Mercados

EUA estão perdendo pole position em IPOs

Estados Unidos estão perdendo a posição de maior ponto global para ofertas iniciais de ações, indica estudo

Bolsa de Nova York (Spencer Platt/Getty Images)

Bolsa de Nova York (Spencer Platt/Getty Images)

DR

Da Redação

Publicado em 30 de dezembro de 2010 às 15h07.

Londres - Os Estados Unidos estão perdendo a posição de maior ponto global para ofertas iniciais de ações de empresas (IPO, na sigla em inglês), devido a regulações restritivas e competição de outros centros financeiros, mostrou uma pesquisa com advogados norte-americanos nesta quinta-feira.

Mais de 70 por cento de um total de 50 advogados da área de mercados de capitais, cujos escritórios prestaram assessoria para três quartos dos maiores IPOs nas principais bolsas dos EUA neste ano, disseram que o país está perdendo a atratividade como destino das ofertas iniciais de ações.

"O fato é que enquanto o ambiente regulatório dos EUA se tornava mais restritivo, outras bolsas no mundo ficavam mais sofisticadas e com maior liquidez e vêm ganhando market share", disse Joshua Ford Bonnie, sócio do escritório Simpson Thacher & Bartlett.

Empresas considerando um IPO nos EUA terão que adotar os termos da chamada reforma financeira Dodd-Frank, que afeta os universos da governança e da abertura de informações da companhia, entre outras coisas. O novo ambiente tem por objetivo a redução de riscos sistêmicos pelo estabelecimento de políticas de supervisão.

Ainda assim, o novo arcabouço regulatório dos EUA não irá deter empresas chinesas, que todos os advogados que responderam à pesquisa da KCSA Strategic Communications disseram que serão o principal motor da atividade de IPO nas bolsas norte-americanas em 2011.

"Esperamos que as empresas chinesas irão, pelo menos no curto prazo, continuar a listar ações nas bolsas dos EUA devido a regras mais claras e pelo prestígio de se estar no mercado norte-americano", disse Colin Diamond, sócio do escritório de advocacia White & Case.

Advogados também esperam que empresas sediadas em outros países emergentes contribuam para o tráfego de IPOs, com 37 por cento e 30 por cento dos entrevistados nomeando Brasil e Índia, respectivamente, como países que vão estar na relação de líderes do movimento de ofertas iniciais de ações.

Apesar da preocupação sobre a posição dos EUA como polo global de IPOs, o sentimento para o mercado de ofertas iniciais de ações em 2011 no geral é positivo, com 77 por cento dos advogados que responderam à pesquisa antecipando mais operações em 2011.

Empresas que receberam aportes de grupos de private equity devem dominar as ofertas iniciais de ações em 2011, de acordo com 74 por cento dos advogados, que citaram os setores de tecnologia e ciência da vida como áreas mais fortes para IPOs.

Acompanhe tudo sobre:Açõesbolsas-de-valoresIPOsMercado financeiro

Mais de Mercados

O plano da Reag para reerguer a GetNinjas (NINJ3)

Bolsas da Europa fecham em baixa, devolvendo parte dos ganhos em dia de CPI da zona do euro

Gavekal: inflação machuca, mas é a pobreza o maior problema dos EUA

Ibovespa fecha perto da estabilidade dividido entre Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4)

Mais na Exame