O negócio não existe no longo prazo se não tiver água para distribuir, diz CEO da BRK Ambiental

Evento promovido pelo Pacto Global da ONU no Brasil discutiu resiliência hídrica e adaptação climática, e líderes de diferentes segmentos mostram como as mudanças climáticas, e seu impacto na água, afetam suas operações
Teresa Vernaglia, CEO da BRK em evento do Pacto Global da ONU no Brasil na COP27 (Leandro Fonseca/Exame)
Teresa Vernaglia, CEO da BRK em evento do Pacto Global da ONU no Brasil na COP27 (Leandro Fonseca/Exame)
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Renata FaberPublicado em 16/11/2022 às 10:40.

De Sharm el-Sheikh

A agenda oficial da COP27 é intensa e interessante, mas sempre encontramos tempo para os side events, que são os eventos paralelos, fora da área principal da COP, onde as discussões são igualmente profundas e provocativas. Esta semana o Pacto Global da ONU do Brasil reuniu lideranças brasileiras e internacionais no evento “Business & Climate Ambition”, abordando diversos temas ambientais e sociais relacionados às mudanças climáticas, e o papel do setor privado nessa agenda.

O painel “Resiliência Hídrica e Adaptação Climática”, moderado por Cheryl Hicks, discutiu como as mudanças climáticas afetam as águas, e como rios e oceanos têm um papel fundamental na preservação do clima. Cheryl é senior advisor do programa CEO Water Mandate, uma iniciativa do Pacto Global que busca mobilizar líderes empresariais para discutir e traçar estratégias para preservação das águas.

André Ferretti, gerente sênior de economia da biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, iniciou o painel falando sobre a importância da adaptação às mudanças climáticas, uma adaptação que precisa ser local, pois cada comunidade tem suas vulnerabilidades e é impactada de forma diferente. Na Bacia Hidrográfica de São José dos Pinhais, onde foi fundada a primeira fábrica do Grupo Boticário, a Fundação trabalha segurança hídrica e segurança alimentar.

David Canassa, diretor executivo da Reservas Votorantim, contou que a relação do grupo com a água começou em 1940. Na ocasião, o Grupo Votorantim decidiu produzir alumínio – operação que deu início à CBA -, mas percebeu que não tinha energia suficiente. Foi então que resolveram construir sua própria usina hidrelétrica, e decidiram preservar as áreas florestais no entorno do rio. Canassa reforçou a importância da floresta na produção de água, e também o trabalho que a Reservas Votorantim faz junto com as comunidades para que não poluam os rios. “Floresta e biodiversidade são assuntos que precisam ser trabalhados juntos, e a água se insere nesse contexto, pois a floresta produz água”, concluiu.

Teresa Vernaglia, CEO da BRK Ambiental, explicou mais sobre a relação entre água e florestas, e sua importância para a economia. Para ela, “o clima tem tudo a ver com o ciclo hidrológico, e o ciclo hidrológico tem a ver com o clima”. Para exemplificar, Vernaglia citou o exemplo dos rios voadores – massas de ar carregadas com o vapor da água, que saem da Amazônia e afetam as chuvas no país como um todo. Água é o principal insumo da BRK, e Tereza já vê o impacto da infraestrutura em função das mudanças climáticas. “O meu negócio não existe no longo prazo se não tiver água para distribuir”, explicou Teresa, que também citou a importância de combatermos as perdas – segundo ela, ao redor de 50% da água é perdida em função de vazamentos.

Para Cristiano Teixeira, CEO da Klabin, a água é importante para a produtividade das florestas, e o uso irresponsável ou a ignorância deixou muitas áreas degradadas no Brasil. A água também tem um papel socioeconômico importante, afetando o trabalho de vários pequenos produtores agrícolas no Brasil. Entendendo seu papel social e buscando exercê-lo, “antes de plantar uma floresta, conversamos com os pequenos produtores ao redor para entender o que eles plantam e sua necessidade de água, e isso irá definir a densidade das florestas da Klabin”, explica Teixeira.