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Fundos-robôs valorizam até 12% na crise provocada pela pandemia

No acumulado do ano até o dia 17, fundos baseados em algoritmos mostraram resiliência

Investimentos: fundos de previdência são opção para o longo prazo (Witthaya Prasongsin/Getty Images)

Investimentos: fundos de previdência são opção para o longo prazo (Witthaya Prasongsin/Getty Images)

Marília Almeida

Marília Almeida

Publicado em 31 de julho de 2020 às 06h00.

Última atualização em 31 de julho de 2020 às 19h02.

Conhecidos por serem mais resilientes em crises econômicas, já que sua estratégia é baseada em algoritmos e busca ter baixa relação com o momento macroeconômico, os fundos quantitativos acumulam valorização de até 12% neste ano até o dia 17 de julho.

É o caso do Seival Agressivo, cujas cotas valorizaram 12,51% no período. O fundo é seguido pelo Murano, que valorizou 10,73%, e o Giant Steps Zarathustra, que acumula alta de 8,19%. As valorizações ficam bem acima do CDI do período, de 1,76%, e da variação do Ibovespa, que ficou praticamente estável.

Veja abaixo o desempenho de cinco fundos quantitativos brasileiros nos últimos anos:

Fundo20162017201820192020 (até 17/7)Acumulado desde 2016
Giant Steps Zarathustra20.9515.1315.44118.1993.05
Seival Agressivo15.39-8.9741.45-5.1212.5158.61
Pandhora11.3715.24.8612.912.0555.02
Kadima II10.6214.2211.393.655.3153.62
Murano 18.395.0118.31-19.5810.7330.98
CDI149.956.425.971.7643.84
Ibovespa (variação)0.620.310.150.17-0.1054.25

Apesar de sua característica ser a descorrelação com outros indicadores da economia, isso não significa que os fundos possam ser usados como uma proteção pelo investidor.

É o que explica a especialista em fundos da EXAME Research, Juliana Machado, "Os fundos quantitativos ficam no meio do caminho. Podem ajudar na diversificação da carteira. Mas uma proteção é quando a descorrelação com outros ativos é negativa, e não é esse o intuito desses fundos".

Ou seja, fundos quantitativos apenas costumam registrar um desempenho melhor quando há uma tendência clara no mercado financeiro.

Um exemplo foi a pandemia. O mercado vinha em uma grande onda de valorização até fevereiro, quando passou a sinalizar uma tendência inversa em março "Como esses fundos são baseados em um modelo automatizado e analisam uma maior quantidade de dados, conseguem se posicionar mais rápido do que fundos tradicionais".

Mas mesmo essa diversificação deve ser feita com cuidado. IIsso porque a estratégia dos fundos não é quantitativa: serve para classificar apenas seu tipo abordagem para ler dados. "Geralmente, eles vão utilizar essa abordagem em grande parte do processo de gestão, enquanto fundos tradicionais utilizam menos, e deixam mais decisões em mãos humanas".

Portanto, não se deve comparar os fundos quantitativos entre si, mas com fundos que utilizam a mesma estratégia, como Multimercado Macro ou Ações Long Biased, indica Machado.

Além disso, mais do que a valorização dos fundos na crise, é necessário olhar um histórico maior, além de questões como volatilidade controlada e qual o retorno que obteve proporcionalmente ao risco tomado (índice de Sharp).

Um exemplo claro é o fundo da Murano, que chegou a ter, em 2018 e 2019, uma descorrelação negativa em relação à bolsa, e perde para outros fundos no rendimento acumulado nos últimos quatro anos e meio.

Entre os fundos do levantamento que tiveram melhor desempenho, Machado analisa que o Giant Steps Zarathustra entrega bons resultados, mas é um fundo caro: cobra taxa de 1% mais 27,5% de performance.

"Recomendo o seu fundo-irmão, o Giant Darius. Com taxa de 2% de administração e 20% de performance, além de metade da volatilidade do Zarathustra , acompanha o seu desempenho e é indicado para compor a porção da carteira dedicada a fundos Multimercados Macro".

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