Bitcoin valorizou 370% desde que Buffett o chamou de "veneno de rato"

Desde que foi atacada pelo maior investidor de todos os tempos, a maior criptomoeda do mundo teve valorização de mais de 300%, contra 62% das ações da Berkshire Hathaway
Na semana em que Buffett chamou o ativo digital de “veneno de rato ao quadrado”, em 2018, seu preço era de US$ 9,768, perto de 25% do valor atual (Christopher Goodney/Bloomberg via/Getty Images)
Na semana em que Buffett chamou o ativo digital de “veneno de rato ao quadrado”, em 2018, seu preço era de US$ 9,768, perto de 25% do valor atual (Christopher Goodney/Bloomberg via/Getty Images)
Por Gabriel MarquesPublicado em 02/05/2022 15:12 | Última atualização em 02/05/2022 15:32Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O lendário investidor Warren Buffet, hoje com 90 anos de idade, voltou a comentar durante o último final de semana sobre seu desprezo pelos criptoativos, em especial pelo bitcoin (BTC). Buffett voltou a dizer que não compraria todos os bitcoins do mundo nem por US$ 25, já que na visão dele, não existe nenhum valor no ativo. Curiosamente, desde a primeira vez em que o “Oráculo de Omaha” chamou a criptomeda de “veneno de rato ao quadrado” na convenção de acionistas da sua empresa, o preço da moeda digital subiu quase 370%.

Durante a famosa conferência para investidores da Berkshire Hathaway, feita anualmente na cidade de Omaha nos EUA, Buffett e seu sócio Charlie Munger explicaram com maior clareza porquê não acreditam no valor dos ativos digitais. “Se você me dissesse que tem todo o bitcoin do mundo e me oferecesse por US$ 25, eu não aceitaria. O que eu faria com isso?”, disse ele, explicando que preferiria comprar terras ou apartamentos. Segundo ele, a maior criptomoeda do mundo não vale nada, já que também não produz nada, e seu investidores esperam que exista outra pessoa disposta a pagar mais pelo ativo.

(Mynt/Divulgação)

“Tem uma mágica nisso, mas as pessoas colocam mágica em muitas coisas”, completou enquanto comparava o BTC com uma empresa de seguros se vendendo como de tecnologia. Grande parte fortuna de Buffet, gerada através das empresas investidas pela Berkshire, veio de seguradoras.

Charlie Munger, seu sócio há mais de 60 anos, foi mais duro: “na minha vida, tento evitar coisas que são estúpidas, do mal e que me fazem parecer ruim em comparação com outras pessoas. O bitcoin é os três”, disse o investidor de 98 anos. De acordo com ele, o BTC é estúpido porque não valerá nada no futuro, do mal já que diminui a integridade e estabilidade da economia norte-americana, e faz os EUA parecerem idiotas após a China ter banido a moeda digital.

Segundo dados do TradingView, na semana em que Buffett chamou o ativo de “veneno de rato ao quadrado”, 5 de maio 2018, seu preço era de US$ 9,768. Quando comparado a cotação atual de US$ 38.539, existe uma valorização de 369,49%. Para efeito de comparação, as ações da Berkshire Hathway tiveram valorização de 62,17% no mesmo período.

A dupla Buffett e Munger é conhecida por seus ganhos expressivos e pela capacidade de superar o S&P 500 (índice das 500 maiores empresas do mundo) ano após ano. Desde que foi comprada pelo investidor e transformada em seu veículo de investimentos, em 1965, a Berkshire deu um retorno de 3.641.613% para seus acionistas, segundo o Yahoo Finance. Somente nos últimos 5 anos, o BTC rendeu 1.281% para seus investidores, chegando a 2.400% em sua máxima histórica.

No início desse ano, Munger declarou seu desprezo por outra classe de criptoativos, as CBDCs. Na conferência de investidores do Daily Journal, realizada em fevereiro, o investidor disse: “Não precisamos de uma moeda digital, já temos uma: se chama conta bancária”. Apesar disso, ressaltou que “já é velho” e, por isso, “pode escolher onde investir” — e a idade avançada justifica, em partes, sua aversão à novas tecnologias.

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