Finanças comportamentais na prática: como os vieses afetam nossas decisões diárias?

A seguir, descubra como as finanças e os vieses comportamentais interferem no dia a dia e na estratégia financeira
 (Feverpitched/Thinkstock)
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Palavra do Advisor

22 de dezembro de 2022, 18h14

Ao longo do ano, discutimos como as finanças comportamentais são um campo de estudo que compreende a forma de tomar decisão das pessoas, considerando também suas emoções. Nessa área, portanto, há uma abordagem sobre a neuroeconomia e os tipos de vieses cognitivos.

Eles funcionam como atalhos para o cérebro tomar decisões, o que faz com que as decisões nem sempre sejam racionais. Por isso, vale a pena compreender como esses comportamentos podem afetar as escolhas diárias — incluindo aquelas de investimentos.

A seguir, descubra como as finanças e os vieses comportamentais interferem no dia a dia e na estratégia financeira!

Como os vieses interferem no dia a dia?

Considerando que é preciso tomar inúmeras decisões diariamente, determinados vieses comportamentais podem ter grandes impactos no processo de escolha e nos resultados que serão obtidos em diversas áreas da vida.

A seguir, confira quais são esses efeitos!

Aversão à perda

A aversão à perda é um dos vieses comportamentais mais conhecidos pelos investidores. Nesse caso, a perspectiva da dor causada por um prejuízo é maior do que aquela da satisfação obtida com um ganho equivalente.

Ou seja, é como se o impacto negativo de perder R$ 1.000 fosse maior do que a satisfação de ganhar R$ 1.000. Diante disso, a tomada de decisão pode ser afetada.

Um dos exemplos mais claros ocorre em cassinos e apostas em geral. Ao sofrer uma perda de R$ 500, é possível que um apostador tenha uma reação mais intensa do que se ganhasse R$ 500. Com isso, ele pode tentar compensar a perda no primeiro caso e não se satisfazer com o ganho no segundo.

Excesso de confiança

O excesso de confiança é um viés praticamente autoexplicativo. Ele acontece quando a pessoa se enxerga como a melhor ou a mais capaz de realizar uma tarefa do que ela realmente é.

Nesse sentido, há autoconfiança excessiva na capacidade de tomar decisões ou atingir determinados resultados. Um exemplo clássico envolve a realização de uma viagem de carro.

Muitas vezes, quem assume a posição como motorista acredita que sabe o caminho de memória, sem precisar pedir ajuda ou seguir um mapa. Em situações como essas, pode acontecer de a viagem demorar muito mais que o necessário devido a erros na rota, já que o motorista não conhecia tão bem o caminho.

Quando um investidor apresenta autoconfiança excessiva, é possível que ele assuma riscos maiores do que realmente tolera. Como consequência, o investidor pode tomar decisões precipitadas, como comprar um ativo na alta ou vendê-lo antecipadamente.

Viés de confirmação

O viés de confirmação está relacionado à forma como usamos as informações recebidas, de acordo com as nossas crenças. Diante dessa tendência, o cérebro humano tenta encontrar dados que corroborem uma convicção, em vez de buscar conhecimentos que confrontem a ideia inicial.

Afinal, diante do contraditório, poderia ser necessário mudar de ideia. Porém, isso gastaria mais energia do que manter aquilo em que a pessoa acredita — o que faz com que o cérebro prefira, inconscientemente, o caminho do menor esforço.

Outro exemplo envolve a crença sobre a renda fixa. Um investidor pode acreditar que um investimento desse tipo não tem risco e que, portanto, é indicado para qualquer situação. Porém, aplicações de longo prazo apresentam mais riscos por causa das incertezas sobre o futuro.

Além disso, títulos prefixados e híbridos sofrem maiores efeitos da marcação a mercado. Logo, se houver antecipação do resgate, eles serão vendidos pelo preço de negociação naquele dia, o que pode gerar perdas. Mesmo diante desses fatos, um investidor pode desconsiderar a necessidade de analisar os riscos ao investir. Afinal, sua crença é de que a renda fixa é sempre segura.

Viés do otimismo ou do pessimismo

Dois vieses que são bem semelhantes são o viés do pessimismo e o viés do otimismo. Embora eles representem situações opostas, os impactos que eles apresentam são semelhantes.

Em geral, esses vieses causam uma sensação de euforia (otimismo) ou de negatividade (pessimismo), influenciando as decisões.

Pense em uma pessoa que está procurando emprego. Se ela receber convites para diversas entrevistas, a tendência é que ela passe a ter uma sensação de otimismo quanto ao resultado da recolocação profissional. Isso pode levá-la a comprar novas roupas, já contando com um futuro salário.

Já se o candidato receber diversas negativas, ele pode ser acometido por uma sensação de fracasso. Nessa situação, ele pode tomar a decisão de não se candidatar a uma nova vaga, acreditando que o resultado anterior se repetirá.

Além desses vieses, existem outros comportamentos que discutimos anteriormente, como a ancoragem, a contabilidade mental, as heurísticas que podem impactar a tomada de decisão de diversos modos, considerando os distintos aspectos cotidianos.

Quais podem ser os impactos desses vieses?

Visto que os vieses comportamentais podem afetar a tomada de decisão, eles podem causar impactos prejudiciais em diversos sentidos — em especial, na vida financeira.

Como você viu, o ambiente fica mais confuso, o cenário mais incerto e ter mais disciplina e calma na hora de tomar decisões pode realmente fazer diferença em nossos portfolios e na execução de nossos projetos de vida

Os viéses podem atrapalhar na construção de patrimônio, atrasando o alcance de objetivos. Como Advisor, é essencial que você aplique seus conhecimentos sobre finanças comportamentais ao atender os investidores.

Desse modo, é possível ajudar os clientes a se informar e a reconhecer padrões de decisão menos racionais. Assim, vamos auxiliá-los a fazer escolhas de modo mais consciente.

Gostou deste artigo? Para se aprofundar no assunto, leia todos os artigos da minha coluna, Palavra do Advisor.

Desejo a todos Boas Festas!