Por que CFOs de serviços financeiros precisam fazer parceria com CIOs

Em parceria com CIOs, CFOs conseguem não só impulsionar mais inovação mas também podem atingir metas de negócios mais amplas
Investimento em inovação pode ter eficácia maior se contar com o alinhamento de CFOs com CIOs | Foto: GettyImages (Intpro/Getty Images)
Investimento em inovação pode ter eficácia maior se contar com o alinhamento de CFOs com CIOs | Foto: GettyImages (Intpro/Getty Images)
Por Blog da ExamePublicado em 24/01/2022 08:00 | Última atualização em 23/01/2022 21:17Tempo de Leitura: 5 min de leitura

O setor de serviços financeiros é extremamente regulamentado e isso é apenas um dos desafios enfrentados diariamente. Por causa da pandemia, as empresas desse mercado, assim como os demais setores, também estão tentando navegar pela contínua disrupção digital.

Ou seja, para ter sucesso, as companhias de serviços financeiros precisam continuar impulsionando a inovação. À medida que alinham seus orçamentos e recursos de acordo com metas futuras dos negócios e das operações, é vital definir também as prioridades das estratégias digitais para se manterem saudáveis no mercado, apesar da volatilidade e das constantes mudanças no cenário atual.

Para garantir a inovação nas empresas, é mandatório que os CFOs estejam em sintonia com os CIOs e outros líderes de tecnologia.

A realidade induzida pela pandemia

Embora o setor de serviços financeiros já tenha inúmeros desafios, não há como negar que a pandemia criou algumas novas implicações. Uma avaliação da PwC sobre o setor apresentou uma série de macrotendências que os líderes de serviços financeiros precisam entender à medida que desenvolvem seus planos para o futuro.

Entre eles: a recessão causada pela Covid-19 reduzirá a capacidade dos setores regulamentados -- incluindo o de serviços financeiros -- de lidarem com riscos, a fim de apoiar a economia para que ela entre em um estágio de recuperação.

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Além disso, o estudo diz que modelos de negócios e margens continuarão se mantendo voláteis, enquanto o porte das instituições financeiras será cada vez mais dimensionado de acordo com o PIB dos países em que estão sediadas. Isso, segundo a PwC, levará ao offshoring contínuo e aumentará o risco operacional em todo o setor.

Por fim, o estudo diz que a pandemia não irá atrasar -- mas sim acelerar -- o desenvolvimento e a implementação de medidas regulatórias em muitos países e regiões.

A inovação digital pode (e deve) ser prioridade 

A transformação digital é uma prioridade em quase todos os setores, mas parece ser um pouco menos para os executivos de serviços financeiros.

Uma pesquisa da Dimensional Research com CFOs e líderes financeiros seniores revelou que 65% dos entrevistados dessa indústria veem os investimentos em transformação digital como a chave para o sucesso de seus negócios.

Esta porcentagem é menor do que qualquer outro setor presente na pesquisa; como exemplo, 81% dos entrevistados de manufatura disseram que os investimentos em transformação digital são vitais para o sucesso, assim como 79% no setor de tecnologia, 75% no varejo e 73% na construção.

Os entrevistados de serviços financeiros classificaram a otimização dos investimentos em tecnologia existentes como a principal iniciativa de TI que eles gostariam que acontecesse mais.

Ao construir parceria com CIOs, CFOs conseguem não só impulsionar mais inovação (no sentido de transformação) mas também podem atingir metas de negócios mais amplas. O CIO é capaz de analisar as iniciativas digitais que podem fornecer valor e ROI, assim como os projetos que podem ser adiados por não valer a pena no momento.

Após ter todo esse conhecimento, o CFO pode recorrer a outros tomadores de decisão e explicar, com mais segurança e propriedade, por que investir em inovação digital é importante para o crescimento dos negócios.

Na maioria dos casos -- particularmente nesse segmento --, a aposta mais assertiva é focar em iniciativas menores que impulsionam a estratégia digital de forma fragmentada ao longo do tempo, evitando iniciativas grandes, demoradas e caras que podem não gerar resultados tangíveis entre três e cinco anos (ou mais).

Pequenas vitórias ao longo da jornada de inovação demonstram valor em toda a organização e firmam relacionamento sólido entre CFO e CIO para conquistar mais recursos no futuro.

Os líderes devem investir em seu ativo mais valioso: os colaboradores 

À medida que as empresas de serviços financeiros – como quase todos os outros setores – reavaliam suas estratégias no cenário pós-pandemia, fica claro que as mais bem sucedidas são as que investem nos funcionários.

Quase todas as organizações do setor querem manter os funcionários trabalhando remotamente de alguma forma em 2022, o que significa que CFOs e CIOs têm a oportunidade de, juntos, trabalharem para fornecer aos colaboradores todos os recursos necessários para permanecerem produtivos enquanto trabalham home office.

Um estudo do Gartner sobre o futuro digital das finanças constatou que, para ter eficiência, é preciso ter flexibilidade e as empresas devem investir para aumentar o desempenho dos funcionários, já que tudo indica o trabalho híbrido como modelo principal no futuro próximo. Isso significa fornecer aos funcionários o hardware necessário para permanecerem produtivos e também fazer investimentos inteligentes e eficientes nos sistemas da organização como um todo.

De acordo com o relatório, profissionais e empresas financeiras têm a oportunidade de reduzir o desperdício e hábitos ultrapassados. Uma das maneiras de fazer isso é parar de recorrer aos fabricantes de ERPs e outros tipos de software corporativos para evitar gastos desnecessários com as atualizações “mais recentes e melhores”.

A realidade, que os fabricantes de sistemas de TI não querem que as companhias saibam, é que a maioria das empresas consegue permanecer eficaz, produtiva e segura mantendo os sistemas que já possuem, em vez de investir nas últimas versões -- como eles sempre indicam.

A transformação digital não é uma proposta de tudo ou nada. Adotar uma abordagem mais ponderada, investindo de forma fragmentada, libera recursos para que as organizações foquem também em promover o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade dos funcionários.

Os CFOs e os CIOs podem trabalhar em parceria para manter os funcionários produtivos e, consequentemente, alavancar os negócios. À medida que os CIOs identificam áreas estratégicas para investimento, os CFOs podem convencer os demais líderes sobre a importância dessas iniciativas e por que fazem sentido para o crescimento e a evolução dos negócios.

*Renee Wells é VP de Estratégia de Produtos na Rimini Street.