Eduardo e Ana Malheiros: os principais nomes do Grupo PGA (Divulgação)
Repórter de finanças
Publicado em 23 de setembro de 2026 às 05h00.
Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 15h49.
Foi em Ipojuca (PE), na praia de Porto de Galinhas, que o casal Eduardo e Ana Malheiros, veteranos da hotelaria, comprou um pequeno hotel em 2008 com a ideia de transformá-lo em um grande empreendimento. Nos anos seguintes, trabalharam na renovação e ampliação do espaço e a estrutura original virou um resort. Mas os empresários tinham planos ainda maiores para o local.
"Em 2016, tomamos a decisão de fazer um projeto todo voltado para atender à possibilidade de obter uma bandeira de uma cadeia internacional", explica Eduardo. O local foi repaginado com o verniz do arquiteto Daniel Piana. O "retrofit" do resort é um trabalho em andamento e, até agora, seu custo é estimado em R$ 200 milhões. No momento, há um rooftop em construção e só essa parte da estrutura está orçada em R$ 40 milhões. “Você não pode simplesmente fazer um produto, dizer que está pronto e partir para outro. A gente tem que estar sempre renovando”, afirma o empresário.
O investimento valeu a pena. Em 2022, os Malheiros conseguiram atrair e fechar negócio com a Marriott International, que opera no Brasil com marcas como Sheraton e JW. O empreendimento em Porto de Galinhas não só ganhou a chancela que o casal desejava, como conquistou um privilégio: a marca de alto padrão The Westin.
A proposta do Westin é levar o sistema "all inclusive" dos resorts tradicionais para um hóspede de alta renda. Para tanto, alguns tabus precisaram ser quebrados. "Por muito tempo a Marriott se negou a operar nesse modelo porque o 'all inclusive' sempre passou a imagem de algo muito popular", diz Eduardo. "Esse foi o primeiro The Westin ‘all inclusive’ da América Latina", afirma Guido Stütz, general manager do The Westin Porto de Galinhas.
The Westin em Porto de Galinhas: 'all inclusive' com luxo (Divulgação)
Com 20 mil metros quadrados, o hotel tem 154 quartos divididos entre quatro categorias, que vão de unidades mais "básicas" a apartamentos duplex com piscina privativa. As diárias variam de US$ 500 até U$ 1.500 por casal.
O resort tem quatro restaurantes. Para adaptar o 'all inclusive' ao paladar mais exigente dos hóspedes endinheirados, a cozinha do Westin tem equipamentos inteligentes que padronizam o preparo dos alimentos e visam reduzir riscos de contaminação cruzada, um cuidado essencial para garantir a reputação de um local de alto padrão. O ambiente também é monitorado por aplicativo e conta com fornos que utilizam inteligência artificial.
A presença da bandeira internacional também ajuda o resort a atrair viajantes estrangeiros que já conhecem a marca globalmente. A média de ocupação do resort gira em torno de 77%.
A Marriott possui 30 bandeiras e mais de 10 mil hotéis pelo mundo. Só na América Latina são 500. O Brasil, apesar de sua representatividade na região, ainda foi pouco explorada pela bandeira hoteleira. “É o único mercado da Marriott no mundo em que eles não são líderes”, afirma Stütz.
Porto de Galinhas é conhecido como polo de resorts no litoral pernambucano e o Westin concorre com outros nomes famosos, como o Summerville, Enotel, Nannai e Vivá. “Tem espaço e produto para todo mundo”, enfatiza Ana.
PGA toca campainha na B3: empresa captou R$ 25 milhões com emissão (Cris Humeki | B3)
Além de casados, Eduardo e Ana também são sócios do Grupo PGA, empresa da família Malheiros. Ele é CEO e ela, diretora operacional.
Em Porto de Galinhas, os Malheiros entraram em um negócio que já estava em operação e repaginou com melhorias, para se adequar a padrões internacionais. Mas o grupo também faz empreendimentos hoteleiros "do zero", como o segundo Westin que vai ser construído em uma área de 83 mil metros quadrados no Polo Turístico do Cabo Branco, em João Pessoa. Será o primeiro hotel internacional da Paraíba e sua inauguração está prevista para 2028.
Uma outra parceria com o Marriott prevê levar até 30 propriedades hoteleiras da bandeira City Express ao Nordeste ao longo dos próximos 15 anos. O investimento total é estimado em R$ 1 bilhão e a gestão será feita pela Fábrica de Hotéis, empresa do Grupo PGA, comandada por Tarcysio Malheiros, filho dos fundadores.
No mês passado, o Grupo PGA captou R$ 25 milhões com notas comerciais pelo Regime Fácil, na B3. Os recursos vão ser utilizados na construção das novas unidades do City Express.Eduardo aponta que a cadeia hoteleira no Nordeste está perdendo espaço para empreendimentos imobiliários. Alguns exemplos são hotéis que viraram condomínios residenciais nas orlas de Salvador e de Fortaleza. O que falta, segundo ele, é justamente a presença de bandeiras internacionais na região. Segundo ele, outros hotéis passam a buscar investimentos e melhorias para acompanhar o novo padrão de competição. “Marca internacional, quando chega, posiciona o destino”, conclui.
A reportagem viajou para Ipojuca a convite da PGA