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Huawei: colaboração com a DeepSeek busca adaptar chips às necessidades dos modelos de inteligência artificial (Xavi Torrent/Getty Images)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 19 de outubro de 2026 às 18h05.
Última atualização em 19 de outubro de 2026 às 18h21.
A DeepSeek participa do desenvolvimento de chips da Huawei, segundo o The Information. A colaboração busca aproximar o desenho dos processadores das necessidades dos modelos de inteligência artificial. Documentação pública já mostra ferramentas da startup adaptadas à família Ascend 950. A adaptação envolve tanto os cálculos quanto a comunicação entre processadores. O avanço amplia as alternativas chinesas à Nvidia, mas não demonstra uma substituição completa de sua tecnologia.
A DeepSeek está ajudando a Huawei a desenvolver chips de inteligência artificial adaptados a seus modelos, segundo reportagem do The Information divulgada nesta segunda-feira, 19. A aproximação busca reduzir a dependência de processadores da Nvidia no treinamento de novas IAs.
De acordo com o relato, engenheiros da Huawei trabalham nos escritórios da startup e incorporam sugestões sobre cálculos e transferência de dados entre processadores. A DeepSeek pretende começar a usar o Ascend 950DT para treinamento já no fim de 2026.
O movimento aproxima duas partes que precisam funcionar juntas: o modelo de IA e o equipamento que o executa. Para uma desenvolvedora como a DeepSeek, que ampliou sua oferta com o DeepSeek V4, participar dessa definição permite levar as necessidades do software ao projeto do chip.
Uma IA de grande porte distribui trabalho entre muitos processadores. Além de fazer contas, eles precisam trocar dados: um chip pode ficar esperando informações de outro, mesmo tendo capacidade para continuar calculando.
A documentação técnica da DeepSeek mostra esforços nas duas frentes. O DeepGEMM-Ascend reúne rotinas de cálculo adaptadas aos chips Huawei. Já o DeepEP-Ascend organiza a comunicação entre processadores, com recursos para treinamento e para gerar respostas, etapa chamada de inferência.
O desempenho depende tanto das contas que cada chip faz quanto da velocidade com que os dados circulam.O DeepGEMM-Ascend registra lançamento em 30 de setembro e validação na família Ascend 950. São ferramentas públicas que permitem a outros desenvolvedores examinar e aproveitar esse trabalho.
Trocar o processador também exige adaptar os programas. A Nvidia oferece o CUDA, plataforma que reúne compiladores, bibliotecas de cálculo e ferramentas para desenvolver e testar aplicações em seus chips. Esse conjunto permite que equipes aproveitem soluções prontas, sem construir tudo do zero.
O TileLang atua em uma parte desse problema: facilita escrever rotinas para diferentes processadores. Seu repositório registra suporte nativo ao Ascend 950 desde 30 de setembro, além de compatibilidade com Nvidia e outros fabricantes. A proposta ajuda a ampliar as opções de hardware, mas não substitui sozinha toda a plataforma CUDA.
Mudar de fornecedor de chips também significa adaptar o software que faz a IA funcionar.As ferramentas mostram avanços concretos, com ressalvas. O DeepEP-Ascend informa que seus resultados foram medidos com uma configuração experimental fornecida à DeepSeek e ajustada manualmente. Esses testes de componentes não demonstram, por si só, o desempenho do treinamento de um modelo completo.
A colaboração ocorre em meio às restrições de acesso a processadores americanos e aos gargalos chineses na produção de semicondutores. Adaptar chips e programas é uma etapa dessa busca por alternativas. Para transformar o trabalho em substituição efetiva, será preciso combinar a integração técnica com equipamentos disponíveis em escala.
Segundo o The Information, a startup participa do desenho de chips adaptados a seus modelos. Repositórios públicos também mostram ferramentas da DeepSeek para processadores Huawei.
A reportagem aponta o fim de 2026 como possibilidade para começar o treinamento. Trata-se de um plano, não de uma migração integral comprovada.
Treinamento é o processo de desenvolver o modelo. Inferência é o uso desse modelo para produzir respostas.
O DeepGEMM-Ascend executa cálculos matemáticos usados em IA. O DeepEP-Ascend cuida da comunicação entre processadores em operações de treinamento e inferência.
O TileLang facilita escrever rotinas para diferentes processadores, incluindo Nvidia e Huawei. Isso não equivale a substituir toda a plataforma CUDA, que reúne diversos recursos para desenvolvedores.
O DeepEP-Ascend informa que usou uma configuração experimental ajustada manualmente. Medir componentes isolados não demonstra o desempenho do treinamento de um modelo completo.