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Tecnologia

Anthropic prepara IPO de até US$ 1,75 trilhão e testa apetite de Wall Street por IA

Dona do Claude divulga prospecto para abrir capital ainda em novembro, em meio a dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial

Dario Amodei, CEO da Anthropic  (Getty Images)
Dario Amodei, CEO da Anthropic (Getty Images)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 26 de outubro de 2026 às 11:00.

Última atualização em 26 de outubro de 2026 às 11:05.

RESUMO +

A desenvolvedora de inteligência artificial Anthropic divulgou nesta segunda-feira, 26, o prospecto de seu IPO, que pode avaliar a empresa entre US$ 1,5 trilhão e US$ 1,75 trilhão. A estreia na bolsa deve ocorrer em novembro e testará o apetite de Wall Street por empresas de IA diante das dúvidas sobre gastos bilionários e retornos sustentáveis.

A Anthropic, desenvolvedora do Claude e uma das principais concorrentes da OpenAI, deu o primeiro passo para realizar uma das maiores aberturas de capital da história. A companhia divulgou nesta segunda-feira, 26, o prospecto de sua oferta pública inicial de ações (IPO), em uma operação que pode avaliar o negócio entre US$ 1,5 trilhão e US$ 1,75 trilhão.

A operação será um dos principais testes do apetite de Wall Street por empresas de inteligência artificial. A Anthropic chega ao mercado em um momento de crescente preocupação com o volume de investimentos no setor, cada vez mais financiados por dívida, e com a capacidade das companhias de transformar os gastos bilionários em retornos sustentáveis.

A expectativa é que a estreia na bolsa ocorra depois das eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, e antes do feriado de Ação de Graças, em 26 de novembro. O calendário é considerado importante porque são raras as aberturas de capital entre o feriado e o encerramento do ano. Segundo o Financial Times, a divulgação do prospecto deve reduzir a preocupação de investidores que temiam o fechamento da janela para o IPO.

De US$ 183 bilhões a quase US$ 1 trilhão

A trajetória de valorização da Anthropic ajuda a dimensionar o tamanho da operação. Há pouco mais de um ano, a companhia era avaliada em US$ 183 bilhões. Em maio, sua última rodada de captação atribuiu ao negócio um valor de US$ 965 bilhões.

A expectativa de avaliação para o IPO, porém, já foi maior. Em agosto, alguns dos investidores da Anthropic projetavam que a empresa poderia estrear na bolsa valendo US$ 2 trilhões ou mais. Agora, os acionistas trabalham com uma faixa entre US$ 1,5 trilhão e US$ 1,75 trilhão, reflexo de um ambiente menos favorável para as empresas de tecnologia.

O Nasdaq 100, índice que concentra algumas das maiores companhias do setor, acumula queda superior a 7% em relação ao recorde registrado em 6 de outubro. Bancos como Morgan Stanley e Goldman Sachs participarão da definição do valor da Anthropic, a partir de conversas com investidores nas próximas semanas.

Anthropic ganha terreno sobre a OpenAI

Fundada em 2021 por sete ex-pesquisadores e engenheiros da OpenAI, a Anthropic ganhou espaço no mercado corporativo com o Claude, seu principal produto de inteligência artificial. Os fundadores deixaram a empresa de Sam Altman após divergências sobre a abordagem adotada para a segurança no desenvolvimento da tecnologia.

Neste ano, a Anthropic ultrapassou a OpenAI em receitas e na presença entre clientes empresariais, segundo o Financial Times. A companhia informou recentemente a investidores que sua receita do terceiro trimestre alcançou US$ 16,8 bilhões, crescimento de quase 50% em relação aos três meses anteriores.

O teste para o mercado de IA

O IPO acontece em meio a duas discussões que ganharam força nos Estados Unidos: o retorno financeiro dos investimentos em inteligência artificial e os riscos associados ao desenvolvimento de sistemas cada vez mais avançados.

De um lado, empresas de tecnologia ampliam os gastos com infraestrutura, capacidade computacional e desenvolvimento de modelos. De outro, investidores questionam até que ponto o crescimento das receitas será suficiente para justificar as avaliações bilionárias.

A segurança da tecnologia também permanece no centro do debate. Dario Amodei, CEO da Anthropic, está entre os líderes do setor que já defenderam uma desaceleração das pesquisas para evitar que sistemas avançados de inteligência artificial escapem ao controle humano.

'Perguntas frequentes'

Quanto pode valer a Anthropic em seu IPO? +

A Anthropic pode alcançar uma avaliação entre US$ 1,5 trilhão e US$ 1,75 trilhão em sua abertura de capital. Em maio, a última rodada de captação avaliou a desenvolvedora do Claude em US$ 965 bilhões.

Quando deve ocorrer o IPO da Anthropic? +

A expectativa é que a estreia da Anthropic na bolsa ocorra depois das eleições legislativas dos Estados Unidos, em 3 de novembro, e antes do feriado de Ação de Graças, em 26 de novembro.

Por que o IPO da Anthropic será um teste para o mercado de inteligência artificial? +

O IPO testará o apetite de Wall Street por empresas de inteligência artificial em meio às dúvidas sobre o volume de investimentos no setor, o uso crescente de dívida e a capacidade das companhias de obter retornos sustentáveis.

Como evoluiu a avaliação de mercado da Anthropic? +

A avaliação da Anthropic passou de US$ 183 bilhões há pouco mais de um ano para US$ 965 bilhões na rodada de maio. Em agosto, investidores projetavam um valor de US$ 2 trilhões ou mais no IPO, mas agora trabalham com uma faixa de US$ 1,5 trilhão a US$ 1,75 trilhão.

A Anthropic ultrapassou a OpenAI? +

A Anthropic ultrapassou a desenvolvedora de inteligência artificial OpenAI em receitas e presença entre clientes empresariais neste ano, segundo o Financial Times. A Anthropic informou a investidores que sua receita do terceiro trimestre atingiu US$ 16,8 bilhões, quase 50% acima dos três meses anteriores.

Quem fundou a Anthropic e qual é seu principal produto? +

A Anthropic foi fundada em 2021 por sete ex-pesquisadores e engenheiros da OpenAI, que deixaram a empresa após divergências sobre segurança no desenvolvimento da tecnologia. Seu principal produto é o Claude, sistema de inteligência artificial que ganhou espaço entre clientes corporativos.

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Jornalista com experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pela redação de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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