Acompanhe:

Começo esse artigo voltando aos tempos da escola, especificamente às aulas de química. O hidrogênio, primeiro elemento da tabela periódica, um dos grandes desafios do Ensino Médio, está atraindo os holofotes de todo o mundo.

Isso porque, embora seja um velho conhecido dos mercados químico, alimentício, automotivo e siderúrgico, entre outros, a sua forma molecular (H2) promete se transformar na energia do futuro na corrida pela descarbonização do planeta.

Nesse contexto, o Brasil se apresenta como um dos potenciais protagonistas mundiais como produtor e distribuidor do elemento. Mas, antes de entrar nos detalhes das vantagens nacionais, permita-me contextualizar como o hidrogênio tem sido utilizado até aqui e para quê.

Principalmente depois do século XX, o hidrogênio, por ser um importante insumo em algumas atividades industriais - como o refino de petróleo, tratamento de metais, produção de fertilizantes e processamento de alimentos -, passou a ser amplamente explorado e utilizado a partir da queima de combustíveis fósseis (hidrocarbonetos), como carvão, petróleo e gás natural. Essa queima gera energia em processos dos mais diversos mercados e indústrias, e tem como subprodutos o CO (Monóxido de Carbono) e o CO2 (Dióxido de Carbono).

Como a forma molecular do hidrogênio (H2) não é tipicamente encontrada na natureza, para reduzir a emissão desses gases de efeitos estufa o ideal é que sua produção seja derivada de uma fonte limpa de energia.

Embora a tecnologia para a síntese de hidrogênio seja conhecida há um bom tempo, o problema está justamente ligado a como ele é produzido. A maneira mais barata de consegui-lo e, portanto, a mais utilizada até aqui, é retirando-o dos hidrocarbonetos por meio de um processo extremamente poluente denominado reforma a vapor (Steam Methane Reforming).

Agora, dando um salto para as discussões atuais, o que tem tornado o elemento famoso é a possibilidade de produzi-lo pela eletrólise da água, em um processo plenamente sustentável. E é aí que o Brasil entra em campo como favorito!

A produção do hidrogênio via eletrólise demanda muita energia e para que o produto seja, de fato, considerado verde (H2V), todas as etapas, principalmente o consumo de energia elétrica, precisam utilizar fontes renováveis com baixa ou zero emissão de CO2.

Nosso país apresenta condições únicas para isso, pois é um dos únicos que conta com uma rede elétrica conectada, ao mesmo tempo em que dispõe de uma matriz elétrica limpa - sendo mais de 85% oriunda de fontes renováveis-, com um grande estoque de hidrelétricas já depreciadas com baixo custo de produção e um potencial competitivo significativo de geração de energia renovável, sobretudo no Nordeste.

Do ponto de vista financeiro, vale destacar que, no Brasil, o  Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os bancos de desenvolvimento têm, historicamente, um papel bastante relevante pela capacidade de suportarem o nascimento de algumas indústrias, como visto no desenvolvimento do mercado de energia eólica.

Além disso, o crescimento do mercado de capitais local, destacando-se as debêntures de infraestrutura, possibilita alternativas de financiamentos de projetos a custos competitivos.

Portanto, para resumir, nosso país é um latente “grid verde” que tem ganhado visibilidade e que pode protagonizar o movimento de descarbonização do planeta se beneficiando de uma matriz limpa, baixo custo de geração e competitividade geográfica para exportar combustível verde.

De acordo com a IEA (Agência Internacional da Energia), em todo o mundo, há um grande número de projetos de produção de H2V em desenvolvimento e, caso todos estejam operando até 2030, a perspectiva é a de que a produção anual chegue a 20 Mt (Megatoneladas). Atualmente, os projetos em construção ou com investimento definido representam apenas 4% do total.

Entre os seis principais países que anunciaram projetos de hidrogênio verde, o Brasil aparece nas primeiras colocações com o potencial para viabilizar a produção de 6,265 Kt (quilotoneladas) de hidrogênio verde por ano.

No mercado nacional, focando no processo de geração de energia para os projetos relacionados ao H2V, a Engeform Energia (PEC Energia), sob a gestão de Gilberto Feldman, destaca-se com uma condição única envolvendo geração eólica e solar a um custo baixo.

Já para conectar projetos promissores a investidores estratégicos, a UNA, uma jovem empresa liderada por Lara Monteiro, surge no mercado para oferecer um exclusivo ecossistema de dívida, integrando expertise em assessoria financeira, otimização da financiabilidade e análises de risco aprofundadas por meio de tecnologia avançada, alinhada às tendências do mercado em expansão.

Em outras palavras, o Brasil é franco favorito nessa corrida em prol da sustentabilidade e o hidrogênio verde é o recurso da vez. Inteligente vai ser aquele que mais rápido e eficazmente entender essa tendência e correr nessa direção.

Créditos

Últimas Notícias

Ver mais
ESG: desafios e oportunidades para o setor de alimentos e bebidas
ESG

ESG: desafios e oportunidades para o setor de alimentos e bebidas

Há um mês

A tragédia e a oportunidade da educação básica no Brasil
ESG

A tragédia e a oportunidade da educação básica no Brasil

Há 3 meses

Empresas que quiserem ter vida longa precisam estar engajadas no ESG
ESG

Empresas que quiserem ter vida longa precisam estar engajadas no ESG

Há 4 meses

Amigos do Bem levanta valor recorde em jantar de 30 anos e anuncia novo núcleo
ESG

Amigos do Bem levanta valor recorde em jantar de 30 anos e anuncia novo núcleo

Há 4 meses

Continua após a publicidade
icon

Branded contents

Ver mais

Conteúdos de marca produzidos pelo time de EXAME Solutions

Exame.com

Acompanhe as últimas notícias e atualizações, aqui na Exame.

Leia mais