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Por que o Brasil, maior produtor do mundo de soja, quer ampliar importação

Preço do grão e do milho atinge cotações recordes na pandemia e pressiona custos da cadeia alimentícia; governo zera alíquotas de importação
 (Exame/Alexis Prappas)
(Exame/Alexis Prappas)
Por Da Redação com Reuters e Agência BrasilPublicado em 18/10/2020 08:41 | Última atualização em 18/10/2020 08:44Tempo de Leitura: 4 min de leitura

O governo brasileiro zerou até o primeiro trimestre do ano que vem as tarifas de importação de milho e do chamado complexo soja (grão, farelo e óleo), conforme nota publicada no site do Ministério da Economia neste sábado, 17.

Segundo o texto da pasta, a decisão foi tomada na sexta-feira, 16. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento propôs a zeragem da taxa para a soja, enquanto a Economia pediu alíquota zero para o milho.

"Ambas as medidas têm como motivação conter a alta de preços no setor de alimentos", disse a nota no site do Ministério da Economia.

A redução para o complexo soja será válida até 15 de janeiro de 2021. O corte de 8% para zero na taxa de importação do milho permanecerá em vigor até 31 de março de 2021.

O movimento, alvo de análises em meio a preços recordes no mercado interno para ambos os produtos, foi decidido na sexta-feira em reunião do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligada ao Ministério da Economia.

"Havia diversas posições na mesa e levou-se em consideração o período de safra e oferta", disse uma fonte à Reuters antes da confirmação da decisão pelo governo. "Não houve questionamento quanto ao mérito da isenção de tarifa. A oferta tinha que ser ampliada para reduzir preços e custos", acrescentou.

No fim de setembro, quando teve início o plantio da safra de soja para 2020/2021, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) estimou que a área semeada com a principal commodity brasileira deve aumentar 3,8% em comparação ao ciclo 2019/2020 e que a produção crescerá 3,4% relação ao período anterior -- pode superar 129 milhões de toneladas.

O pedido de isenção das importações foi protocolado no mês passado e reiterado na última semana pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa os setores de avicultura e suinocultura do Brasil.

A indústria utiliza o cereal e o farelo de soja como os principais insumos para alimentação animal e tem as margens afetadas pelo aumento de custos com esses grãos.

O Ministério da Agricultura havia afirmado no fim de agosto que estava em avaliação a possibilidade de isentar temporariamente a Tarifa Externa Comum (TEC) de importação de arroz, milho e soja de países não membros do Mercosul para equilibrar o mercado doméstico e evitar novos aumentos de preços.

No início de setembro, o comitê executivo da Camex aprovou a zeragem da alíquota de importação de arroz até o final do ano, em meio à disparada dos valores do produto no Brasil, após aumento na demanda interna durante a pandemia e  por causa de exportações aquecidas. Na ocasião, no entanto, não houve nenhuma decisão sobre milho e soja.

O mês de março é período em que a safra brasileira de verão já estará colhida e cresce a disponibilidade de oferta doméstica.

Preço recorde e exportação em alta

O presidente Jair Bolsonaro disse no último sábado que iria se reunir com produtores de soja para discutir o preço da oleaginosa, dias após a cotação do produto ter renovado máxima histórica no Brasil em razão do atual ajuste na oferta.

Ao longo do ano, um dólar favorável para exportação, aliado à firme demanda externa, elevou os volumes de embarques da soja do Brasil, que podem chegar a 82 milhões de toneladas, ampliando a necessidade de importação para atender a indústria local.

O preço da soja no porto de Paranaguá, um dos referenciais do país, está a 157,66 reais por saca, perto de máxima histórica de 159,88 reais de 8 de outubro, segundo o centro de estudos Cepea. Já as cotações do milho estão em máximas nominais de 69,53 reais por saca, também de acordo com a instituição.