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Campos Neto responde a Lula: é necessário afastar a 'narrativa' de que o BC tem sido político

Lula voltou a afirmar nesta terça que o presidente da autoridade financeira tem viés político

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (Pedro França/Agência Senado/Flickr)

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Agência o Globo
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Publicado em 2 de julho de 2024 às 16h15.

Última atualização em 2 de julho de 2024 às 16h29.

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O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira que é necessário afastar a "narrativa" de que sua gestão à frente do BC serve a algum lado político. Nesta terça, Lula voltou a dizer que o presidente da autoridade monetária tem "viés político".

"Toda essa narrativa de que o Banco Central tem sido político, temos de nos afastar disso e explicar o que estamos fazendo. Acho que o que estamos fazendo tem sido muito técnico", disse Campos Neto em fórum do BCE (Banco Central Europeu), em Portugal.

Para se defender das acusações, o presidente da autoridade financeira relembrou que em 2022, o BC elevou a taxa de juro mesmo em ano de eleição, durante a gestão ex-presidente Jair Bolsonaro, que o indicou para o BC.

"Se essa não é uma prova de que você é independente e que você atuou de forma autônoma, é difícil achar outro exemplo como este", disse Campos Neto.

Lula subiu o tom contra Campos Neto após o presidente do BC se reunir com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Jair Bolsonaro cotado para concorrer à Presidência em 2026. Na ocasião, segundo o jornal Folha de S.Paulo, o presidente do BC disse que aceitaria ser ministro da Fazenda em um eventual governo de Freitas.

Na última quinta-feira, no entanto, Campos Neto negou que a conversa sobre a ocupação do cargo tenha acontecido.

Lula critica o BC

Nesta terça, Lula voltou a criticar a gestão de Campos Neto no Banco Central, mas recuou em relação a autonomia da autoridade monetária, um ponto que vinha sendo criticado por Lula nas últimas semanas.

"Mas eu acho que a gente precisa manter o Banco Central funcionando de forma correta, com autonomia, para que o presidente do BC não fique vulnerável às pessoas políticas. No entanto, se você é um presidente democrata, permite que isso aconteça sem nenhum problema. Mas Banco Central não pode estar a serviço do sistema financeiro, é um banco do Estado", disse o presidente.

Em resposta ao presidente da República, Campos Neto disse que a interrupção do ciclo de quedas nos juros, decidido na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), teve como uma das motivações "ruídos" em relação a expectativas sobre a trajetória fiscal e política monetária do país.

"Isso [queda de juros] teve muito mais a ver com muitos ruídos que criamos do que com os fundamentos. E os ruídos estão relacionados a duas coisas, uma é a expectativa na trajetória da política fiscal e a outra é a expectativa sobre futuro da política monetária", afirmou Campos Neto durante palestra no Forum on Central Banking, promovido pelo Banco Central Europeu (ECB), em Portugal.

O presidente do Banco Central completou:

"Quando tivemos esses dois ao mesmo tempo, isso criou incerteza suficiente para nós. Precisávamos interromper e ver como podemos consertar as expectativas e nos comunicar melhor para que possamos eliminar esses ruídos, porque existe uma grande desconexão com os dados atuais, tanto os dados fiscais e de inflação quanto a expectativa. Então o que aconteceu no Brasil é que a expectativa começou a se ancorar, mesmo que os dados atuais estejam vindo conforme o esperado."

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também afirmou nesta terça-feira que é preciso ajustar a comunicação sobre a autonomia do Banco Central (BC) e rigidez do arcabouço fiscal para conter a alta do dólar. Ele ainda negou que o governo vá reduzir o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre câmbio como medida para combater a depreciação do real.

"Eu acredito que o melhor a fazer é acertar a comunicação, tanto em relação a autonomia do Banco Central como o presidente fez hoje de manhã quanto em relação ao arcabouço fiscal. Não vejo nada fora disso, autonomia do Banco Central e rigidez do arcabouço fiscal, é isso que vai tranquilizar as pessoas", disse o ministro em coletiva a jornalistas no Ministério da Fazenda.

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