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Grupo brasileiro de tecnologia planeja IPO na Nasdaq

São Paulo - Pelo menos uma vez, o trânsito caótico de São Paulo pode ajudar uma empresa local a chegar a algum lugar. A Spring Wireless, empresa brasileira que desenvolveu um "software de mobilidade" que ajuda seus clientes a manter a produtividade quando estão presos nos constantes congestionamentos da capital paulista, planeja lançar ações na […]

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Guillermo Parra-Bernal

Publicado em 10 de outubro de 2010 às, 04h11.

São Paulo - Pelo menos uma vez, o trânsito caótico de São Paulo pode ajudar uma empresa local a chegar a algum lugar.

A Spring Wireless, empresa brasileira que desenvolveu um "software de mobilidade" que ajuda seus clientes a manter a produtividade quando estão presos nos constantes congestionamentos da capital paulista, planeja lançar ações na Nasdaq dentro de dois anos, para financiar sua expansão internacional.

A empresa de capital fechado fundada em 2001 por Marcelo Conde, ex-executivo do banco Goldman Sachs, está lutando por uma fatia maior do negócio de plataformas de software que permitem a executivos dirigir partes de seus negócios por meio de celulares inteligentes, mercado que movimenta 1 bilhão de dólares ao ano.

No Brasil, grandes empresas como Coca-Cola, Unilever e Banco Santander adotaram o software de mobilidade da Spring a fim de contornar problemas de tráfego, infraestrutura deficiente e burocracia incômoda.

"O setor está avançando com velocidade fascinante," disse Conde à Reuters. "Nosso objetivo é obter acesso à mais eficiente fonte de capital, à medida que nosso fluxo de receita se reforça."

Recorrer à Nasdaq, a maior fonte mundial de capital para empresas de telecomunicações, é algo inédito entre as empresas brasileiras de tecnologia e poderia ajudar a Spring Wireless a conquistar a visibilidade e o porte de que necessita para enfrentar líderes de mercado como Research in Motion e Sybase, disse Conde.

A oferta de ações na bolsa sediada em Nova York pode acontecer por volta de 2012, ele disse, assim que a Spring Wireless solidificar sua posição nos Estados Unidos, onde iniciou operações no ano passado, e na Europa.

Os mesmos clientes mundiais que optaram pela Spring Wireless no Brasil e outros países da América Latina estimulam seus esforços para chegar aos países desenvolvidos, onde a demanda por software de mobilidade vem disparando a taxas anuais de crescimento de dois dígitos. As vendas norte-americanas e europeias da Spring responderam por 45 por cento dos 100 milhões de dólares de faturamento da empresa no ano passado.

O boom dos aplicativos de mobilidade permitiu que a empresa se expandisse agressivamente de 2008 para cá. Agora, conta com 600 funcionários e escritórios em 14 países, bem como centrais de dados para backup em Moscou, São Paulo, Seattle e Pequim. Empresas como Citigroup e AmBev estão entre os clientes que utilizam produtos da Spring Wireless em 20 países.


O advento da internet

As empresas do chamado mercado de mobilidade desenvolvem plataformas de software que oferecem a organizações aplicativos básicos e serviços de mensagens, atendimento ao consumidor, gestão de vendas e recursos gráficos. A Spring Wireless gera receitas por meio de assinaturas e vendas permanentes de licenças.

Conde e mais de 300 funcionários detêm 70 por cento das ações da Spring, enquanto o Goldman Sachs e o fundo New Enterprise Associates têm participação combinada de 23 por cento.

A produtora de software alemã SAP, que no mês passado adquiriu a Sybase por 5,8 bilhões de dólares, detém os 7 por cento restantes.

A Spring Wireless foi criada em parceria com outros fabricantes brasileiros de hardware e software, no final dos anos 90, quando empresários motivados pelo advento da Internet previram uma alta na demanda por serviços de tecnologia.

Embora algumas dessas empresas tenham afundado com o estouro da bolha da Internet nos EUA, as sobreviventes escaparam bem dos períodos difíceis e se tornaram favoritas do mercado.

As ações da Totvs, que concorre com a SAP no mercado de aplicativos empresariais, subiram 400 por cento desde que a empresa abriu seu capital, em janeiro de 2006. A Tivit, que oferece consultoria tecnológica a empresas de setores como telecomunicações e finanças, recentemente anunciou planos de fechar seu capital, depois de lançar ações pela primeira vez em setembro.

Caso abra seu capital, a Spring Wireless terá de pagar dividendos, o que reduziria seu investimento em pesquisa e desenvolvimento. No momento, 21 por cento de seus recursos vão para pesquisa e desenvolvimento, ante média setorial de 8 por cento.

Por outro lado, abrir o capital ofereceria a força financeira de que ela precisa para concorrer com o BlackBerry, da RIM, no mercado de mobilidade, dizem analistas.

E em meio à consolidação entre empresas de mobilidade, uma oferta inicial de ações daria à Spring Wireless os recursos necessários para abocanhar rivais menores.

"A vantagem de lançar ações," diz o analista Stephen Drake, do grupo de pesquisa de tecnologia IDC, "é o ganho de alcance mundial, uma fonte estável de receita e a possibilidade de fontes alternativas de crescimento," a exemplo de aquisições.

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