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De saída? A pausa estratégica da HIG Capital após investir US$ 1 bilhão no Brasil

Após esgotar os recursos de seu último fundo, gestora suspende novas plataformas, mantém aquisições para o portfólio e espera a liquidez global melhorar antes de voltar a captar

HIG Capital (Divulgação/Divulgação)
HIG Capital (Divulgação/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 18 de setembro de 2026 às 07:00.

Última atualização em 18 de setembro de 2026 às 11:35.

RESUMO | A HIG Capital pausou a busca por novos investimentos no Brasil após alocar cerca de US$ 1 bilhão no país, apurou o EXAME Insight. Com o fundo de US$ 740 milhões totalmente investido, a gestora manterá apenas aquisições complementares e aguardará uma melhora da liquidez internacional para captar um novo veículo.


A HIG Capital colocou em pausa a busca por novos investimentos no Brasil. Depois de alocar cerca de US$ 1 bilhão em empresas no país, entre recursos de seu último fundo, captado em 2016, e veículos de coinvestimento, a gestora decidiu esperar uma melhora no mercado internacional antes de levantar um novo veículo e voltar às compras, apurou o EXAME Insight.

Não se trata de sair do país. A decisão significa que, por enquanto, a HIG não pretende adquirir novas plataformas. A gestora continua avaliando aquisições complementares para empresas que já fazem parte do portfólio, os chamados add-ons, mas não está colocando capital em novas teses.

A mudança ocorre depois que o último fundo dedicado à estratégia, de US$ 740 milhões, teve seus recursos integralmente investidos. Com coinvestimentos feitos por cotistas da própria HIG, o volume total alocado chegou a aproximadamente US$ 1 bilhão. A última entrada em uma nova plataforma ocorreu no fim de 2024.

Em condições normais, a gestora já estaria no mercado levantando o fundo seguinte. A avaliação dentro da HIG, porém, é que a liquidez internacional para ativos ilíquidos diminuiu a partir de 2022, principalmente para mercados emergentes. Em vez de gastar energia em uma captação neste momento, a casa decidiu concentrar a equipe na geração de valor das empresas que já controla.

Não há, por enquanto, uma data definida para a volta ao mercado. A expectativa é que a janela reabra em algum momento, seguindo a dinâmica de ciclos da indústria de private equity, mas a HIG ainda não identifica sinais concretos de mudança no curto prazo. Uma retomada da captação nos próximos seis meses, por exemplo, é considerada pouco provável.

Quando isso acontecer, a ordem de grandeza tende a continuar elevada. A avaliação da gestora é que uma estratégia com as características da HIG exige um fundo próximo de US$ 1 bilhão para fazer novos investimentos.

Capital estrangeiro

O último fundo teve uma característica importante: todo o capital veio de investidores estrangeiros, principalmente americanos e europeus, além de recursos de investidores asiáticos e do Oriente Médio. A estratégia deve mudar, assim que a HIG voltar ao mercado. A gestora não descarta buscar investidores brasileiros na próxima captação, principalmente entre famílias que ganharam liquidez nos últimos anos. A avaliação, no entanto, é que o mercado doméstico sozinho não tem profundidade suficiente para financiar um veículo do tamanho necessário para sua estratégia.

Na captação anterior, feita em um período de maior liquidez global, o fundo foi levantado em cerca de seis meses. A velocidade da operação acabou reduzindo a necessidade de buscar investidores locais.

Estrutura menor

A pausa nas compras também levou a uma redução da estrutura da HIG no país. A gestora diminuiu a equipe e fechou escritórios regionais que tinham como principal função encontrar novas oportunidades de investimento.

O núcleo da operação continua no Rio de Janeiro e a equipe ainda reúne mais de 30 profissionais, número elevado para uma casa de private equity e necessário, segundo a gestora, para acompanhar de perto as empresas investidas. O movimento é consequência da interrupção temporária da originação de novas plataformas. Quando voltar a captar, o plano é redimensionar novamente a equipe para retomar os investimentos.

A diferença aparece também no funil de negócios. Em 14 anos, a H.I.G. analisou aproximadamente 11 mil oportunidades no Brasil e concluiu 84 aquisições, menos de 1% do universo avaliado. As operações foram agrupadas em 22 plataformas, das quais 11 já foram vendidas.

Um portfólio ainda bilionário

Apesar da pausa, a HIG ainda administra um portfólio relevante no país. Considerando a Desktop, cuja venda já foi acordada com a Claro, a estimativa da gestora é que suas participações somem mais de R$ 15 bilhões. A saída da Desktop deve retirar aproximadamente R$ 4 bilhões dessa conta. Ainda assim, a HIG calcula que continuará com um portfólio superior a R$ 10 bilhões.

Entre os ativos de maior porte estão a Nadir Figueiredo, fabricante de utensílios de vidro controlada integralmente pela gestora; a LG, empresa de software para recursos humanos; a FVO, de alimentos para animais de estimação; e a Ransa, companhia de logística com atuação em países da América Latina. Nenhuma delas está atualmente em processo de venda.

A redução do portfólio nos últimos anos é resultado principalmente dos desinvestimentos sem a entrada de novas plataformas para ocupar o lugar das empresas vendidas. Um dos exemplos foi a Eletromidia, vendida no fim de 2024 em uma transação que avaliou a companhia em cerca de R$ 5 bilhões. A H.I.G. havia investido menos de R$ 100 milhões no negócio.

84 compras em 14 anos

Os números acumulados ajudam a explicar por que a HIG prefere esperar a janela de captação a reduzir o tamanho de sua estratégia. Nas empresas em que investiu, a gestora calcula crescimento médio de aproximadamente 250% no lucro operacional entre a entrada e a venda — ou, para os ativos ainda em carteira, entre a aquisição e hoje.

Considerando apenas as plataformas que já foram vendidas, o retorno médio ficou próximo de quatro vezes o capital investido. O desempenho varia significativamente entre os negócios: houve investimentos com retornos menores, enquanto outros chegaram a aproximadamente dez vezes o capital aplicado.

A estratégia continuará concentrada no middle market, segmento no qual a HIG estima existir mais de 60 mil empresas no Brasil. A tese da gestora é que existe um desequilíbrio estrutural entre a quantidade de companhias que precisam de capital e a oferta disponível para financiá-las.


Por que a HIG Capital pausou novos investimentos no Brasil?

A HIG Capital decidiu esperar uma melhora da liquidez internacional para ativos ilíquidos, especialmente em mercados emergentes, segundo apuração do EXAME Insight. Enquanto isso, a equipe ficará concentrada na geração de valor das empresas do portfólio.

A HIG Capital vai sair do Brasil?

Não. A gestora suspendeu temporariamente a aquisição de novas plataformas, mas continua avaliando compras complementares, os chamados add-ons, para empresas que já controla.

Quanto a HIG Capital investiu no Brasil?

A HIG Capital alocou aproximadamente US$ 1 bilhão no país, considerando o fundo de US$ 740 milhões captado em 2016 e os coinvestimentos realizados por seus cotistas.

Quando a HIG Capital pretende voltar a investir no país?

A HIG Capital ainda não definiu uma data para retomar a captação e a compra de novas plataformas. Segundo a avaliação da gestora, uma retomada nos próximos seis meses é pouco provável.

Qual deve ser o tamanho do próximo fundo da HIG Capital?

O próximo fundo deve ficar próximo de US$ 1 bilhão, segundo a avaliação da HIG Capital. A gestora considera esse porte necessário para manter sua estratégia de investimentos no middle market brasileiro.

Qual é o tamanho do portfólio da HIG Capital no Brasil?

As participações da HIG Capital somam mais de R$ 15 bilhões, segundo estimativa da gestora que ainda inclui a Desktop. Após a venda da empresa para a Claro, o portfólio deve permanecer acima de R$ 10 bilhões.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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