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Muquifo, Speranza, Vinheria… conheça os restaurantes que vão virar prédios

Da lista de empreendimentos gastronômicos que foram engolidos pelo setor imobiliário também fazem parte o Lilu e o Tavares, entre outros

Do pequeno império gastronômico da chef Renata Vanzetto, o Muquifo é, de longe, o que mais faz sucesso. Instalado na Rua da Consolação, nos Jardins, num daqueles sobrados antigos que costumam ser definidos como “casa de avó”, virou um sucesso instantâneo com pratos despretensiosos como estrogonofe e filé-mignon à parmigiana. A batata assada que acompanha o bife à milanesa, uma das receitas trazidas da família da cozinheira, é preparada com caldo industrializado e não se faz segredo disso.

Não se trata de um muquifo propriamente dito, apesar da tinta descascada das paredes e do mau estado do muro e do piso da área dos fundos. No banheiro, a pia rosa retrô e o chuveiro metálico da Lorenzetti, jurássico, roubam a cena.

O maior sucesso de Vanzetto, porém, está com os dias contados. O imóvel, alugado, foi vendido e será posto abaixo para dar lugar a um prédio, algo que tem se repetido em São Paulo como nunca. O Muquifo permanece onde está, no entanto, até o ano que vem.

Até lá, a chef precisa achar um novo imóvel para o restaurante, cujo slogan é "cozinha de família". Provavelmente, ele será reinaugurado na Rua Bela Cintra, no mesmo bairro, onde estão enfileirados mais cinco empreendimentos de Vanzeto: a matriz da lanchonete Matilda, os bares Mé e MeGusta, o restaurante Ema, seu negócio mais autoral, e o oriental Mi.Ado (há mais um saindo do forno em breve).

Em maio deste ano, noticiou-se que a filial em Moema da tradicional Speranza dará lugar a duas torres residenciais. Hoje ela ocupa o térreo de um prédio residencial de seis andares na Avenida Sabiá, 786, que pertence aos mesmos donos da pizzaria. O negócio, no entanto, continuará no local. Explica-se: vai reabrir no térreo do futuro empreendimento, com entrada independente. Foi uma forma de ceder ao apetite do mercado imobiliário e de manter a filial viva. Uma das torres terá dez andares de estúdios e a outra, com 25 pavimentos, apartamentos de alto padrão.

Com capacidade para acomodar 400 pessoas, a filial da Speranza, cuja matriz fica no Bixiga, deverá continuar funcionando até fevereiro de 2022, antes da demolição (prevê-se a abertura de uma unidade temporária, bem menor, na mesma rua). Quando voltar a operar, a pizzaria terá os mesmos 1.000 metros quadrados atuais e será totalmente envidraçada. O estacionamento no subsolo será maior que o atual.

Outro empreendimento que cedeu ao apetite das incorporadoras foi o extinto Tavares, nos Jardins, que funcionava na casa que pertenceu ao colunista social José Tavares de Miranda (1916-1992). A Vinheria Percussi, em Pinheiros, acaba de tomar a mesma decisão.

Nem toda incorporadora, convém registrar, pouco se importa com a rotina do bairro no qual pretende construir. A Tegra, por exemplo, criou o programa Gentilezas Urbanas em 2017. Por meio dele, promove melhorias no entorno de cada novo complexo, revitalizando espaços públicos como praças, escadarias e canteiros de avenidas. A companhia já repaginou 36 espaços públicos, investindo 2,5 milhões de reais no programa. “Não são contrapartidas motivadas por obrigações legais, mas por nossa crença de que uma empresa como a nossa deve olhar para seu entorno”, diz João Mendes, diretor de incorporações da Tegra.

O fechamento mais ruidoso motivado pelo mercado imobiliário foi o do Lilu. No dia 30 de outubro do ano passado, o antigo estabelecimento do chef André Mifano, que ganhou fama nacional como jurado do programa The Taste Brasil, na GNT, serviu suas últimas refeições.

O arejado imóvel que ocupava no bairro de Pinheiros, em São Paulo, foi demolido para dar lugar a um empreendimento imobiliário. “Não teve negociação. Não teve ressarcimento do investimento que fizemos na casa”, reclamou o cozinheiro, hoje funcionário do canal CNN Brasil, no qual apresenta Lugares Desconhecidos, de Anthony Bourdain.

Proprietária da rede Astor e de uma porção de outras, como Bráz e Pirajá, a Cia. Tradicional do Comércio, ou CiaTC, enfrentou o mesmo problema em 2014. Precisou fechar o badalado BottaGallo, no Itaim, porque o imóvel foi adquirido por uma incorporadora. A ironia é que o prédio previsto para o endereço até hoje não saiu do papel.

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