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Percentual de famílias endividadas em SP bate recorde, diz Fecomercio

Ao menos 2,98 milhões de lares na capital paulista tinham algum tipo de dívida no mês, número que tem sofrido elevações consecutivas desde novembro de 2020

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Rua 25 de março, no centro de São Paulo. (Jonne Roriz/Bloomberg/Getty Images)

Rua 25 de março, no centro de São Paulo. (Jonne Roriz/Bloomberg/Getty Images)

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Estadão Conteúdo

Publicado em 21 de janeiro de 2022 às, 14h05.

Última atualização em 21 de janeiro de 2022 às, 14h15.

O percentual de famílias endividadas na cidade de São Paulo atingiu 74,5% em dezembro, encerrando 2021 em patamar recorde para a série histórica, iniciada em 2010. A informação foi apurada pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Ao menos 2,98 milhões de lares na capital paulista tinham algum tipo de dívida no mês, número que tem sofrido elevações consecutivas desde novembro de 2020. Em dezembro de 2020, eram 688 mil famílias no rol de endividados. Ainda segundo a Peic, cerca de 805,5 mil famílias encerraram 2021 com dívidas em atraso, o que representa um aumento de 54 mil lares em relação ao ano anterior.

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O tempo de comprometimento da dívida alcançou nível recorde em dezembro, com média de 7,9 meses, a maior desde junho de 2020. O aumento foi mais forte entre as dívidas com período superior a um ano, de 32,9% para 41%.

No mês, o número de famílias com dívidas no cartão de crédito também atingiu recorde entre os endividados (87%). O percentual era de 71,3% em 2020, o que representa acréscimo de 958 mil famílias em termos absolutos. "Com o desemprego e a inflação levando a uma retração do poder de compra, para se defender do aumento dos preços as famílias têm buscado o crédito como alternativa para manter o consumo, inclusive de itens essenciais", apontou a FecomercioSP.

Os carnês aparecem na sequência, em 21% dos lares endividados. Outras modalidades de crédito com percentuais elevados foram os financiamento de carro (14,3%) e casa (11,2%), seguidos pelo crédito pessoal (11,1%) — em maior patamar desde setembro de 2019.

A proporção de endividamento foi maior entre as famílias com renda abaixo de dez salários-mínimos, de 78%, ante 64,2% entre aquelas com renda superior a esse intervalo. Em ambos os casos, patamares recordes na série histórica. Quanto à inadimplência, 24% das famílias com menor poder aquisitivo tinham dívidas em atraso em dezembro, enquanto na faixa com renda mais elevada eram 9,3% — os percentuais no mesmo mês de 2020 eram 23% e 9%, respectivamente.

Queda na intenção de consumo

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) recuou 0,2% em dezembro, atingindo 70,2 pontos; patamar praticamente estável na comparação interanual (70,4%). "A oscilação do ICF próximo aos 70 pontos, durante 2021, indica que as variáveis que definem o consumo não avançaram como os consumidores gostariam", afirmou a federação. "A inflação subiu mais de 10% em um ano, ao passo que o desemprego ainda atinge um contingente importante de pessoas na capital paulista."

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), com elevação de 2,4% em relação a novembro, chegou a 112 pontos em dezembro, pontuação semelhante à registrada no mesmo mês de 2020 (111,7 pontos). "A diferença entre os indicadores está relacionada ao fato de o ICC contar com perguntas macro, amplas, sobre a situação do país em geral — no momento e nos próximos anos —, enquanto o ICF se restringe às variáveis que afetam o dia a dia das famílias, como renda, emprego e crédito."

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