Por que o mercado avalia que a alta do juro pode acabar em maio

Prévia do IPCA de março veio acima das projeções de mercado, mas não alterou expectativa predominante de que o juro sobe só mais uma vez, para 12,75% ao ano
Sede do Banco Central em Brasília: próxima reunião do Copom será nos dias 3 e 4 de maio (Adriano Machado/Reuters)
Sede do Banco Central em Brasília: próxima reunião do Copom será nos dias 3 e 4 de maio (Adriano Machado/Reuters)
Por Davison Santana e Josue Leonel, da BloombergPublicado em 26/03/2022 13:00 | Última atualização em 26/03/2022 00:13Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Os operadores no mercado de juros futuros estão apostando que o Banco Central vai manter seu plano de encerrar o ciclo de aperto monetário em maio, mesmo depois que o IPCA-15 superou a previsão dos economistas nesta sexta-feira, dia 25.

As taxas de DI caíam na sexta, estendendo o declínio da véspera, apesar de o IPCA-15 ter atingido 0,95% em março, acima da mediana de 0,85% nas previsões de economistas consultados pela Bloomberg. O real se fortaleceu contra o dólar na sessão -- a moeda americana encerrou negociada a R$ 4,74.

Os operadores estão diminuindo as apostas em um ciclo de aperto monetário mais longo após o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, dizer na quinta-feira que um aumento adicional da taxa em junho não é o cenário mais provável. Depois de aumentar a taxa em 975 pontos-base -- 9,75 pontos percentuais -- desde março do ano passado, o BC vem sinalizando que pode encerrar o ciclo com um movimento final na reunião do começo de maio.

Os mercados ainda estão reagindo às observações do presidente do BC, de acordo com Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management em São Paulo.

Assine a EXAME e fique por dentro das principais notícias que afetam o seu bolso. Tudo por menos de R$ 0,37/dia

Campos Neto disse que a inflação poderia superar as expectativas no curto prazo, mas ainda assim atingiria o pico em abril e diminuiria depois disso. Essas observações provavelmente estão ajudando os operadores a apostar que os números de meados de março não mudarão os planos.

O mercado de juros reduziu pela metade suas apostas em aumentos adicionais depois de maio desde a decisão do Copom da semana passada, que foi entendida como dovish [menos rigorosa]. A curva de DI agora está precificando um prêmio de perto de 50 pontos base para cobrir o risco que o Banco Central tem de estender o ciclo.

Enquanto isso, o real brasileiro continua se fortalecendo, estendendo nesta sexta o seu rali do ano. Embora os DIs estejam caindo, os investidores dizem que o carry trade da moeda já é muito alto, o suficiente para continuar atraindo investidores estrangeiros.

“O carry já está bem gordo”, disse Valter Filho, operador de câmbio da gestora Galapagos Capital em São Paulo. “Lógico que, quanto mais juros, na teoria, mais atrativo para o câmbio. Mas já subiu tanto que acho que não faz tanta diferença mais para o câmbio“, afirmou.