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Breton expande lojas pelo Brasil com aposta em sustentabilidade: uma árvore por móvel vendido

Empresa paulista de alto padrão é carbono negativa e aposta na circularidade e reflorestamento para reduzir seu impacto: "Vamos sempre contar boas histórias em novas casas", diz diretora à EXAME

Peças de mobiliário de alto padrão da Breton, marca com quase seis décadas de história em São Paulo (Divulgação)

Peças de mobiliário de alto padrão da Breton, marca com quase seis décadas de história em São Paulo (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 12 de agosto de 2026 às 15h30.

Última atualização em 13 de agosto de 2026 às 15h03.

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Fundada há quase seis décadas em São Paulo, a Breton nasceu com sustentabilidade a partir de uma preocupação simples: o que fazer com o lixo deixado na casa do cliente? 

Muito antes da agenda se tornar estratégica para a empresa, a fabricante de mobiliário de alto padrão já recolhia as embalagens usadas nas entregas, levava o material de volta para a fábrica e o reutilizava ao máximo. Quando não era mais possível reaproveitar, o destino era a reciclagem.

“O ESG aconteceu de uma forma natural, nunca fizemos porque estava na moda. É algo que veio da nossa família lá atrás",  afirmou à EXAME, Fabiana Feferbaum, diretora de Gente, Gestão e Sustentabilidade da Breton.

A lógica de não descartar, que começou pela embalagem, hoje se estende ao próprio móvel. Por meio do Breton Circular, a marca conecta clientes que querem vender peças usadas e em bom estado para novos compradores, dando uma segunda vida aos produtos.

"O nosso móvel continua contando histórias na casa de outra pessoa", resume Giselle Rivkind, diretora de Marketing e Relacionamento, também na entrevista.

O compromisso atravessou gerações e ganhou uma estrutura mais ampla ao longo dos anos. Hoje, sob o comando do CEO André Rivkind, a sustentabilidade é um dos três pilares que orientam a marca, ao lado de família e design brasileiro.

"Acreditamos muito no talento e na matéria-prima que temos no Brasil, por isso fazemos questão de trabalhar só com produtos e mão de obra criativa locais", explicou Fabiana.

Em 2016, a empresa criou o EcoBreton, programa que passou a englobar e medir as iniciativas ambientais. 

Dez anos depois, a agenda de expansão acompanha o bom momento do negócio. A Breton tem atualmente 22 lojas no Brasil, incluindo a de João Pessoa, aberta em junho, e deve fechar o ano com 23 unidades, com a inauguração da loja de Goiânia prevista para quinta-feira, dia 13.

E a cada pedido fechado, independentemente do tamanho da compra, a Breton planta uma árvore na Mata Atlântica em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica.

A escolha pelo bioma não foi aleatória: ele é um dos mais devastados do país e passa por diferentes estados brasileiros. A união com a ONG busca contribuir para a recuperação de áreas e para a conexão de fragmentos de floresta, formando corredores ecológicos que permitam a circulação da fauna e da flora.

Desde 2016, foram 45 mil mudas nativas plantadas, o equivalente a cerca de 50 campos de futebol.

O plantio é a parte mais visível de uma estratégia que também envolve mensurar as emissões e, desde 2020, compensá-las. Em 2022, avançou e se tornou empresa carbono negativo, mantendo esse título pioneiro no mundo por anos consecutivos.

Entre as ações estão o uso de madeira de reflorestamento e outras matérias-primas sustentáveis, a gestão e reciclagem de resíduos e iniciativas de logística reversa.

Para Giselle, a ambição é que a agenda ultrapasse os limites da própria companhia. "Não queremos ser a única carbono negativo no mundo, queremos todas. É um movimento para inspirar, não só o setor", destacou.

Primeira empresa B do setor

Em 2026, a trajetória ganhou outro marco: a Breton se tornou a primeira do setor a conquistar a certificação de Empresa B, que avalia negócios que aliam lucro com impacto positivo.

Para as executivas, a conquista amplia a cobrança sobre os próximos passos.  

“É um compromisso vivo que muda a forma como a gente decide, produz e se relaciona. O mais importante é ver essa visão se espalhando: quando colaboradores e parceiros passam a levar esse olhar para fora, é quando o impacto realmente ganha escala”, afirmou Fabiana.

No pilar social, o destaque é a diversidade: as mulheres representam entre 70% e 80% dos cargos de liderança e ocupam todas posições de gerência nas lojas.

Da origem ao pós-venda

A preocupação ambiental também passou a alcançar o fim da vida útil dos produtos. Criado a partir de uma demanda identificada pela própria equipe de vendas, o Breton Circular surgiu quando clientes que queriam trocar seus móveis passaram a perguntar o que fazer com as peças antigas.

Em vez de simplesmente doar um sofá ou outro móvel de alto valor, o cliente pode colocá-lo novamente no mercado por meio do programa. Uma equipe especializada avalia a peça presencialmente, faz o ensaio fotográfico e publica o produto nos canais oficiais.

Quem vende paga uma taxa administrativa de 25% e recebe um cashback de 10%, válido por até seis meses para compras nas lojas de São Paulo e Rio de Janeiro, segundo a marca.

A proposta é prolongar a vida útil dos móveis e criar um mercado secundário para peças que ainda estão em boas condições. As embalagens utilizadas no processo também entram na lógica circular: cantoneiras, parafusos, plásticos e outros materiais retornam à fábrica após a entrega e são reutilizados e reciclados.

A iniciativa também conversa com uma característica do próprio modelo de negócio: a fabricação sob medida. Os móveis podem ser personalizados em dimensões, tecidos e acabamentos, e a empresa combina processos industriais com trabalho artesanal na fábrica de Diadema, na Grande São Paulo.

Expansão e novos negócios

A expansão da rede ocorre paralelamente a uma estratégia de diversificação. Representante da terceira geração da família, André Rivkind busca ampliar a atuação da Breton para além do varejo de mobiliário e posicioná-la como uma marca de lifestyle.

Em 2026, a empresa apostou na estratégia de naming right, no segmento gastronômico, com o restaurante pop up do Vista, chamado Biomas Breton, no Parque do Ibirapuera.

Até o fim do ano, a Breton também estreia no segmento imobiliário com o lançamento do Marino by Breton, na Barra da Tijuca.

O empreendimento, desenvolvido pela Avanço Realizações Imobiliárias, tem potencial de faturamento estimado em R$ 250 milhões e será lançado em um momento de forte expansão global de empreendimentos residenciais associados a marcas.

O crescimento aumenta também o desafio de manter uma estratégia ambiental que não fique restrita à fábrica ou às lojas próprias. Para a Breton, o compromisso precisa acompanhar a escala da operação.

“Não somos perfeitos, é uma jornada, e ainda há muito para conquistar. Não há linha de chegada”, conclui Fabiana.

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