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O mercado se animou demais com a Rossi?

As ações chegaram subir 12,5% após a divulgação do resultado, mas analistas ainda não acreditam na recuperação


	A construtora apresentou prejuízo de R$9,97 milhões de reais no primeiro trimestre de 2013
 (Sean Gallup/Getty Images)

A construtora apresentou prejuízo de R$9,97 milhões de reais no primeiro trimestre de 2013 (Sean Gallup/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 16 de maio de 2013 às 10h56.

São Paulo - Após apresentar os resultados do primeiro trimestre de 2013, as ações da Rossi (RSID3) experimentaram um dia de forte alta nesta quarta-feira. Na máxima, chegaram a valer 3,59 reais, com valorização de 12,53%. 

Apesar da boa reação do mercado, os analistas acreditam que embora os resultados tenham sido marginalmente positivos, a recuperação da empresa pode ainda estar distante.

Guilherme Vilazante, Carlos Peyrelongue e Daniel Gasparete, analistas do Bank of America Merrill Lynch acreditam que os resultados positivos de caixa e margem confirmam que as condições para uma recuperação já estão definidas, mas eles ainda estão céticos em relação a quando isso vai acontecer.

“Apesar da tendência positiva estar ganhando força nos resultados, a inércia pode adiar uma clara recuperação, fazendo com que os números melhorem apenas no terceiro trimestre deste ano”, afirmam em relatório. A recomendação do Merrill Lynch para as ações é de underperform (desempenho abaixo da média do mercado) e o preço-alvo é de 4 reais.

Na opinião da equipe de analistas do Credit Suisse os resultados foram neutros. “Pelo menos a alavancagem parou de piorar e a empresa parece estar dando passos significativos para melhorar a eficiência operacional”, explicam os analistas. 

No entanto, eles destacam que ainda é preciso esperar os frutos dessas iniciativas, especialmente considerando que nenhuma melhoria significativa no fluxo de caixa recorrente foi alcançada ainda. A recomendação do banco para as ações é neutra, com preço-alvo de 4,50 reais.

Resultados

A construtora apresentou prejuízo líquido de 9,97 milhões de reais no primeiro trimestre de 2013, revertendo o lucro líquido de 62,56 milhões de reais de um ano antes, com queda na receita e vendas contratadas.

Por outro lado, a geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de 113 milhões, acima do que era esperado pelo mercado.

Um pouco mais otimista que a maioria dos analistas, Ricardo Correa, da Ativa, afirma que a Rossi parece ter chegado a um ponto de inflexão ao reduzir consideravelmente a queima de caixa para 61 milhões de reais dos 182 milhões de reais do quarto trimestre de 2012. No entanto, ele concorda que a recuperação ainda não está próxima, visto que os riscos são muito altos com a alavancagem entre as mais altas do setor. 

Desempenho das ações da Rossi comparado ao do Índice Imobiliário:


Wesley Bernabé, analista do BB Investimentos, ainda tem dúvidas em relação ao tal ponto de inflexão. “A grande questão referente à visibilidade dos resultados futuros é em que momento se dará o ponto de inflexão para a esperada recuperação (que não ocorreu no primeiro trimestre de 2013)”, afirma em relatório. 

Por conta das incertezas, o analista decidiu atribuir o rating de market perform (desempenho em linha com a média do mercado) no curto prazo para as ações da Rossi, por acreditar que ainda serão necessários alguns trimestres para que apresente números mais consistentes. Além disso, o preço-alvo para o final de 2013 foi reduzido para 4,60 reais.

Lançamentos

A Rossi divulgou também que, seguindo sua estratégia de focar na rentabilidade, não realizou lançamentos no primeiro trimestre de 2013. No mesmo período de 2012, haviam sido lançados 514 milhões de reais. A construtora afirmou que espera retomar os lançamentos de empreendimentos imobiliários neste trimestre.

A postura é vista como positiva pelo Credit Suisse, dado o atual nível elevado de endividamento. No entanto o banco faz a ressalva de que isso pode comprometer a rentabilidade futura, uma vez que deve se traduzir em diminuição das receitas, reduzindo também as perspectivas de melhoria de retorno sobre o patrimônio no médio prazo. 

Na análise da Planner, que não recomenda o posicionamento na ação, a empresa ainda precisa encolher de tamanho para que volte a buscar rentabilidade nos próximos exercícios. A corretora destaca ainda o péssimo desempenho dos papéis nos últimos anos: desvalorização de 39,6% em 2012, e de 44,7% em 2011. Em 2013, a ações acumulam queda de 29,9%.

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