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Quanto vale a Farm Rio? As contas por trás das conversas com investidores

Interlocutores veem espaço para propostas entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões, abaixo da referência inicial de cerca de US$ 1 bilhão

 (Azzas 2154/Divulgação)
(Azzas 2154/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 07:03.

Última atualização em 9 de setembro de 2026 às 10:23.

  • O que aconteceu? A Farm está no centro de uma avaliação de alternativas estratégicas, e interlocutores envolvidos nas discussões consideram que uma proposta entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões pode ser competitiva, ante uma referência inicial de cerca de US$ 1 bilhão.
  • Por que isso importa? A reorganização da Azzas 2154 e a amplitude das avaliações sobre a Farm abrem espaço para diferentes propostas e estruturas em uma eventual transação.
  • E agora? Birman e Jatahy podem permanecer sócios da Farm caso não surja uma proposta que considerem adequada, reduzindo a pressão para concluir uma operação.

A Farm Rio, marca carioca de moda feminina do grupo Azzas 2154, está no centro de um processo de avaliação de alternativas estratégicas que pode resultar na entrada de um investidor ou até na venda da companhia.

O Morgan Stanley, contratado para assessorar o processo, trabalha com uma avaliação da marca em torno de US$ 1 bilhão, segundo pessoas que acompanham as discussões. É sobre esse número que o mercado se divide. Parte dos interlocutores ouvidos pelo EXAME Insight avalia que uma proposta entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões poderia ser competitiva. Outra parte entende que os controladores têm condições de sustentar uma avaliação próxima de US$ 1 bilhão e não precisariam aceitar uma oferta com desconto relevante.

Em avaliação

A Azzas 2154 contratou o Morgan Stanley em junho deste ano para avaliar alternativas estratégicas para a marca. Publicamente, a companhia não anunciou a intenção de vender a Farm e manteve entre as possibilidades diferentes estruturas, como a entrada de um investidor ou uma reorganização societária.

A separação entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy, anunciada na semana passada, acrescentou uma nova variável ao processo. A Farm ficou fora da divisão dos principais ativos da Azzas e continuará tendo os dois empresários como sócios na nova configuração societária.

Desde junho, fundos estrangeiros de private equity analisam a operação, mas não há propostas vinculantes na mesa. O varejo brasileiro também adiciona complexidade à avaliação: é um setor que exige capital e está sujeito aos ciclos de consumo, juros e câmbio.

No caso da Farm, há ainda uma camada adicional. Parte importante da tese de crescimento está na expansão internacional, enquanto uma fatia relevante da receita continua concentrada no Brasil. Para um potencial investidor, a avaliação precisa considerar tanto a operação doméstica quanto os investimentos necessários para sustentar a expansão internacional.

As diferentes avaliações feitas por bancos e casas de análise mostram a amplitude das estimativas sobre o valor da Farm. O J.P. Morgan calculou uma faixa entre US$ 815 milhões e US$ 1 bilhão, enquanto o Citi chegou a aproximadamente US$ 685 milhões. A XP trabalhou com um intervalo ainda maior, de US$ 360 milhões a US$ 900 milhões.

A Farm encerrou 2025 com faturamento de cerca de R$ 3,4 bilhões, dos quais R$ 1,3 bilhão vieram do exterior. Analistas estimam uma margem Ebitda entre 15% e 20%, o que colocaria a geração operacional de caixa entre R$ 510 milhões e R$ 680 milhões.

O preço da negociação

A nova configuração societária também entra nas contas de potenciais investidores. Com a separação dos negócios, Birman e Jatahy continuarão ligados pela Farm. Na estrutura anunciada, a Arezzo&Co, de Birman, ficará com 57,4% da marca, enquanto a Soma, de Jatahy, terá os 42,6% restantes.

Interlocutores envolvidos nas discussões avaliam que esse cenário pode influenciar a dinâmica de uma eventual negociação e abrir espaço para propostas abaixo da referência inicial de US$ 1 bilhão. Do outro lado, os controladores não têm obrigação de aceitar uma oferta e podem permanecer sócios da Farm caso não considerem o preço adequado.

Essa possibilidade ganha respaldo no desempenho e na expansão da marca. Criada em 1997 por Kátia Barros e Marcello Bastos, a Farm respondeu por cerca de 25% da receita bruta da Azzas em 2025. A internacionalização, iniciada em 2019 com a abertura de uma loja em Nova York, ganhou escala e hoje responde por aproximadamente 40% do faturamento da marca.

No Brasil, a Farm tem mais de uma centena de lojas e distribuição por multimarcas. No exterior, está presente em mercados como Estados Unidos, França, Reino Unido, México e Emirados Árabes.

Em nota, a Azzas 2154 nega a informação e afirma que a “avaliação de alternativas estratégicas envolvendo os ativos relacionados à marca Farm Rio é um processo totalmente confidencial”. A companhia diz ainda que “repudia especulações de mercado que podem interferir na condução de eventuais negociações."

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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