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Na Irani, a estratégia para colher crescimento enquanto juros podam o ritmo

Companhia ajusta ritmo dos investimentos aos juros altos e mantém projeto de R$ 514 milhões para modernizar fábrica em Minas Gerais

Odivan Carlos Cargnin - CEO da Irani Papel e Embalagem

Foto: Leandro Fonseca
Data: 07/10/26 (Leandro Fonseca/Exame)
Odivan Carlos Cargnin - CEO da Irani Papel e Embalagem Foto: Leandro Fonseca Data: 07/10/26 (Leandro Fonseca/Exame)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 8 de outubro de 2026 às 07:00.

RESUMO +

A fabricante de papel e celulose Irani prioriza em 2026 o crescimento orgânico, embora mantenha fusões e aquisições no radar. Em 2025, a companhia faturou R$ 1,68 bilhão e lucrou R$ 242 milhões. No segundo trimestre de 2026, a receita subiu 4,4%, para R$ 431,9 milhões, enquanto o lucro caiu 72,4%, para R$ 30,9 milhões.

A Irani começou a plantar sua operação de papel e celulose em 1941, no interior de Santa Catarina. Desde então, viu de tudo no Brasil e no mundo: guerras, regimes, crises e presidentes. Mesmo assim, colheu bastante. Em 2025, a empresa registrou receita de R$ 1,68 bilhão, 8% acima do R$ 1,55 bilhão de reais do ano anterior, e lucro líquido de R$ 242 milhões. O retorno sobre o capital investido (ROIC), indicador que mede a capacidade de gerar retorno sobre os recursos aplicados, chegou a 13,3%.

Agora, a estratégia é priorizar a expansão de suas próprias operações, mas com um galho ou outro em eventuais operações de M&A. Em entrevista ao EXAME Insight, o CEO Odivan Cargnin afirma que a preferência pelo crescimento orgânico está ligada ao controle sobre as decisões de investimento, os retornos esperados, a tecnologia e a cultura da companhia. “A gente tem preferido sempre um caminho solo, o crescimento orgânico. Mas o M&A está na pauta, tem boas empresas no mercado e eventualmente pode fazer sentido em algum momento”, diz.

Segundo Cargnin, o setor não tem uma dinâmica intensa de fusões e aquisições. A Irani analisa oportunidades, mas considera a preservação de sua forma de operar um dos critérios para decidir como crescer. “A gente é muito focado na cultura organizacional.”

A preferência pela expansão própria vem acompanhada de ajustes no ritmo dos aportes diante da taxa de juros de 13,75% ao ano. O executivo reconhece que o custo do dinheiro afeta as decisões, mas afirma que a companhia mantém os investimentos orientados por uma perspectiva de longo prazo. “A gente dosa um pouco a intensidade dos investimentos, mas não deixa de investir”, afirma. “Trabalhamos sempre com uma estrutura de capital muito leve para permitir esses momentos de maior incerteza.”

Quem planta...

Um dos projetos em execução é a modernização da fábrica de papel de Santa Luzia, em Minas Gerais, com investimento bruto previsto de R$ 514 milhões. Anunciado em maio, o projeto Gaia XII contempla a reforma da máquina de papel, uma nova caldeira e a revitalização da unidade. A previsão divulgada é ampliar a capacidade produtiva em 60%, com a entrada em operação da máquina reformada no quarto trimestre de 2028.

Na entrevista, Cargnin usa o ciclo da matéria-prima para explicar como a empresa avalia seus investimentos. “Nós plantamos árvores. A nossa principal matéria-prima é o pinus. O pinus demora 15 anos para ficar pronto. A gente precisa plantar hoje para a colheita daqui a 15 anos.”

Colhe

No segundo trimestre de 2026, último resultado divulgado, a Irani registrou receita líquida de R$ 431,9 milhões, alta de 4,4% em relação ao mesmo período de 2025, impulsionada pelo aumento dos volumes vendidos de papéis e embalagens. O Ebitda ajustado foi de R$ 131,6 milhões, avanço de 8,2%, com margem de 30,5%.

O lucro líquido caiu 72,4%, para R$ 30,9 milhões. Segundo a companhia, a queda reflete a menor contribuição da atualização do valor contábil das florestas e a ausência dos créditos tributários de IPI que haviam reforçado o resultado um ano antes. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, encerrou junho em 2,07 vezes, ante 2,11 vezes em março.

A produção de papéis para embalagens atingiu 81,6 mil toneladas, recorde trimestral e crescimento de 5,3% na comparação anual. A companhia atribui o desempenho à normalização das operações após as paradas programadas do primeiro trimestre e ao avanço da produção da máquina modernizada pelo projeto Gaia XI.

No mercado internacional de celulose, o início do quarto trimestre combina recuperação dos preços com dúvidas sobre a sustentação da alta. A Suzano anunciou reajustes para outubro de US$ 20 por tonelada na Ásia e US$ 50 nas Américas e na Europa, em um movimento acompanhado pela retomada das compras chinesas para recomposição de estoques.

'Perguntas frequentes'

Por que a Irani prioriza o crescimento orgânico? +

A Irani prioriza o crescimento orgânico para manter o controle sobre as decisões de investimento, os retornos esperados, a tecnologia e a cultura da companhia, segundo o CEO Odivan Cargnin. O executivo afirma que fusões e aquisições continuam no radar e podem fazer sentido em algum momento.

Quanto a Irani investirá na fábrica de Santa Luzia? +

A Irani prevê um investimento bruto de R$ 514 milhões na modernização da fábrica de papel de Santa Luzia, em Minas Gerais. O projeto Gaia XII inclui a reforma da máquina de papel, uma nova caldeira e a revitalização da unidade.

Quando o projeto Gaia XII começará a operar? +

A máquina reformada pelo projeto Gaia XII deve entrar em operação no quarto trimestre de 2028. A previsão divulgada pela Irani é ampliar a capacidade produtiva da fábrica de Santa Luzia em 60%.

Qual foi o resultado da Irani no segundo trimestre de 2026? +
Por que o lucro líquido da Irani caiu no segundo trimestre de 2026? +

O lucro líquido caiu 72,4%, para R$ 30,9 milhões. Segundo a Irani, a queda reflete a menor contribuição da atualização do valor contábil das florestas e a ausência dos créditos tributários de IPI que reforçaram o resultado um ano antes.

Como a taxa de juros afeta os investimentos da Irani? +

A taxa de juros de 13,75% ao ano leva a Irani a ajustar a intensidade dos aportes, mas não interrompe os investimentos, afirma o CEO Odivan Cargnin. Segundo o executivo, a companhia adota uma estrutura de capital leve para enfrentar períodos de maior incerteza.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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