Acompanhe:

A vitória de Javier Milei nas eleições da Argentina pode ter efeitos nas montadoras e no mercado de veiculos do Brasil. O país é um dos principais fornecedores de carros para a Argentina, e vice-versa, e o novo presidente promete abrir o mercado argentino e rever regras de comércio exterior.

A troca de produtos entre os dois países é facilitada pelo Mercosul: de um lado, os negócios entre países do bloco são facilitados pelo acordo comercial, assinado em 1995. De outro, há uma tarifa externa comum (TEC), que dificulta a importação de produtos de fora da região.

Durante a campanha, Milei fez ataques ao Mercosul e defendeu diversas vezes o livre comércio entre os países, o que na prática pode significar a queda de barreiras comerciais que, muitas vezes, dão preferência a produtos brasileiros na Argentina. Sem essas regras, outros países, como a China, poderiam vender carros no país vizinho a preços menores, o que aumentaria a competição e poderia reduzir o mercado tanto para fabricantes argentinos quanto brasileiros.

"A vitória de Milei poderá trazer riscos para o comércio bilateral do Brasil com o país. Mesmo que não cumpra a ameaça de sair do Mercosul a Argentina não deverá colaborar para facilitar acordos que procurem melhorar os canais de comércio de bens e serviços na região", diz o boletim Icomex, da FGV, divulgado na terça. 21.

A Argentina é o maior fornecedor externo de carros para o Brasil: em 2022, o país comprou o equivalente a US$ 4,6 bilhões em automóveis do país vizinho, de um total de US$ 6,1 bilhões em importações. Já em autopeças, foi trazido US$ 1,04 bilhão em mercadorias, de acordo com dados da Anfavea, associação que reúne as montadoras brasileiras.

Já a exportação de veículos para a Argentina vem caindo. Em 2017, foram vendidos US$ 7,1 bilhões em produtos brasileiros lá. Em 2022, esse número caiu para US$ 1,8 bilhão. Já em autopeças, foram fornecidos US$ 2,9 bilhões em mercadorias.

"Os mercados automotivos brasileiro e argentino são complementares e até certo ponto interdependentes, tanto no comércio de veículos como no de peças e equipamentos. A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil no setor e ao longo dos anos as nossas relações comerciais foram aperfeiçoadas chegando aos atuais importantes patamares de volumes", disse a Anfavea, em nota.

A entidade não quis comentar os possíveis riscos trazidos por Milei, e disse avaliar que "esse fluxo deve continuar a ser fortalecido e incrementado, beneficiando os dois países e as demandas de seus respectivos mercados".

Perder mercado na Argentina pode dificultar ainda mais a vida de montadoras no Brasil. O setor passa por um momento de transição e de fechamento de fábricas. Marcas como a Ford deixaram de produzir no país, enquanto montadoras chinesas, como GWM e BYD, anunciaram investimentos em plantas aqui.

Créditos

Últimas Notícias

Ver mais
Milei anuncia novo pacote de leis ‘anticasta’, fecha Telám e restringe voos de políticos
Mundo

Milei anuncia novo pacote de leis ‘anticasta’, fecha Telám e restringe voos de políticos

Há 4 horas

Milei alertou o Congresso argentino que governará 'com ou sem' apoio político
Mundo

Milei alertou o Congresso argentino que governará 'com ou sem' apoio político

Há 5 horas

Petróleo vira arma na guerra de Milei com governadores, expondo novas fissuras no governo
Mundo

Petróleo vira arma na guerra de Milei com governadores, expondo novas fissuras no governo

Há 22 horas

Milei reforça seu estilo e enfrenta múltiplos conflitos em seu primeiro discurso no Congresso
Mundo

Milei reforça seu estilo e enfrenta múltiplos conflitos em seu primeiro discurso no Congresso

Há um dia

Continua após a publicidade
icon

Branded contents

Ver mais

Conteúdos de marca produzidos pelo time de EXAME Solutions

Exame.com

Acompanhe as últimas notícias e atualizações, aqui na Exame.

Leia mais