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Equidade de gênero entre cientistas da P&G reflete cultura e desenvolvimento da companhia

EXAME visitou centro de inovação da P&G na América Latina, onde 56% das cientistas ocupam cargos de liderança. O indicador é importante para considerar a diversidade dos clientes e chegar na casa de 9 a cada 10 brasileiros

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Cientistas da P&G no Centro de Inovação para a América Latina (Leo Orestes/Reprodução)

Cientistas da P&G no Centro de Inovação para a América Latina (Leo Orestes/Reprodução)

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Marina Filippe

Publicado em 7 de fevereiro de 2023, 11h38.

Última atualização em 7 de fevereiro de 2023, 12h38.

Quem chega ao centro de inovação da fabricante de bens de consumo P&G, em Louveira, a 70 quilômetros de São Paulo capital, encontra um espaço marcado pela equidade de gênero. Lá, 58% dos cientistas são mulheres, e 56% dessas cientistas ocupam cargos de liderança. O dado é relevante quando comparado com o cenário mundial, no qual cerca de 30% das cientistas são mulheres, de acordo com a Unesco.

"A P&G foi uma das pioneiras em empregar mulheres na linha de produção das fábricas em 1884, há quase 140 anos. Em 1890 a P&G abriu seu primeiro laboratório de pesquisa, e nele a companhia teve a primeira mulher em um cargo técnico. Já em 1926 foi contratada a primeira mulher PhD, a Elsa Schulze. Ela se tornou líder do próprio departamento e foi responsável por contratar mais 37 cientistas químicas. E foi uma mulher, Norma Becker, uma das responsáveis pela criação das fraldas Pampers. Becker co-liderou o trabalho de desenvolvimento da primeira fralda descartável acessível que chegou ao mercado em 1961", diz Cinthia Oliveira, gerente sênior de comunicação na P&G.

O centro de inovação

No centro de inovação fundado em 2019, funcionários da companhia realizam, por exemplo, testes com os consumidores. Próximo à recepção, há um espaço que simula um apartamento, no qual pessoas convidadas realizam ações como escovar os dentes, lavar as roupas e outras tarefas domésticas. Tudo isto enquanto a equipe da P&G observa as reações e formas de uso do item. "Aqui também consideramos, por exemplo, o formato do produto para pessoas com alguma deficiência motora ou baixa visão", diz Rosine Amstalden, cientista associada de pesquisa de consumidor multicategorias.

Há também um espaço onde são desenvolvidos os produtos de cuidados com o bebê e cuidados femininos, como fraldas e absorventes. Ali, as cientistas utilizam equipamentos para simular caminhadas e corridas de mulheres e bebês, além dos tipos de cola nos produtos e mais. Segundo Amanda Urdaneta, cientista sênior na área de cuidados com o bebê, a P&G utiliza o espaço também para pesquisa de materiais mais inovadores e sustentáveis. "Estamos constantemente registrando novas patentes e olhando para insumos que utilizem menos matéria-prima, por exemplo. Nos últimos seis anos houve uma redução de 15% no uso de matérias-primas", afirma.

Além disto, é importante ressaltar que as equipes são formadas por homens e mulheres, mesmo quando para o desenvolvimento de produtos femininos. "Somos cientistas e trabalhamos com base nos dados e fatos. Então, nossas percepções pessoais, como mulheres, podem ser testadas, mas não o resultado final. Por isto, os homens também são essenciais para o desenvolvimento de produtos", diz Camila Ribeiro, cientista associada na área de cuidados femininos, que se mudou da Venezuela para trabalhar no centro de inovação no Brasil.

Ter funcionários de outros países é bastante comum na P&G, especialmente no centro de inovação, visto que a operação é para toda a América Latina. Outro exemplo de quem construiu carreira na empresa e se mudou para o interior de São Paulo é da Leyla de la Hoz, cientista sênior na área de cuidados com a saúde bucal. A dentista, nascida no México, está há onze anos na companhia. "É muito bom trabalhar com um time diverso. Ainda mais em um setor importante para o brasileiro, como o da higiene bucal. Olhar para esse público e buscar opções para todos, inclusive em termos de acessibilidade", afirma.

Quem também está há onze anos na companhia é a venezuelana Virginia Ramirez, cientista sênior na área de cuidados com o tecido e com o lar. "Nesta sala temos máquinas de lavar de modelos usado em toda a América Latina. Isto é um exemplo de como consideramos a diversidade dos países e das pessoas. Pois, os produtos são desenvolvidos para alcançar praticamente todos os lares brasileiros", afirma.

Iniciativas e benefícios da P&G para a equidade de gênero 

A diversidade e inclusão na P&G vai além da presença de mulheres, acima da média, no centro de inovação. Pensando nisto, a empresa tem iniciativas como até 8 semanas de licença paternidade remunerada dentro de um período de até 18 meses a partir da data de nascimento ou adoção. "A licença parental dá a oportunidade para que o cuidado com a criança seja proporcionado por ambos os pais, complementando o suporte dado na licença maternidade de 6 meses. Essa mudança altera o paradigma de que o cuidado é uma responsabilidade associada à mãe, e passa a ser uma responsabilidade sem viés de gênero, beneficiando a família como um todo", diz Cinthia.

Além disso, todos os funcionários têm o direito à adoção da “Licença Pessoal Não Remunerada”, por um período de até seis meses de licença não remunerada ou a “Jornada parcial de trabalho”, em que o colaborador trabalha meio período, com redução salarial, para atender a interesses pessoais como educação, família, problemas pessoais, entre outros.

A companhia também é participante do Movimento Mulher 360, buscando sempre benchmarkings de melhores práticas no mercado, compartilhando também os projetos proprietários da companhia como o MARC (Men Advocating Real Change), um programa, em parceria com a ONG Catalyst, que envolve os homens como parceiros integrais para alcançar a igualdade de gênero, além de levantar a discussão entre homens e mulheres sobre o sexismo no ambiente de trabalho.

"As marcas da P&G estão presentes em nove a cada dez lares brasileiros. Precisamos pensar na diversidade do consumidor, mas refletir isto em ações para os funcionários da companhia", finaliza Cinthia.