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Com restrição à mineração na China, consumo energético do bitcoin despenca

Encerramento das atividades de grandes mineradoras diminuem drasticamente o consumo energético do bitcoin e causam lentidão nas transações na rede

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 (adventtr/Getty Images)

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Lucas Josa

Publicado em 29 de junho de 2021 às, 10h53.

Após o banimento das atividades ligadas à mineração de bitcoin e outras criptomoedas na China, grandes mineradoras iniciaram um processo de migração para outros locais do mundo, desativando suas máquinas em território chinês, colaborando para uma redução de mais de 50% no consumo energético do bitcoin.

De acordo com o Índice de Consumo de Eletricidade do Bitcoin desenvolvido pela Universidade de Cambridge, atualmente, após a queda das mineradoras na China, o funcionamento do bitcoin consome aproximadamente 68 TWh de eletricidade por ano, 52% menor do que o registro em 10 de maio, quando o consumo atingiu 141 TWh, o maior valor já registrado na história do bitcoin.

Controlando quase dois terços de todo o poder de mineração de bitcoin do mundo, a China sofreu uma forte queda no setor ao longo de 2021. No fim de fevereiro, a Mongólia Interior, região autônoma no norte da China, anunciou um plano para reduzir seu consumo energético, ressaltando a necessidade de fechar as mineradoras de bitcoin na região, que eram responsáveis por altos índices de consumo.

Em abril, a proibição de atividades ligadas à mineração na Mongólia Interior começou a entrar em ação, sendo seguida pelos governos de Xinjiang, Qinghai, Yunnan e Sichuan, que também ordenaram o encerramento das atividades de grandes mineradoras em suas províncias ao longo de maio e junho.

Na prática, o encerramento das atividades de mineração na China é responsável por uma grande diminuição do impacto ambiental causado pelo consumo energético do bitcoin, que têm sido amplamente discutido nos últimos meses. Em maio, quando o consumo energético atingiu o seu ápice, a pegada de carbono do bitcoin era equivalente ao consumo energético de 9 milhões de residências ao longo de um ano, agora, após o banimento da mineração na China, a pegada de carbono será menor, principalmente pelo fato de que algumas mineradoras situadas em território chinês dependiam da energia proveniente de combustíveis fósseis, como o carvão mineral.

Em contrapartida, levando em consideração que a China era responsável por mais da metade do poder computacional aplicado à rede do bitcoin, com o encerramento das atividades de grandes mineradoras no país, o hashrate despencou para níveis que não eram vistos desde 2019, aumentando o tempo de extração dos blocos de dados, fazendo com que as transações demorem um pouco mais do que nos momentos em que o poder computacional estava no seu ápice.

Considerando o aumento das discussões sobre o gasto energético da mineração e quais são as fontes de energia utilizadas, é possível que a redução no impacto ambiental gerada pelo banimento da mineração na China seja duradoura.

Além do aumento das proibições na China, desde o início do ano, os mineradores têm lidado com uma forte pressão do mercado em relação às fontes energéticas utilizadas para manter os equipamentos funcionando. Tendo isso em vista, as principais mineradoras situadas no país começaram a procurar novas localidades para suas instalações, iniciando um processo de migração para locais que, além de energia barata e uma regulação favorável à atividade, possuam uma matriz energética que cause menos impacto ao meio ambiente.

 

 

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