleições do segundo turno. Com as vitórias, empatam em número de senadores com os republicanos na nova legislatura -- e eventuais empates em votações são decididos pela vice-presidente Kamala Harris, o que dá maioria ao partido. O Senado era controlado pelos republicanos desde 2015.

Votação vai continuar

A votação para ratificar Biden no Congresso, após ser paralisada pelas cenas de violência, seguiu madrugada adentro.

Durante as primeiras horas desta quinta-feira, 6, parte dos congressistas republicanos na Câmara (dominada pelos democratas) seguiu questionando o resultado da eleição na Pensilvânia, onde Biden venceu e concretizou a vitória nacional na eleição de novembro.

Apesar dos questionamentos, a Câmara de maioria democrata deve confirmar a vitória de Biden.

Na noite desta quarta-feira, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, afirmou que a votação conjunta entre Senado e Câmara ratificando a vitória de Biden iria prosseguir esta noite no Capitólio "assim que estiver liberado para uso".

 

O que disseram Trump e Biden ao longo do dia 

Em pronunciamento feito há pouco, o presidente eleito Joe Biden pediu para que o presidente em exercício Donald Trump vá à TV nacional norte-americana para exigir que os manifestantes parem o que estão fazendo. "O que estamos vendo no Capitólio não refletem um verdadeiro norte-americano, não reppresenta quem somos. O que temos visto é um pequeno número de extremistas. Isso é caos, desordem e deve terminar agora", afirmou.

Em seguida, Donald Trump pediu, em vídeo, que os manifestantes vão embora -- sem deixar de afirmar que as eleições foram fraudulentas. "Não podemos jogar o mesmo jogo dessas pessoas. Deixem o Capitólio", insistindo nessa versão.

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Opiniões

De acordo com informações da CNN, o deputado Ilhan Omar afirma que está redigindo artigos de impeachment contra Trump. "Donald Trump deveria ser destituído", tuitou o deputado nesta tarde. "Não podemos permitir que ele permaneça no cargo, é uma questão de preservar nossa República e precisamos cumprir nosso juramento", afirmou.

Nesta quarta, Trump tuitou que Mike Pence não teve "coragem para fazer o que deveria ter sido feito para proteger o nosso país, dando aos estados a chance de corrigir uma série de acontecimentos, não aqueles fraudulentos", escreveu.

O vice-presidente, Mike Pence, vinha sofrendo pressão de Trump para bloquear a confirmação da vitória de Joe Biden, embora não tenha autoridade para isso. Após a invasão, Pence publicou em sua conta do Twitter que "A violência e a destruição no Congresso dos EUA devem parar agora. Todos os envolvidos devem respeitar os policiais e deixar o prédio imediatamente". O vice-presidente ainda acrescentou que protestos pacíficos são direito de todo americano, "mas este ataque ao Capitólio não será tolerado e os envolvidos serão processados em toda a extensão da lei".

Após o processo de certificação, Biden tomará posse no dia 20 de janeiro. O democrata conquistou 306 votos no Colégio Eleitoral, contra 232 de Trump.

Um manifestante segura uma bandeira Trump dentro do edifício do Congresso dos EUA perto da Câmara do Senado em 06 de janeiro de 2021 em Washington, DC. O Congresso realizou uma sessão conjunta hoje para ratificar a vitória do Colégio Eleitoral do presidente eleito Joe Biden sobre o presidente Donald Trump. Um manifestante segura uma bandeira Trump dentro do edifício do Congresso dos EUA perto da Câmara do Senado em 06 de janeiro de 2021 em Washington, DC. O Congresso realizou uma sessão conjunta hoje para ratificar a vitória do Colégio Eleitoral do presidente eleito Joe Biden sobre o presidente Donald Trump.

Um manifestante segura uma bandeira Trump dentro do edifício do Congresso dos EUA perto da Câmara do Senado em 06 de janeiro de 2021 em Washington, DC. O Congresso realizou uma sessão conjunta hoje para ratificar a vitória do Colégio Eleitoral do presidente eleito Joe Biden sobre o presidente Donald Trump. (Win McNamee/Getty Images)

 

 

 

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