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Seguro contra calote brasileiro chega ao menor nível em quase 10 anos

Confiança na agenda de reformas e no impacto da queda dos juros levaram risco-Brasil para o o mesmo patamar de quando o país tinha grau de investimento

Risco Brasil, medido pelos contratos de proteção contra default (CDS), caiu para abaixo dos 100 mil pontos (Manusapon Kasosod/Getty Images)

Risco Brasil, medido pelos contratos de proteção contra default (CDS), caiu para abaixo dos 100 mil pontos (Manusapon Kasosod/Getty Images)

GG

Guilherme Guilherme

Publicado em 22 de dezembro de 2019 às 07h30.

Última atualização em 22 de dezembro de 2019 às 08h30.

Os títulos de dívida externa do Brasil estão sendo negociados como se a crise econômica e política da última década tivesse terminado e fosse apenas questão de tempo até as agências de classificação de risco se darem conta disso.

Confiantes na agenda de reformas e no impacto da queda dos juros para os menores níveis históricos, investidores levaram o risco-país — medido pelos contratos de proteção contra default ou CDS, de cinco anos — para abaixo de 100 pontos base pela primeira vez desde 2010, quando o Brasil tinha grau de investimento. Ao mesmo tempo, a curva de juros dos bônus em dólares do Brasil caiu e agora os spreads pagos por essas notas sobre os Treasuries estão mais baixos que os da África do Sul e Omã, mercados emergentes com nota um nível acima do Brasil.

“Os títulos soberanos já estão sendo negociados acima do rating”, disse Mauro Roca, diretor para mercados emergentes da TCW Group em Los Angeles, que supervisiona cerca de US$ 211 bilhões. “Mas se a melhora na nota vier antes do esperado, isso pode ajudar a reduzir ainda mais os spreads.”

O Brasil tem nota BB- pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings, três níveis abaixo do grau de investimento, e Ba2 pela Moody’s Investors Service, dois degraus abaixo dessa chancela. A S&P recentemente melhorou a perspectiva do rating de estável para positiva, mas avisou que o upgrade ainda depende da melhora do crescimento econômico e da continuidade da agenda de reformas.

Isso significa que a classificação do Brasil continua no mesmo patamar de Uzbequistão, Guatemala, República Dominicana e Bangladesh. Este úlitmo não tem bônus denominados em dólar e planeja estrear nesse mercado no ano que vem.

O Brasil tem elevadas reservas internacionais e amplo acesso ao mercado de capitais doméstico e externo, mas para as agências de classificação de risco as métricas de dívida ainda precisam melhorar. A dívida pública total do Brasil deve atingir 61% do PIB em 2019, segundo a S&P, 2,5 vezes mais que a relação dívida/PIB esperada para o Uzbequistão e mais de 15 pontos percentuais superior à previsão para o México, que tem nota BBB+.

Os investidores não se incomodam e esperam upgrade no ano que vem.

O custo do CDS de cinco anos do Brasil recuou cerca de 110 pontos base desde o início do ano. Somente Grécia, Ucrânia e Bahrein tiveram melhoras mais substanciais no mundo, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O governo do presidente Jair Bolsonaro vem tocando uma agenda ambiciosa para diminuir o tamanho do estado, incluindo a aprovação da reforma da previdência. O governo agora pretende implementar mudanças no regime tributário e nas carreiras do funcionalismo, entre outros.

As contas externas são outro ponto forte do país. Ainda que a S&P espere uma alta do déficit em conta corrente de 2,2% do PIB em 2018 para 2,9% em 2019, o robusto fluxo de investimento direto, de aproximadamente 4% do PIB, deve cobrir com folga essa lacuna.

“Olhando as contas externas, o Brasil já deveria ter grau de investimento”, disse Fernando Honorato, economista-chefe do Banco Bradesco, o segundo maior da América Latina por valor de mercado. Ele espera que o rating do Brasil seja elevado em dois níveis até o fim do atual governo, em 2022.

Risco-país: CDS na mínima desde 2010, quando o Brasil tinha grau de investimentos pela S&P (Bloomberg)

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