PIB cai 9,7% no 2º trimestre impactado pela pandemia de covid-19

Período pegou o pior momento da crise, marcado pelo fechamento do comércio e outras políticas de isolamento social; mercado esperava queda de 9,2%

Impactado pela pandemia de covid-19, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 9,7% no segundo trimestre de 2020 em relação ao período imediatamente anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 1º. 

A mediana das expectativas do mercado financeiro ficava em torno de um tombo de 9,4% no período para essa comparação. Em relação ao mesmo período de 2019, o PIB caiu 11,4% no segundo trimestre de 2020.

Com o resultado, o país entra oficialmente em recessão técnica, caracterizada por dois trimestres consecutivos de encolhimento do nível de atividade.

Trata-se da segunda queda trimestral seguida e o menor resultado para a economia desde o início da série histórica, em 1996, ressalta o IBGE. O PIB está no mesmo patamar do final de 2009, auge dos impactos da crise financeira global de 2008.

As maiores perdas foram sentidas pelos segmentos de Indústria (-12,3%), seguida por Serviços (-9,7%). A Agropecuária apresentou variação positiva de 0,4%.

O segundo trimestre pegou o pior momento da crise, marcado pelo fechamento do comércio e outras políticas de isolamento social, que começaram a se intensificar no final de março. No primeiro trimestre, o PIB encolheu 2,5% em relação ao último período do ano passado. O IBGE revisou esse número hoje, que, antes, era de 1,5%.

A alteração, no entanto, não muda o cenário total, segundo o economista da Exame Reserch, Arthur Mota: “Mesmo com a mudança, a taxa de queda sobre o ano anterior não mudou, então essa revisão é só técnica mesmo”, diz.

Para o ano como um todo, as expectativas do mercado financeiro compiladas pelo Boletim Focus, do Banco Central, apontam para uma contração de 5,28% da economia brasileira em 2020. Já a previsão oficial do governo está em uma queda 4,7%. 

Setores

A maior queda registrada foi no consumo das famílias, que representa 56% do PIB, e teve recuo de 12,5% no segundo semestre ante o primeiro. O cenário poderia ter sido pior sem os programas de apoio financeiro do governo:

“Isso injetou liquidez na economia. Também houve um crescimento do crédito voltado às pessoas físicas, que compensou um pouco os efeitos negativos”, disse Rebeca Palise no material de divulgação do IBGE, coordenadora de Contas Nacionais do instituto.

Entre os resultados mais negativos ficaram os investimentos do governo (Formação Bruta de Capital Fixo), com contração de 15,4% de abril a junho, por conta da queda na construção e na produção interna de bens de capital. Somente importação de bens de capital cresceu no período, diz o IBGE.

A balança de bens e serviços, por outro lado, registrou uma alta de 1,8% nas exportações, enquanto as importações recuaram 13,2%. O avanço das exportações, segundo o Instituto, é ligada a commodities, produtos alimentícios e petróleo. Já as importações caíram em vários setores, com destaque para veículos, serviço e viagens.

Já o consumo do governo recuou 8,8% no segundo trimestre, muito por conta das quedas em saúde e educação públicas, explica Palise:

“Na saúde, os gastos ficaram mais focados no combate à covid-19, e as pessoas tiveram receio de buscar outros serviços, como consultas e exames, durante a pandemia. Na educação, utilizamos nas contas o percentual do Ministério da Educação de alunos que tiveram aulas ou não. Isso fez com o que o consumo do governo caísse bastante também”.

Na Indústria, o resultado negativo foi levado, sobretudo, às quedas de 17,5% nas indústrias de transformação, 5,7% na construção, 4,4% na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e 1,1% nas indústrias extrativas.

Em relação à queda em Serviços, foi muito influenciada pelos serviços prestados a famílias, que entra em “outras atividades de serviços” (-19,8%). Transporte, armazenagem e correio caíram 19,3% e comércio, 13,0%.

Os únicos resultados positivos, o IBGE, foram verificados em atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (0,8%) e as atividades imobiliárias (0,5%).

 

 

 

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