Lojas Americanas dispara 7% com Morgan Stanley; Cogna afunda 8% em 2 dias

Confira os principais destaques de ações desta terça-feira
 (Alexandre Battibugli/Exame)
(Alexandre Battibugli/Exame)
Paula Barra
Paula Barra

Publicado em 15/12/2020 às 10:22.

Última atualização em 15/12/2020 às 18:21.

Em sessão de alta de 1,34% do Ibovespa, apenas 17 das 77 ações do índice encerraram no negativo nesta terça-feira, 15, com a Cogna (COGN3) voltando a aparecer entre os destaques de baixa. Nas últimas duas sessões, os papéis da companhia caíram cerca de 8% após decepção do mercado com projeções da empresa para os próximos anos. Do outro lado, Lojas Americanas (LAME4) liderou os ganhos, com alta de 7,49%, após o Morgan Stanely colocar as ações entre suas preferidas entre varejistas e nomes de e-commerce para 2021. 

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Confira abaixo os principais destaques de ações desta sessão:

Lojas Americanas

Liderando os ganhos do Ibovespa, apareceram as ações da Lojas Americanas (LAME4), com alta de 7,49%. O Morgan Stanley apontou os papéis da companhia, assim como os do Mercado Livre, como suas principais escolhas para 2021 entre varejistas e nomes de comércio eletrônico. Na visão do banco, o e-commerce na América Latina pode entregar mais um ano de crescimento acima da média, uma vez que mais consumidores compram online, a base de categorias é ampliada e as lojas melhoram suas estruturas de logística. Sobre Lojas Americanas, os analistas mencionam valor subestimado da Ame, fintech da varejista.

Entre as empresas listadas na B3, as ações de Magazine Luiza (MGLU3), Lojas Renner (LREN3) e C&A (CEAB3) receberam recomendação overweight, equivalente a compra, pelo banco. A Cia Hering (HGTX3) teve classificação mantida em underweigh, equivalente a venda, enquanto Via Varejo (VVAR3), Carrefour Brasil (CRFB3) e GPA (PCAR4) seguiram como equal-weight, o mesmo que neutra.

Cogna 

Já as ações da Cogna (COGN3) deram continuidade ao movimento de queda da véspera e recuaram 2,79%, acumulando nos últimos dois pregões baixa de cerca de 8%. Ontem, a companhia realizou o seu Investor Day, trazendo detalhes do seu plano de reestruturação de longo prazo, que inclui acelerar o crescimento no ensino à distância, e expectativa de geração operacional de caixa (Ebitda) recorrente saindo de 1 bilhão de reais em 2020 para 2,4 bilhões de reais em 2024.

Os analistas do BTG Pactual apontam que, apesar das melhores tendências de fluxo de caixa livre pela frente (2020 deve marcar um ponto de inflexão), a alavancagem financeira da empresa segue alta (o banco estima um indicador dívida líquida/Ebitda de quase 3 vezes no quarto trimestre para os últimos 12 meses). Para eles, o evento foi "frustrante" uma vez que a empresa não conseguiu explicar como pode se desalavancar rapidamente.

"O cenário para o segmento de graduação ainda parece desafiador, dada a alavancagem operacional negativa do Kroton Campus, que aliada a uma alavancagem financeira ainda elevada (bem acima de seus pares), deve evitar qualquer fluxo de caixa livre aos acionistas positivo no curto prazo", comentam. A recomendação do banco para a ação segue como neutra.

Siderúrgicas e Vale

Depois do tombo ontem, as siderúgicas subiram forte nesta sessão, em meio a recomendações e alta dos preços do minério de ferro. As ações da CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5), Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) registraram alta de 3,45%, 3,91%, 4,34% e 3,54%, respectivamente.

No radar, a CSN teve recomendação elevada para compra pelo Goldman Sachs, com preço-alvo em 35 reais por papel, o que implica um potencial de valorização de 29% em relação ao fechamento de ontem. Já a Gerdau foi elevada a overweight, equivalente a compra, pelo Morgan Stanley, com meta em 26,00 reais por ação, correspondendo a um potencial de ganhos de 14%. 

O movimento positivo também foi visto nos papéis da Vale (VALE3), que subiram 1,14%, na esteira da alta dos preços do minério de ferro. Após queda ontem, os contratos futuros da commodity negociados na bolsa de Dalian, na China, registraram alta de 1,48%, indo para 994,00 iuanes a tonelada.    

Suzano 

As ações da Suzano (SUZB3) avançaram 3,56%. Segundo apurou o Valor, a companhia informou a seus clientes na Europa e Estados Unidos novos preços para a celulose a partir de 1º de janeiro. Com o reajuste, o preço efetivo no mercado europeu vai chegar a 750 dólares a tonelada, enquanto na América do Norte vai a 970 dólares a tonelada, diz o jornal citando fontes do setor.

Ultrapar

As ações da Ultrapar (UGPA3), dona da rede de postos Ipiranga, viraram para o negativo e fecharam com leve queda de 0,34%, depois de subirem mais de 1% nesta sessão. No radar, a companhia informou ontem à noite, por meio de comunicado divulgado ao mercado, que está avaliando alternativas estratégicas para a divisão química Oxiteno, incluindo potencial desinvestimento. Segundo informações da Bloomberg, a companhia contratou assessoria financeira, que avaliou o ativo em 1 bilhão de dólares. 

Para analistas da Exame Research, embora não haja uma decisão concreta pela venda, o fato de a possibilidade estar sendo avaliada indica que a Ultrapar vê a distribuição de combustível como sua atividade prioritária, por mais que o setor de produtos químicos esteja num bom momento em termos operacionais. Caso a Oxiteno seja realmente vendida, o grupo levantaria uma importante fonte de recursos para continuar investindo na rede Ipiranga e trazer alívio à dívida líquida, comentam. “É uma decisão importante em termos estratégicos e potencialmente positiva, dependendo do eventual preço da operação”. 

Petrobras

As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3; PETR4) avançaram 1,29% e 0,83%, respectivamente, acompanhando os preços do petróleo no exterior. Os contratos do petróleo Brent, negociados em Londres e usados como referência pela estatal, registraram alta de 0,80%.

Concessões de rodovias

O governo federal pretende contratar 137,5 bilhões de reais em investimentos para os próximos anos, com leilões, privatizações e renovações de contratos, envolvendo mais de 50 concessões ao setor privado.

Segundo analistas da Exame Research, a notícia é importante para o segmento de infraestrutura, uma vez que o cronograma de leilões para concessão desses ativos esteve praticamente paralisado nos últimos anos. "Empresas como CCR e Ecorodovias, que fortaleceram seu caixa no passado recente, aparecem como naturais interessadas na retomada dessa agenda", comentam.

Na sessão, os papéis de CCR (CCRO3) registraram alta de 1,34%, enquanto os Ecorodovias (ECOR3) caíram 0,30%.

BRF 

As ações da BRF (BRFS3) fecharam praticamente estáveis (-0,09%). No radar, a companhia teve recomendação cortada de compra para manutenção pelo Santander. O banco também revisou para baixo a classificação de Marfrig (MRFG3), que passou de compra para underperform, desempenho abaixo da média. Os papéis da companhia registraram baixa de 0,98%.

Weg 

As ações da Weg (WEGE3) chegaram a cair 3,3% mas viraram para o positivo e fecharam em alta de 3,12%. O Goldman Sachs rebaixou a recomendação do papel para venda por desaceleração do crescimento.