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IRB (IRBR3) desaba após follow-on e vai à mínima histórica

Somente na manhã desta sexta, papéis entraram 11 vezes em leilão por excederem o limite máximo de oscilação

Prédio do IRB no Rio de Janeiro (IRB Brasil/Divulgação)

Prédio do IRB no Rio de Janeiro (IRB Brasil/Divulgação)

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Guilherme Guilherme

2 de setembro de 2022, 12h27

As ações do IRB Brasil (IRBR3) sofrem um novo revés no pregão desta sexta-feira, 2, após a precificação do follow-on ter saído a R$ 1 por ação, 29% abaixo da cotação do último fechamento, de R$ 1,40. Nesta sessão, os papéis chegaram a cair 23% na mínima do dia ao serem negociados no menor nível da história, a R$ 1,08.

A volatilidade das ações do IRB é tanta que, somente nesta manhã, a B3 realizou onze leilões extraordinários por oscilação máxima permitida, segundo informações da própria bolsa.

Muito dinheiro está em jogo nessas operações. A companhia enfrenta o maior arsenal de posições vendidas do mercado, que se beneficiam com a queda de preços.

São 341,9 milhões de ações alugadas, segundo o TradeMap, o que representa cerca de 27% do free float. Tamanha concentração só foi possível graças à exceção concedida pela B3 para atender a demanda de vendidos.

No fim de agosto, a bolsa aumentou o limite do empréstimo de ações do IRB em relação ao free foat de 25% para 30%. A taxa de doador, que refletem a demanda pelo aluguel, foi de 20%, no início de julho, para próximo de 70% ao ano às vésperas do follow-on, ainda segundo a plataforma.

Os papéis do IRB acumulam mais de 95% de desvalorização desde janeiro de 2020, antes da série de escândalos envolvendo a governança da companhia. Até o início deste pregão, a queda acumulada no ano era de 65%. Nos últimos cinco pregões que antecederam a oferta, a ação do IRB caiu 32%.

A companhia levantou R$ 1,2 bilhão na oferta, que será utilizado para atender às regras de capital mínimo requerido pela Susep, a Superintendência de Seguros Privados.

O aumento de capital estava previsto desde sua aprovação em assembleia de acionistas realizada em maio. A companhia encerrou o segundo trimestre com apenas 64% do capital mínimo requerido pelas exigências regulatórias, que era de R$ 613,8 milhões. 

"A principal dúvida é se realmente esse valor de R$ 1,2 bi, que representa mais da metade do valor de mercado atual da companhia, deverá resolver a situação ou veremos uma nova chamada de capital em um futuro não muito distante. O momento é de cautela e a nova gestão precisa se provar, devolvendo a sinistralidade para patamares saudáveis", avaliaram Carlos Daltozo, head de Research da Eleven, e o analista Raul Grego Lemos, em relatório.

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