Com restrições da China, mineradoras de bitcoin iniciam 'migração'

Estados Unidos pode ser um dos principais destinos das mineradores chinesas após cerco do governo local contra a atividade; situação pode impactar uso de energia limpa

A China é, já há alguns anos, o maior polo de mineração de bitcoin do mundo, concentrando cerca de 70% do poder computacional da rede. Em maio, entretanto, o governo chinês decidiu limitar — ou, em algumas regiões, até proibir — a atividade, e agora as empresas de mineração começam a migrar para outras partes do mundo — e o estado americano do Texas pode ser um dos  principais destinos.

Apesar de não produzir um grande excedente energético, o Texas tem energia barata e tem aumentado a produção de energia de fontes renováveis — atualmente, cerca de 20% vêm de usinas eólicas. Além disso, o estado é governado por políticos publicamente favoráveis às criptomoedas e tem um mercado aberto, no qual os consumidores podem escolher o provedor do serviço.

"Vocês verão uma mudança dramática nos próximos meses. Temos políticos como o governador do Texas, Greg Abbott, que está promovendo a mineração. Isso vai se tornar uma indústria real nos Estados Unidos, e isso vai ser incrível", disse o ex-engenheiro de segurança da corretora cripto Gemini, em entrevista à CNBC.

As maiores mineradoras de bitcoin do mundo ocupavam, historicamente, as regiões de Xinjiang, Mongólia Interior, Sichuan e Yunnan — as duas últimas são grandes produtoras de energia limpa por suas hidrelétricas, enquanto as duas primeiras utilizam principalmente termelétricas.

No caso da Mongólia Interior, a briga contra os mineradores começou depois que a região falhou em atingir as metas do governo em relação ao clima. Como consomem muita energia e esta é produzida a partir de combustíveis fósseis, as mineradoras foram apontadas como culpadas e o governo deu dois meses para as empresas se retirarem da região.

As outras regiões devem fazer o mesmo — relatos já indicam movimento semelhante em Sichuan —, e diversas empresas já estão se antecipando e deixando o país. "Não queremos enfrentar, ano após ano, algum tipo de proibição vindo da China. Então, estamos tentando diversificar o nosso poder computacional de mineração, por isso estamos mudando para os Estados Unidos e para o Canadá", disse Alejandro de la Torre, vice-presidente da mineradora Poolin.

Depois que Elon Musk anunciou que a Tesla deixaria de aceitar bitcoin devido ao impacto ambiental causado pela mineração, o assunto ganhou atenção, em especial o bitcoin minerado com energia produzida da queima de carvão por termelétricas chinesas. Para o especialista em criptomoedas Nic Carter, entretanto, sair da China pode não ser a solução: "Da perspectiva da narrativa, é definitivamente um ganho. Mas a china também tem os recursos hídricos ociosos mais abundantes do mundo".

A China, apesar do intenso uso das termelétricas, também é uma das maiores produtoras de energia limpa do mundo. Por isso, ainda é difícil afirmar se, caso as mineradoras realmente saiam do país, a situação para os entusiastas do bitcoin vai melhorar — se de um lado haverá menos bitcoin minerado a partir da queima de carvão, do outro também diminuirá a proporção de uso de energias renováveis pela rede.

A "migração" das mineradoras de bitcoin, que movimentam cifras bilionárias todos os meses, também pode favorecer o desenvolvimento de geradoras de energia limpa, interessadas em vender para essas empresas gigantes. Por enquanto, no entanto, a discussão está no campo da especulação.

Além dos Estados Unidos e do Canadá, que já têm participação relevante no mercado de mineração de bitcoin, outros países como o Cazaquistão e El Salvador também podem se tornar polos relevantes do setor. No caso do país centroamericano, que recentemente aprovou lei para tornar o bitcoin uma moeda de curso legal no país, o presidente Nayib Bukele afirmou que pretende oferecer as geotérmicas do país — que produzem energia a partir do vapor dos vulcões — para atrair mineradores de outras regiões.

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