Mercados

Crise da dívida na Europa afunda euro e mercados

Bolsas europeias ampliaram suas perdas nesta quarta-feira (28/4) e Euro atingiu o mínimo valor em 1 ano

Praça da Bolsa de Valores francesa, em Paris (.)

Praça da Bolsa de Valores francesa, em Paris (.)

DR

Da Redação

Publicado em 28 de abril de 2010 às 17h36.

Londres - Os mercados financeiros e o euro mantiveram-se em declínio nesta quarta-feira, em meio a temores de contágio da crise da Grécia por outros países da zona do euro, reforçados pelo rebaixamento da nota da dívida da Espanha pelo Standard & Poor's.

As bolsas europeias, que se mantiveram em queda durante todo o dia, ampliaram suas perdas no final das sessões com a divulgação da notícia de que a agência de classificação financeira havia baixado a nota da dívida soberana da Espanha de "AA+" para "AA" devido à situação de seu déficit.

Esta degradação é "um novo sinal de alerta demonstrando que os efeitos da crise grega se estendem", considerou Ben May, analista da Capital Economica.

A praça que mais sofreu foi a de Madri, onde o índice Ibex-35 dos principais valores perdeu 313,9 pontos (-2,99%) para fechar em 10.167 pontos.

O dia também foi difícil para os mercados dos outros países da zona do euro que enfrentam dificuldades em suas finanças públicas, como Irlanda, Itália e Portugal. Dublin caiu 2,47%; Milão, 2,43%; e Lisboa, 1,89%.

A Bolsa de Paris sofreu um retrocesso de 1,50%, e acumula uma queda de 5% em duas sessões.

O índice Dax da Bolsa de Frankfurt fechou com uma perda de 1,22%, e o Footsie-100 encerrou a sessão em queda de 0,3% em relação a terça-feira.

Fora da Europa, os mercados asiáticos também registraram perdas, como Tóquio (-2,75%), Hong Kong (1,47%) e Xangai (-0,26).

A Bolsa de Nova York buscava uma direção clara após as más notícias procedentes do Velho Continente e à espera do final de uma reunião do Federal Reserve. O Dow Jones resistia no início da tarde, ganhando 0,11%, mas o Nasdaq perdia 0,35%.

Os temores se intensificaram esta semana depois que a Alemanha se mostrara reticente em ajudar a Grécia e se agravaram na terça-feira quando o Standard & Poor's rebaixou as notas de Grécia (de "BBB+" para "BB+", relegando o país à categoria especulativa) e de Portugal (de "A+" para "A-").

O euro atingiu um novo mínimo em um ano ante a moeda americana, chegando a 1,3115 dólar pouco depois das 16h00 GMT (13h00 de Brasília), contra 1,3174 dólar na terça-feira às 21h00 GMT (18h00 de Brasília). A moeda europeia não chegava a este nível desde abril de 2009.


O rendimento das obrigações do Estado grego para 10 anos, que dispararam nesta quarta-feira de manhã para além de 11%, estavam em 9,919% às 16h00 GMT (13h00 de Brasília). A taxa a dois anos também caiu para 16,066%, depois de ter superado 18% durante o dia pelos temores de um risco de suspensão dos pagamentos do país a curto prazo.

A tendência se inverteu depois que os presidentes do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, e do Banco Central Europeu (UE), Jean-Claude Trichet, se reuniram com os líderes dos grupos parlamentares alemães para reiterar a urgência de uma ajuda à Grécia.

"A Grécia precisa de 8,5 bilhões de euros até o dia 19 de maio. Em meio à incerteza, - apesar de os países europeus tenham dito que vão ajudar - os investidores que ainda não viram resultados palpáveis dessas promessas, continuarão projetando uma catástrofe", declarou Nordine Naam, especialista em obrigações do banco de investimentos Natixis.

Em Portugal, considerado o segundo país de maior risco, as taxas também se mantiveram altas, em 5,761% para as de 10 anos, contra 5,501 na terça-feira, e a 5,228% para as de dois anos, contra 4,863% na terça-feira.

Na Espanha e Irlanda - os outros dois países que causam apreensão por seus déficits elevados - as taxas se situavam em 4,127%, (contra 4,052% na véspera) e 5,269% (contra 5,101%), respectivamente.

Ante a situação, o presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, anunciou nesta quarta-feira a realização de uma cúpula dos países da zona do euro no dia 10 de maio para desbloquear a ajuda esperada pelos mercados.


Acompanhe tudo sobre:Açõesbolsas-de-valoresCâmbioEuroEuropaMoedasUnião Europeia

Mais de Mercados

Fed: John Williams diz que alta nos salários ainda não desacelerou de modo consistente

UBS anuncia mudanças na diretoria em etapa final da fusão com Credit Suisse

Ibovespa cai e volta a fechar no menor patamar do ano

Grupo Mateus (GMAT3) avalia comprar rede do Novo Atacarejo

Mais na Exame