Economia

Indústria questiona volta de taxação sobre a folha

Para entidades, taxação vai prejudicar a indústria em um momento em que a recuperação da economia ainda não é plena

Indústria: CNI defende corte de gastos maior para não onerar as empresas (Manoel Marques/Site Exame)

Indústria: CNI defende corte de gastos maior para não onerar as empresas (Manoel Marques/Site Exame)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 29 de março de 2017 às 08h59.

Brasília e São Paulo - Representantes de diferentes setores reagiram com preocupação ao fim da desoneração da folha de pagamento a ser proposto pelo governo Temer.

Na avaliação de entidades, a volta da taxação deve prejudicar a indústria em um momento sensível, em que o mercado interno ainda não se recuperou.

Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, o fim da desoneração da folha de pagamento comprometerá ainda mais a capacidade da indústria brasileira de sair da crise.

"As empresas ainda estão muito sacrificadas com o mercado ruim, mas já temos um custo elevado com encargos trabalhistas", afirmou. "Entendo a situação do governo de precisar entregar o resultado fiscal, mas para isso deveria fazer um corte maior em vez de onerar as empresas", afirmou.

Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, o governo deveria ao invés de onerar as empresas, aumentar a fiscalização para combater a informalidade.

Só no setor da construção, diz, o potencial de arrecadação com a formalização dos empregos chegaria a R$ 30 bilhões por ano. "Onerar neste momento é uma medida contra o emprego, justamente quando o País precisa gerar novas vagas. É incoerente."

Quando a desoneração começou, foi um mecanismo criado pelo governo para que setores potencialmente exportadores e que tivessem emprego massivo de mão de obra pudessem melhorar sua competitividade, lembra o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein.

"Três setores foram enquadrados inicialmente, por terem essas características: o de calçados, o de confecções e o de móveis. A partir daí, esse sistema foi aplicado para um grande número de segmentos. Evidentemente, com o desvirtuamento do propósito inicial, se criou o impacto nas contas públicas."

Para Klein, é preciso avaliar o histórico da medida. "O governo tem um impasse, pretende resolver o problema das contas públicas, mas há um custo que pode ser desastroso", diz.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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