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Ibovespa cai e interrompe sequência positiva puxado por bancos e Petrobras

Investidores aproveitam dia morno nos mercados internacionais para realizar lucros de curto prazo, com maior cautela sobre cenário político

Bolsa: Ibovespa recua, apesar de alta dos índices americanos (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Bolsa: Ibovespa recua, apesar de alta dos índices americanos (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

GG

Guilherme Guilherme

Publicado em 22 de junho de 2020 às 17h00.

Última atualização em 22 de junho de 2020 às 18h20.

A bolsa brasileira fechou em queda, nesta segunda-feira, 22, com os investidores aproveitando o dia de calendário econômico mais morno para realizar lucros de curto prazo, após a sequência de quatro pregões consecutivos. O Ibovespa, principal índice de ações, caiu 1,28% e encerrou em 95.335,96 pontos. O movimento foi puxado, principalmente, pelas ações dos grandes bancos e da Petrobras, que possuem grande participação no índice.

“Hoje a realização de lucros foi motivada por incertezas na política brasileira. Os investidores seguem cautelosos sobre os desdobramentos do caso Fabrício Queiroz e preferiram vender algumas ações”, disse Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

No mercado, há temores de que a prisão de Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, respingue no presidente Jair Bolsonaro. No entanto, movimentos de queda mais forte são desconsiderados até que as investigações cheguem no presidente ou ocorra algo mais concreto com seu filho Flávio, como uma prisão, por exemplo.

Com isso, o Ibovespa, que vinha de uma sequência de quatro altas consecutivas, foi na contramão dos principais índices dos Estados Unidos, que fecharam em alta, com a expectativa de uma recuperação econômica mais acelerada, após a cidade de Nova York iniciar a segunda fase da reabertura econômica.

"A realização de lucros é algo natural, após o Ibovespa subir por quatro pregões seguidos. Não tivemos tantas notícias importantes e a agenda econômica estava bem esvaziada. Foi um pregão mais morno em termos de notícias e volatilidade", afirmou Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos.

Sem grandes novidades no campo econômico ou geopolítico, o S&P 500 subiu 0,65%, com o aumento do número de casos de coronavírus no país pesando no lado negativo.

Nos Estados Unidos, 12 estados apresentaram recorde de novos infectados, desde sexta-feira, e 17 registraram aumento de hospitalizações, de acordo com a ABC News. No entanto, o número de mortos pela doença no país está mais de 80% inferior ao registrado no pico da pandemia, o que aumenta a expectativa de que não será necessária a volta de medidas mais duras de isolamento social.

Na sexta-feira, 19, a informação de que a Apple fecharia as lojas nos Estados Unidos, devido ao aumento do número de casos, chegou a pressionar as bolsas. Mas o anúncio de que seriam apenas 11 lojas arrefeceu o pessimismo no mercado.

Na bolsa brasileira, as ações do Itaú e do Bradesco caíram mais de 3%, enquanto os papéis do Santander e do Banco do Brasil recuaram cerca de 2%. Já as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras caíram 1,8% e 2,4%, respectivamente, adicionando pressão negativa no Ibovespa.

Por outro lado, componentes com menor participação no índice chegaram a apresentar forte valorização. Na liderança do Ibovespa, ficaram as ações do IRB Brasil, que dispararam 14%, mesmo após a Justiça negar o pedido para reconsiderar a apresentação de meios para arcar com 1 bilhão de reais por prejuízos a investidores.

"O IRB se tornou um dos papéis mais voláteis do mercado. Nada explica essa valorização, após uma decisão desfavorável", disse Carvalho.

Os papéis do IRB ganharam destaque no início do ano, após a gestora Squadra questionar as demonstrações financeiras da companhia.

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