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Estatais não querem pagar a conta do novo modelo

São Paulo, 4 de agosto (Portal EXAME) Não são apenas as empresas privadas que têm dúvidas em relação ao novo modelo de energia. A falta de detalhes causa apreensão também entre os integrantes das estatais. Roberto D Araujo, consultor da presidência da Eletrobras, quer entender melhor como será formada a tarifa de energia. A grande […]

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Da Redação

Publicado em 9 de outubro de 2008 às 10h35.

São Paulo, 4 de agosto (Portal EXAME) Não são apenas as empresas privadas que têm dúvidas em relação ao novo modelo de energia. A falta de detalhes causa apreensão também entre os integrantes das estatais. Roberto D Araujo, consultor da presidência da Eletrobras, quer entender melhor como será formada a tarifa de energia. A grande questão do pool é como fica a rentabilidade sobre o capital de todos os integrantes , diz o D Araujo. E é a tarifa que define isso.

Pela proposta do governo, as geradoras e as distribuidoras vão participar de um pool de energia: todas as geradoras venderão para todas as distribuidoras.

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Na avaliação do consultor, é preciso lembrar que o pool vai reunir geradoras cujos contratos têm preços muito elevados, capazes de afetar a formação do preço médio da energia. Pelas projeções de D Araujo, o preço médio razoável ficaria entre 75 reais e 77 reais por MWh. Mas hoje existem contratos na faixa dos 150 reais. Em São Paulo, a distribuidora Eletropaulo tem um contrato de compra de energia com AES Tietê (ambas do grupo americano AES) cotado em 111 reais/MWh, No Ceará, a Coelce e a térmica CGTF têm um contrato fixado em 153 reais/MWh.

Como o governo garante que não vai quebrar contratos e também vai priorizar o menor preço, fica o dilema: Como esses contratos vão entrar no pool sem afetar o valor da tarifa média? , pergunta D Araujo. Com a inclusão desses preços, analisa o consultor, outras geradoras terão de fixar contratos com valores bem menores para preservar o preço médio. Como a maioria das geradoras permanece sob controle do estado, existe o temor de que a conta acabe ficando para as empresas públicas. Estamos preocupados com o papel das estatais na formação da tarifa , diz D Araujo. O governo não pode usar as estatais para baixar a média.

Audiência pública

A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados vai agendar na próxima quarta-feira (6/8) audiência pública com representantes do setor para tentar esclarecer o novo modelo proposto pelo Ministério das Minas e Energia. A insegurança em relação à proposta é muito grande e os parlamentares precisam conhecer detalhes importantes ainda não esclarecidos , diz o deputado Eduardo Gomes (PSDB/TO), integrante da comissão.

Uma das maiores críticas em relação ao modelo é a falta de detalhes sobre a transição do atual para o novo modelo. Também incomoda os parlamentares a falta de manifestações públicas de ministérios importantes como o da Fazenda e do Planejamento em relação à proposta. O silêncio da equipe econômica dá a entender que área de infra-estrutura está desconexa dentro do governo , diz Gomes. O deputado avaliou o novo modelo durante o 5º Enercon, evento da área de energia promovido pelo Institute for International Research (IIR) em São Paulo nesta segunda-feira (4/8).

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