Bancos centrais se excederam em gerar liquidez, diz Gustavo Franco

O ex-presidente do Banco Central foi o convidado desta quinta-feira em live transmitida pela EXAME Research
Gustavo Franco, ex-presidente do BC e sócio da Rio Bravo Investimentos (Dado Galdieri/Bloomberg/Getty Images)
Gustavo Franco, ex-presidente do BC e sócio da Rio Bravo Investimentos (Dado Galdieri/Bloomberg/Getty Images)
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Ligia Tuon

Publicado em 16/07/2020 às 19:45.

Última atualização em 16/07/2020 às 21:13.

Os bancos centrais do mundo todo se viram obrigados a atuar na linha de frente do combate à pandemia do coronavírus de uma forma inédita na história.

Ansiosos e pressionados pela urgência da situação, fizeram o que sabem fazer: injetar dinheiro na economia. Mas se excederam, e as consequências que podem vir desse movimento são desconhecidas.

A análise foi feita por Gustavo Franco, ex-presidente do BC e sócio da Rio Bravo Investimentos, nesta quinta-feira, 16, em live conduzida pelo economista Arthur Mota e pela especialista em fundos de investimento da EXAME Research, Juliana Machado, no YouTube.

"Como um atacadista que é, o Banco Central tem dificuldade de se relacionar com o varejo, onde o dinheiro tem demorado a chegar" disse Franco. "Na parte que eles puderam tratar, se excederam, não por mal, mas por tentar tratar o doente."

A liquidez que se espalhou pelo mundo nos últimos meses influenciou na valorização dos ativos das bolsas de valores. Diante disso, questionado sobre se essa inflação dos ativos pode chegar de alguma forma à economia real, Franco respondeu que só há uma forma de saber o que vai acontecer: perguntando a uma bola de cristal.

"Um amigo meu que trabalha no mercado financeiro do Hemisfério Norte disse, brincando, esses dias: 'Ah, que saudade da crise bancária sistêmica', que é uma catástrofe conhecida. Agora, temos isso e mais alguma coisa, que é a pandemia. Os BCs não sabem mexer com isso, ninguém sabe, é um mistério, estamos vivendo e vendo como é difícil'", disse.

Juros neutros

Normalmente, a taxa de juro neutra é um equilíbrio entre como o BC altera os juros em sua politica monetária em resposta à inflação e o risco de recessão, explica Franco: "Você observa o nível de atividade e de preços, a taxa neutra acha o melhor equilíbrio entre esses dois riscos".

No entanto, a conjuntura atual, segundo ele, é um espaço não mapeado. "Estamos com nível de inflação no limite inferior da meta, e com o juro mais baixo que se tem na memória. A regra parece indicar mais queda. Mas o BC está reticente, por ser um território desconhecido e tem razão de estar."

Assista à entrevista na íntegra: