Inteligência Artificial

Boticário cria bot para alertar mulheres sobre uso indevido de IA em fotos

Com Marina Sena em campanha, marca lança movimento Code Her em meio ao aumento de denúncias de crimes digitais contra mulheres; ferramenta funciona na rede X e avisa sobre tentativas de manipulação e sexualização de imagens

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 6 de abril de 2026 às 09h53.

Última atualização em 7 de abril de 2026 às 13h11.

O Boticário aprensentou nesta segunda-feira, 6, o projeto Code Her, movimento que tenta colocar a marca no centro de uma discussão que ganhou escala com o avanço da inteligência artificial: o uso de ferramentas digitais para manipular, sexualizar e expor imagens de mulheres sem consentimento.

A iniciativa combina campanha, educação e uma ferramenta tecnológica. O principal recurso é um bot criado para funcionar dentro do X, antigo Twitter, com a proposta de alertar usuárias sobre tentativas de modificação de fotos por inteligência artificial. O projeto também inclui uma cartilha digital com orientações sobre denúncia, direitos e caminhos legais disponíveis em casos de violação.

A ação surge num momento em que esse tipo de crime ganhou tração. Segundo a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, da ONG SaferNet, as denúncias de misoginia, violência ou discriminação contra mulheres cresceram 224,9% em relação ao ano anterior. O dado ajuda a dimensionar um ambiente em que a popularização de ferramentas de IA passou a ampliar o medo de exposição pública a partir de imagens falsas.

O movimento está ligado à plataforma Her Code, marca de perfumaria feminina do Boticário que, desde 2023, tenta associar beleza a conversas mais amplas sobre prazer feminino, autonomia e tabus ligados ao corpo da mulher. Agora, a empresa tenta ampliar esse território para um campo mais delicado: o da violência digital.

Segundo Carolina Carrasco, diretora de branding e comunicação do Boticário e da Quem Disse, Berenice?, a proposta é reforçar a posição da marca como aliada das consumidoras em discussões que extrapolam o universo da beleza. A executiva afirma que a inteligência artificial, embora tenha aplicações positivas, pode se tornar instrumento de exposição e vulnerabilização quando usada com essa intenção.

Criado pela AlmapBBDO, o projeto será apoiado por uma campanha multiplataforma com filme digital protagonizado pela cantora Marina Sena, além de conteúdos com a jornalista Rose Leonel, que teve imagens íntimas divulgadas sem consentimento no início dos anos 2000 e se tornou uma das principais vozes na discussão sobre violência digital no Brasil.

A campanha também reforça informações sobre leis já existentes para esse tipo de denúncia, como a Lei Rose Leonel, a Lei Carolina Dieckmann, a Lei Maria da Penha e o Marco Civil da Internet.

Como funciona o bot

Pelas regras do projeto, o bot poderá ser ativado por usuárias interessadas em monitorar publicações feitas no X. O processo começa no site da iniciativa, onde a pessoa aceita os termos e habilita o recurso. Depois disso, ao publicar uma foto, basta marcar @codeherbot para que a ferramenta acompanhe a postagem.

Se houver tentativa de manipulação da imagem pelo Grok, a IA do X, a foto deixa de ser exibida, e a usuária recebe um alerta indicando que houve tentativa de alteração. A mensagem também traz orientação sobre canais oficiais de denúncia, leis aplicáveis e medidas que podem ser tomadas.

Na prática, o Boticário tenta usar a própria linguagem da tecnologia para responder a um problema que nasceu dela. Num ambiente em que a IA tornou mais fácil criar montagens, falsificações e conteúdos íntimos fabricados, o desafio deixou de ser apenas conscientizar. Passou a ser também oferecer algum tipo de ferramenta que ajude a reagir.

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