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"InCor tem sido essencial para o desenvolvimento da ciência no país"

O Instituto do Coração, em SP, já produziu mais de 8 mil artigos científicos em 46 anos de atuação e conta com uma lista de pesquisadores entre os de maior impacto no mundo

Prof. Dr. Roberto Kalil Filho, cardiologista, presidente do Conselho Diretor do InCor. (Esfera/Divulgação)

Prof. Dr. Roberto Kalil Filho, cardiologista, presidente do Conselho Diretor do InCor. (Esfera/Divulgação)

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Esfera Brasil

11 de janeiro de 2023, 09h00

Prof. Dr. Roberto Kalil Filho*

O Brasil tem uma produção respeitável de artigos científicos publicados em revistas especializadas internacionais. E dentro dessa produção brasileira, o InCor (Instituto do Coração) do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) tem uma presença consolidada.

O boletim “Panorama da Ciência Brasileira” – publicação do OCTI (Observatório de Ciência, Tecnologia e Inovação, do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) aponta um avanço de 32% na produção brasileira de artigos científicos entre 2015 e 2020. O resultado é maior que a média global, de 27,1%. No InCor, só em 2022 foram 503 artigos publicados em revistas científicas internacionais, 29 teses produzidas e 13 prêmios recebidos por trabalhos científicos. Desde 1978, já são mais de 8,7 mil trabalhos publicados, 1.149 teses e 813 prêmios. Não são números que se possa desconsiderar – muito pelo contrário.

Em outubro passado, a edição atualizada do ranking “Updated science-wide author databases of standardized citation indicators” (“Bancos de dados atualizados de indicadores padronizados de citação de autores em ciência”, em tradução livre) mostrou que seis especialistas do InCor – Raul Dias dos Santos Filho; Edimar Alcides Bocchi; Eduardo Moacyr Krieger; Luciano Ferreira Drager; Alexandre Abizaid; e Marcelo Britto Passos Amato – estão na categoria “Impacto ao Longo da Carreira”. Em 2021, mais sete pesquisadores do instituto também foram destaque entre os trabalhos de maior impacto: José Carlos Nicolau; Ludhmila Abrahão Hajjar; Alexandre da Costa Pereira; Márcio Sommer Bittencourt; Henrique Barbosa Ribeiro; Maurício Ibrahim Scanavacca; e Carlos Eduardo Rochitte.

O ranking em questão é elaborado a cada ano por pesquisadores da Universidade Stanford (EUA), a partir de uma ampla base de dados. Tem reputação mundial e constar nele é sinal de reconhecimento do mérito e do valor que cada trabalho teve.

Essa excelência em pesquisa rendeu ao InCor em 2022 o terceiro reconhecimento consecutivo como o melhor centro de cardiologia da América Latina e do Brasil e o segundo consecutivo como o melhor hospital em cirurgia cardiovascular da América do Sul – ambos pela revista americana Newsweek, que promove o World’s Best Specialized Hospital.

O Brasil, infeliz e injustamente, não é –ao menos não imediatamente – lembrado por seu peso na produção científica, apesar de centros de excelência pelo país, a exemplo do InCor, se destacarem. Não é por acaso: muito mais comum é ver repercutir na imprensa assuntos como fuga de cérebros – ou, de maneira menos informal, diáspora científica. O fenômeno é real, porque a pesquisa científica requer investimentos, estrutura, profissionais – e temos visto, ao longo dos anos, cortes e reduções em todos esses três itens.

A publicação de um artigo científico em um periódico reconhecido por pares no mundo todo é uma conquista de não pequena relevância. O trabalho de revisão, checagem, validação de dados, por parte de nomes de grande importância em seus determinados campos de atuação, é intenso. Os trabalhos que chegam a outra ponta desse processo são conhecimento científico consistente, que fará avançar as áreas específicas a que se referem e embasarão futuras pesquisas de cientistas no mundo todo.

O Brasil e o InCor, especificamente, têm dado uma contribuição substancial para a evolução e o aprimoramento da ciência, especificamente na área de cardiologia. Mais investimentos em formação de especialistas, em infraestrutura e em tecnologia fariam do país uma potência em pesquisa a rivalizar ainda mais com os principais centros de estudo no mundo todo. E a pandemia, bem como a chegada da saúde digital, mostram que é de cada vez mais ciência que o Brasil precisa.

*Cardiologista, presidente do Conselho Diretor do InCor