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Economia circular: Como o Grupo Heineken busca ampliar a reciclagem das embalagens de vidro

Apenas 24% das embalagens de vidro são recicladas no Brasil, mas o Grupo Heineken tem uma meta de reciclar 100% das garrafas vendidas nos bares e restaurantes. Em entrevista à EXAME, diretora de sustentabilidade, explica iniciativas com comércios, consumidores, catadores e indústrias

Empresa Massfix que faz a trituração do vidro de embalagens Heineken (Massfix/Grupo Heineken/Divulgação)

Empresa Massfix que faz a trituração do vidro de embalagens Heineken (Massfix/Grupo Heineken/Divulgação)

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Marina Filippe

Publicado em 20 de janeiro de 2023, 06h04.

Circularidade das embalagens é parte da estratégia global do Grupo Heineken. O objetivo é, até 2025, ser 100% circular no on trade -- o canal de bares e restaurantes, onde há o maior volume de vendas do grupo. Para isto, uma série de iniciativas têm sido adotadas, em especial para a reciclagem do vidro, um material desafiador em toda a cadeia de bebidas.

"Hoje 60% do portfólio de embalagens é retornável. E 80% do que ainda não é retornável é vidro, sendo que grande parte deste volume é da marca Heineken e da estratégia do segmento premium. O desafio do grupo é influenciar a inovação para que as embalagens sejam recicladas", diz Ornella Vilardo, diretora de sustentabilidade do Grupo Heineken, em entrevista à EXAME.

Um caminho para a atingir o objetivo de reciclagem é a destinação dos vidros com uso do sistema próprio do grupo. "Em 2022, com o programa Volte Sempre, usamos a estrutura da fábrica em Itu (SP) para capturar embalagens descartadas por bares e restaurantes da região", afirma Ornella. Na prática, o caminhão volta do estabelecimento para a fábrica com as garrafas vazias, que são quebradas propositalmente para ser insumo na cadeia. Com a iniciativa, 85% dos clientes participantes do projeto piloto ficaram mais satisfeitos.

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Agora, o Grupo Heineken desenvolve um sistema para que o cliente indique quantas garrafas estão disponíveis para o retorno. A otimização permitirá a expansão do projetos para outras regiões com centros de distribuição: até o final do ano, o projeto será expandido a quatro centros de distribuição: Benevides (PA), Goiânia (GO), Recife (CE), Curitiba (PR) e Igrejinha (RS). Isto significa o retorno de mil toneladas de vidro às vidraçarias parceiras.  

Apesar de 90% do volume de garrafas entregues terem retornado para a Heineken, alguns desafios foram percebidos, como espaço para guardar os objetos até a retirada. Para solucionar a demanda, foi realizada uma parceria com a fabricante de garrafas Owens-Illinois, com máquinas que trituram o vidro e o despeja em uma espécie de "bomba".

"O cliente não precisa manusear o lixo, não tem custo de saco plástico, não ocupa grandes espaços com o armazenamento das garrafas e nos ajuda no desafio da circularidade", afirma Ornella. O plano de expansão prevê 143 máquinas até abril de 2023, e 800 máquinas até 2025.

Para aproximar o consumidor desta iniciativa, no Rock in Rio de 2022, 5 máquinas foram disponibilizadas em bares e restaurantes no entorno da Cidade do Rock, resultado em 70% do volume de vidros coletados na região fora do evento.

Consumidores

Ter circularidade em todas as embalagens da companhia, passa também pela mudança de comportamento do consumidor. Pensando nisto, em 2017, o Grupo Heineken investiu na startup SO+MA, ocasionando em um projeto em Salvador (Bahia). "Salvador não tem coleta seletiva. Esta é uma parceria público-privada com 12 espaços do município que recebem o resíduo, enquanto o consumidor troca o item por pontos, produtos e serviços".

Também para fortalecer a relação com o consumidor, o Grupo realiza o programa Volte Sempre, com máquinas em condomínios residenciais e lojas do varejo para que os resíduos sejam trocados por descontos no portfólio da Heineken. Atualmente, há máquinas apenas em Belo Horizonte, mas a expansão para este ano prevê mais dez cidades. "Até meados de fevereiro a intenção é termos 45 máquinas ativas, e chegar a 123 máquinas até o final de 2023". Segundo a executiva, apesar da iniciativa ter começado em 2019, a pandemia da covid-19 atrasou a expansão. 

Cooperativas

É inegável que o vidro precisa ser mais atraente para o catador e para as cooperativas. Hoje, enquanto, 98% das latas são recicladas no Brasil, apenas 24% das emabalagens de vidro passam pelo mesmo processo por motivos como dimensão, peso e preço da venda. Por isto, é essencial que os coletores sejam apoiados. "Trabalhamos com mais de 270 cooperativas em todo o Brasil por meio de vários programadas. As cooperativas são um grande eixo de atuação, inclusive em locais com logística crítica", afirma a executiva.

Além disto, em dezembro, por meio do Instituto Heineken, foi anunciada uma parceria com a ANCAT (Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis) para oferecer atendimento por psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, nutricionistas e orientadores de políticas públicas, entre outros profissionais e serviços, promovendo mais qualidade de vida aos catadores da cidade de São Paulo.

"Apesar do desafio, estamos comprometidos em acelerar toda essa agenda e contribuir cada vez mais, não apenas para a conscientização e engajamento da população, mas, principalmente, para o avanço de soluções na indústria, fomentando estudos, iniciativas próprias ou em parcerias com agentes estratégicos.”, finaliza Ornella.