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Ibovespa fecha em baixa de 13,9%, maior queda diária em 6 anos; dólar dispara 8,2%

Turbulência levou a B3 a acionar o circuit breaker logo na abertura, interrompendo as negociações por 30 minutos, pela primeira vez desde o primeiro ano da pandemia, em 2020

  • •No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 8,21%, cotado a R$ 5,4027; a maior valorização diárias desde 1999
  • •A B3 antecipou o circuit breaker após o Ibovespa indicar queda teórica superior a 20% antes da abertura, evitando uma nova interrupção na sessão
  • •Os investidores devem continuar céticos em relação aos ativos brasileiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo relatório do UBS divulgado nesta segunda

17:49 •

26 OUT 2026

Ibovespa fecha com a maior queda diária em 6 anos; dólar dispara 8,2%

O Ibovespa fechou em queda de 13,88% nesta segunda-feira, 26, aos 176.608,23 pontos, na maior perda percentual desde março de 2020, quando os mercados globais foram abalados pela pandemia de Covid-19.

O principal índice da bolsa brasileira oscilou entre a máxima de 205.088,74 pontos e a mínima de 169.516,43 pontos, em uma sessão marcada pela forte reação dos investidores à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O volume financeiro somou R$ 88,6 bilhões, cerca de três vezes a média diária do mercado.

No pior momento do pregão, o Ibovespa chegou a cair 17,34%, ficando abaixo dos 170 mil pontos. A turbulência levou a B3 a acionar o circuit breaker logo na abertura, interrompendo as negociações por 30 minutos, pela primeira vez em mais de seis anos. Depois da retomada dos negócios, o índice voltou a registrar perdas superiores a 15%, mas não houve uma nova paralisação.

No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 8,21%, cotado a R$ 5,4027. A moeda americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3917 e a máxima de R$ 5,6048. A valorização diária foi a maior desde 1999, em um movimento que refletiu a busca dos investidores por proteção diante das incertezas sobre os rumos da economia brasileira.

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

14:42 •

26 OUT 2026

B3 antecipou circuit breaker; entenda

A B3 informou à EXAME que decidiu acionar o circuit breaker antes mesmo da abertura do mercado à vista.

A medida foi tomada durante o leilão que antecede o início das negociações, quando os investidores registram ordens de compra e venda e o sistema calcula um preço teórico para cada ativo, ou seja, o valor pelo qual os negócios seriam fechados se o pregão começasse naquele momento.

Segundo a bolsa, esse cálculo indicava que o Ibovespa abriria com queda superior a 20%. Diante disso, a B3 optou por interromper as negociações com antecedência para proteger investidores e preservar a integridade do mercado.

Por isso, a reabertura com perdas de 17% não provocou uma segunda parada. De acordo com a B3, um novo circuit breaker só será acionado se o índice voltar a cair 20% em relação ao fechamento de sexta-feira.

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

14:30 •

26 OUT 2026

Ibovespa reduz perdas, dólar longe da máxima

Após entrar em circuit breaker no início do pregão e reabrir com queda superior a 17%, o índice Ibovespa reduziu as perdas, mas segue com baixa de 14%, a 176.286 pontos.

Já o dólar reduziu os ganhos, mas sobe 8,87%, cotado a R$ 5,436.

Nota da redação: pelas regras da B3, uma queda de 15% do Ibovespa após a reabertura aciona um segundo circuit breaker, de uma hora. Nesta segunda-feira, o índice voltou do primeiro com perdas de 17% sem nova interrupção. A EXAME procurou a B3 para entender o motivo e aguarda resposta.

13:13 •

26 OUT 2026

Ibovespa chega a cair mais de 17%, maior queda desde o Plano Collor

O Ibovespa chegou a cair mais de 17% nesta segunda-feira, 26, em uma das sessões mais turbulentas da história do mercado financeiro brasileiro. O tombo ocorreu após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo, 25, contrariar as expectativas de parte dos investidores e reacender as preocupações com a condução da política fiscal.

Às 13h02, o principal índice da Bolsa brasileira recuava 14,60%, aos 175.133 pontos.

Levantamento da Elos Ayta com as maiores quedas diárias do Ibovespa desde 1986 mostra que as perdas registradas nesta segunda se aproximaram dos episódios mais extremos da série histórica do índice.

As maiores quedas diárias identificadas pelo levantamento ocorreram em março de 1990, durante o governo de Fernando Collor de Mello, quando o Ibovespa caiu mais de 20%.

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

11:59 •

26 OUT 2026

Dólar sobe mais de 9%

O dólar opera em alta de 9,38%, nesta segunda-feira, 26, cotado a R$ 5,460, no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O movimento inverte a reação vista depois do primeiro turno, quando a moeda americana recuou mais de 4% em um único dia com a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Durante a manhã, a moeda chegou a ter alta superior a 12%.

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

11:49 •

26 OUT 2026

UBS vê mercado cético com vitória de Lula e cobra sinais concretos de ajuste fiscal

Os investidores devem continuar céticos em relação aos ativos brasileiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo relatório do UBS divulgado nesta segunda-feira, 26. Para o banco, o governo precisará apresentar evidências concretas de compromisso com o ajuste fiscal antes que o mercado considere rever suas avaliações sobre a economia brasileira.

Na avaliação dos analistas, ainda não há medidas concretas de ajuste fiscal suficientes para justificar a valorização dos ativos brasileiros observada desde o primeiro turno das eleições. O banco espera, por isso, que a Bolsa, o real e os rendimentos dos títulos retornem a níveis próximos aos registrados antes daquela etapa da votação, com a possibilidade de um desempenho ainda pior temporariamente.

O relatório destaca que a alta recente dos ativos foi impulsionada pela expectativa de um governo mais favorável ao mercado e de um programa rápido e robusto de consolidação fiscal. A vitória de Lula, segundo o UBS, implica uma trajetória diferente.

Embora o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tenha sinalizado um pacote de consolidação fiscal antes da eleição, a campanha acrescentou compromissos expressivos de gastos após o primeiro turno. Para o banco, essa combinação tornou mais difícil demonstrar que o governo conseguirá equilibrar suas promessas com a necessidade de ajuste das contas públicas.

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

11:25 •

26 OUT 2026

Ainda não dá para falar em tendência de baixa, diz consultor da Wiser Asset

Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, afirma que a reeleição de Lula pressiona os ativos porque contraria as apostas em uma mudança fiscal mais rápida. Segundo ele, parte dos investidores havia comprado ações e vendido dólares antecipando esse cenário, e o desmonte dessas posições intensifica a reação.

O ajuste aparece ao mesmo tempo em ações, câmbio e juros. Antes do circuit breaker, o contrato futuro do Ibovespa chegou a recuar quase 20%, enquanto o dólar à vista subia 12,32%, a R$ 5,60. No exterior, o EWZ perdeu mais de 26% no pré-mercado, refletindo a desvalorização das empresas e do real para o investidor estrangeiro.

“Se medidas expansionistas sustentarem a demanda enquanto o dólar encarece importações e insumos, o Banco Central terá menos espaço para continuar cortando a taxa básica”, afirma Murad.

Empresas endividadas, varejistas e construtoras ficam mais expostas, enquanto exportadoras encontram alguma compensação nas receitas em dólar.

Para o consultor, ainda não é possível concluir que começou uma tendência prolongada de baixa.

“O circuit breaker confirma a intensidade das vendas, mas não prevê sua duração.” Ele aponta que dólar e juros longos elevados por mais tempo, saída de capital e revisão de lucros seriam os sinais de uma deterioração persistente.

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

11:21 •

26 OUT 2026

Queda tem parte técnica e parte estrutural, diz CEO da MA7 Capital

Para André Matos, CEO da MA7 Capital, a queda desta segunda-feira precisa ser dividida em duas partes. A primeira é técnica. “O mercado chegou à eleição apostando na vitória da oposição, e os preços foram montados nesse cenário desde o primeiro turno”, afirma. Com o resultado contrário, os investidores tentaram desfazer posições ao mesmo tempo, o que explica o circuit breaker, o primeiro desde março de 2020, o dólar perto de R$ 5,60 e o tombo de mais de 25% do principal fundo de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos. Segundo ele, essa parte tende a ser exagerada e pode se corrigir em alguns dias.

A segunda parte é estrutural e, nas palavras de Matos, “só se resolve com fatos”. O executivo lembra que o discurso da vitória não trouxe sinalização sobre as contas públicas, enquanto as promessas de campanha somam cerca de R$ 94 bilhões em impacto fiscal, segundo a IFI. Com mais gastos e dólar alto, a curva de juros já indica o fim dos cortes da Selic, o que pesa mais sobre bancos, varejo e construção do que sobre exportadores.

Matos cita 2002, quando o mercado só se acalmou após o governo eleito indicar uma equipe econômica comprometida com o fiscal. “Se vierem nomes com credibilidade e uma meta fiscal clara, parte da queda volta. Se o governo dobrar a aposta nos gastos, a pressão vira tendência.”

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

11:14 •

26 OUT 2026

Suzano e Vale sobem na contramão do tombo de 16% do Ibovespa

Mesmo com o Ibovespa em queda de 16,17%, aos 171.925 pontos, um grupo de ações opera no azul nesta segunda-feira, 26. A Suzano (SUZB3) lidera as altas, com avanço de 10,50%, cotada a R$ 47,58. Vale (VALE3) sobe 6,48%, a R$ 65,91, e Embraer (EMBJ3) ganha 5,61%, a R$ 93,31.

As siderúrgicas também resistem. Metalúrgica Gerdau (GOAU4) avança 5,26%, a R$ 12,00, e Gerdau (GGBR4) sobe 2,50%, a R$ 25,85. Bradespar (BRAP4), que tem participação na Vale, ganha 3,42%, a R$ 19,66, enquanto WEG (WEGE3) sobe 3,02%, a R$ 44,02, e Klabin (KLBN11) avança 2,63%, a R$ 18,70. São empresas com boa parte da receita vinda de exportações, perfil que costuma atrair investidores em busca de proteção em dias de estresse no mercado doméstico.

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

11:12 •

26 OUT 2026

Dez ações do Ibovespa derretem mais de 40% no pregão

O tombo do Ibovespa é puxado por quedas que superam 40% em dez ações do índice. A Vamos (VAMO3) tem o pior desempenho, com recuo de 51,33%, a R$ 3,12. C&A (CEAB3) e Cosan (CSAN3) perdem metade do valor, com baixa de 50,00% cada, cotadas a R$ 6,92 e R$ 2,60. MRV (MRVE3) cai 48,85%, a R$ 4,21, e Assaí (ASAI3) recua 48,41%, a R$ 7,12.

Magazine Luiza (MGLU3) despenca 48,38%, a R$ 6,55, e a própria B3 (B3SA3) cai 47,91%, a R$ 12,32, com o maior giro financeiro do grupo, de R$ 229,38 milhões. Fecham a lista Smart Fit (SMFT3), com queda de 43,54%, a R$ 14,07, Localiza (RENT3), que recua 43,32%, a R$ 29,71, e Energisa (ENGI11), em baixa de 41,33%, a R$ 39,00. São companhias de varejo, construção, locação e serviços, mais expostas à economia doméstica e ao custo do crédito.