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Tragédia Yanomami mobiliza estudantes de São Paulo

Doações são levadas pela FAB para aldeias na Amazônia. Governo precisa atuar diante das crescentes denúncias de desrespeito ao povo indígena

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Mortes e desnutrição de crianças e adultos Yanomamis mobilizam estudantes paulistas por doações (Andressa Anholete/Getty Images)

Mortes e desnutrição de crianças e adultos Yanomamis mobilizam estudantes paulistas por doações (Andressa Anholete/Getty Images)

Depois de imagens de crianças Yanomami desnutridas e doentes percorrerem o mundo, o governo, ONGs (Organizações Não Governamentais) e até mesmo estudantes de São Paulo se mobilizaram para ajudar o povo indígena. Um dos desafios do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é salvar vidas e reverter rapidamente a situação, antes que as denúncias crescentes de desrespeito e destruição na Amazônia impactem ainda mais a imagem do Brasil.

As notícias de adoecimento e mortes por malária e desnutrição de adultos e crianças nas aldeias Yanomami em Surucucu escandalizaram o Brasil e o mundo. Uma situação que se arrasta há anos, agravada pelo aumento da presença de 20 mil garimpeiros ilegais, que levam doenças, poluem rios, desmatam florestas e desequilibram o bioma do qual dependem os povos originais que vivem da caça e pesca.

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O problema, denunciado continuamente por ONGs e autoridades de saúde regionais, principalmente em 2022, ganhou as manchetes depois da posse de Lula em janeiro. O socorro médico e providências para retirar os garimpeiros da região estão em andamento. Mas ainda há muito o que fazer e não apenas pelos governos. A compreensão do drama pela população e a solidariedade são essenciais.

Crowdfunding de jovens do ensino médio

As reportagens sobre a tragédia chocaram as irmãs Carolina, de 17 anos, Julia, 16, Manuela, 13, e Catarina, de 6 anos, em São Paulo. Elas concluíram que era urgente tomar alguma atitude e conseguiram a adesão dos colegas de escola para angariar doações. Em uma semana, juntaram recursos para adquirir 200 redes de dormir, 200 cobertores e 200 kits de higiene, já entregues pela FAB (Força Aérea Brasileira) nos postos avançados na terra Yanomami.

Depois conseguiram o suficiente para mais 1.000 kits individualizados de higiene para adultos e crianças. A campanha encaminha o dinheiro para a ONG Ação Cidadania - Comitê Roraima, que compra o material no comércio de Boa Vista para facilitar a logística.

Mais de 1.000 peças de roupas para crianças, doadas em São Paulo, vão para Boa Vista levadas pela Cruz Vermelha, que também está na força-tarefa junto com a Ação Cidadania. O próximo passo é conseguir medicamentos que estão em falta na Casai (Casa de Saúde Yanomami) de Roraima.

One Goal

A mobilização para ações sociais surgiu na família dos jovens em 2020, em plena pandemia de Covid-19, quando parte do país e do mundo estava confinada em casa. Das conversas das meninas, junto com o irmão Felipe, que estuda fora do Brasil, e Carlos Eduardo, namorado de Carolina, nasceu a One Goal (uma meta, em inglês). Incentivados pelos pais Samantha Muller e André Schwartz, empresário do mercado financeiro, optaram por ações periódicas. O objetivo inicial foi tomar atitudes práticas para ajudar famílias carentes mais afetadas pela crise.

O trabalho evoluiu. As metas mensais incluíram, entre outras iniciativas, incentivar doações para desabrigados das chuvas em Petrópolis (RJ), levantar fundos para estudantes fazerem cursos no exterior e patrocinar festas de páscoa e natal em ONGs que atendem crianças e idosos, como Tucca e Mão Amiga.

De 2020 a 2022, contando com parcerias institucionais e apoio de celebridades, os jovens levantaram mais de R$ 1 milhão. As irmãs desenvolveram o próprio networking. “Sempre tem alguém que conhece alguém", diz Julia.

A Women Invest, movimento de mulheres investidoras, convidou a One Goal e outras cinco ONGs para o congresso realizado em setembro do ano passado. A participação inspirou as investidoras a criar a WI Social, o braço de ações sociais que será lançado em 8 de março.

“Where there's a will, there's a way!” (quando há vontade, há um caminho), costuma dizer Carolina para expressar a admiração pelos resultados do trabalho. “É impressionante o impacto que uma ação aqui, geograficamente tão longe, pode causar lá no meio da floresta. É só começar. As pessoas estão dispostas a ajudar, basta um gesto para catalisar essa vontade e mostrar o caminho”, afirma a mãe Samantha.

A campanha pró-Yanomami dos estudantes continua. São recolhidas doações de produtos em São Paulo para enviar às aldeias. A One Goal recebe doações físicas. A contribuição em dinheiro deve ser feita diretamente na conta da Ação Cidadania pelo Pix sos@acaodacidadania.org.br.

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