Economia
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Tragédia econômica transporta gregos de volta para anos 80

O pior desastre econômico da história fez com que renda disponível da população grega voltasse em poucos anos para onde estava em 1980


	Morador de cidade no noroeste da Grécia protesta contra aumento de impostos em combustível para aquecimento em Atenas, Grécia
 (Yorgos Karahalis/Reuters)

Morador de cidade no noroeste da Grécia protesta contra aumento de impostos em combustível para aquecimento em Atenas, Grécia (Yorgos Karahalis/Reuters)

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João Pedro Caleiro

20 de abril de 2015, 15h19

São Paulo - A crise econômica na Grécia é tão dramática que apagou décadas de avanços em poucos anos.

Corrigida pela inflação e considerando os impostos, a renda disponível dos gregos mais ricos já voltou para níveis de 1985. Entre os mais pobres, o dinheiro na mão é equivalente ao registrado em 1980.

A Grécia teve dois períodos de forte crescimento da renda. O primeiro aconteceu entre o fim da ditadura em 1974 e durou até 1986, sendo seguido de uma década de estagnação. 

A renda volta a crescer a partir de 1994 até 2009, especialmente entre os mais ricos, mas daí vem o que pode ter sido o pior desastre econômico da história moderna

Veja o gráfico criado por Max Roser, pesquisador da Universidade de Oxford. A linha roxa se refere aos 10% mais ricos e a azul escura aos 10% mais pobres, com todos os outros intervalos neste ínterim.

(Max Roser)

Histórico

A crise financeira de 2008 começou nos Estados Unidos mas logo acabou batendo na Europa, que teve que lidar com o estouro de suas próprias bolhas imobiliárias.

A atividade despencou e levou a receita do governo junto, o que alimentou a desconfiança entre investidores de que países com altos déficits e níveis de endividamento conseguiriam honrar suas dívidas.

A Grécia, em especial, mostrou números piores do que se imaginava. A entrada do euro em 2001 significou entrada de recursos, mas perda de competividade; eventualmente, ficou claro que era impossível para um único câmbio e banco central favorecer economias tão diferentes como a grega e a alemã.

Desde 2010, a Grécia tem recebido regularmente resgates bilionários da chamada "troika" (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia).

Em troca, o país implementou políticas duras de cortes de gastos que incluíram demissões e diminuição de salários em grande escala. O desemprego atingiu um pico de 28% em setembro de 2013 (e não caiu muito desde então).

A austeridade segurou o crescimento sem mexer muito no endividamente em relação ao PIB, que já passa de 170%. Quando a economia ensaiava uma reação, os gregos elegeram o partido de esquerda Syriza, que tenta obter com a troika termos mais favoráveis de financiamento.

Os impasses são frequentes e há muita gente apostando em uma saída da zona do euro (de consequências imprevisíveis). Por onde quer que se olhe, a tragédia grega está longe de um final feliz.