Perspectivas de 2022 para um mercado revolucionário e descentralizado

Para especialista, as criptomoedas têm o potencial de se destacar ainda mais em muitos países neste ano, chamando a atenção de legisladores em todo o mundo
O setor DeFi, CBDCs e stablecoins podem evoluir em 2022 (iStockphoto/iStockphoto)
O setor DeFi, CBDCs e stablecoins podem evoluir em 2022 (iStockphoto/iStockphoto)
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Alex NascimentoPublicado em 22/01/2022 às 10:30.

As atividades bancárias sempre foram realizadas por instituições centralizadas como bancos e corretoras. Serviços monetários de transferências, empréstimos, financiamentos e até mesmo pagamentos estão sendo colocados à prova em 2022. A disrupção do sistema financeiro provocado pelas Finanças Descentralizadas – DeFi – tem demonstrado ser capaz de revolucionar o mercado de capitais global.

O ecossistema DeFi é capaz de oferecer serviços e produtos bancários tradicionais de forma descentralizada, eliminando intermediários. Isso possibilita uma interação direta entre os participantes do DeFi, permitindo a esses maior flexibilidade e opções de investimento.

Esta independência das instituições tradicionais tem despertado o interesse de investidores institucionais. Como resultado, o mercado DeFi alcançou um valor líquido depositado de mais de $101 bilhões de dólares em provedores de liquidez e credores que atingiram receitas acima de US$ 3 bilhões. Já o volume de negociação em exchanges decentralizadas (DEXs) também teve um aumento de 522% em 2021, alcançando mais de US$ 162,8 bilhões.

O desenvolvimento exorbitante do setor a partir de uma tecnologia ainda recente se deve principalmente a capacidade do ecossistema DeFi em oferecer serviços bancários tradicionais, como empréstimos de forma descentralizada P2P (peer-to-peer). O que é mais acessível e ágil do que os meios convencionais.

Entretanto, um produto crucial das finanças descentralizadas tem chamado a atenção não só do mercado como também de legisladores que estão tentando regulamentar as stablecoins (criptomoedas estáveis).

As stablecoins são ativos vinculados às moedas fiduciárias, geralmente dólar ou euro, bem como por ativos de reserva tais como títulos do tesouro, títulos corporativos e outros ativos digitais, mantendo sempre o valor de um para um, assim atribuindo ao valor da stablecoin uma referência estável.

Dessa forma, as stablecoins são capazes de proporcionar ao seu detentor maior segurança, baixos custos de transação, e, principalmente, a privação de volatilidade. Característica essa atribuída às criptomoedas como o bitcoin.

Estas particularidades fizeram o mercado de stablecoins crescer mais de 500% desde 2020, alcançando uma capitalização de mercado superior a US$ 125 bilhões, e um volume anual de transações de US$ 5 trilhões em 2021. Números que tem intimidado as instituições tradicionais de crédito.

Stablecoins europeias como sEUR e Stasis, devem chegar ao mercado nos próximos anos. A União Europeia tem elaborado regulamentações amigáveis em torno de stablecoins e criptoativos. O regulamento “Markets in Crypto Assets” tem a intenção de dar maior clareza regulatória para provedores de serviços e emissores de criptoativos e stablecoins ao nível nacional.

A BRZ, maior stablecoin do Brasil lastreada em real, com volume de transações de aproximadamente R$ 320 milhões por mês, foi recentemente listada pela Crypto.com. A BRZ, que já teve 1 bilhão de tokens emitidos, pode ser utilizada para realizar transações e compra de outros ativos.

O governo norte-americano tem constantemente discutido as possíveis ameaças ao sistema financeiro e riscos que os usuários podem enfrentar, devido a aderência das stablecoins no mercado de capitais.

Até o momento, não foi decretado uma regulamentação específica para as stablecoins no país. Contudo, um relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho do Presidente Biden sobre Mercados Financeiros, conceitua os emissores de stablecoins como instituições bancárias. Para isso, o relatório evidencia que:

  • Emissores de stablecoins devem ser estabelecidos como instituições depositárias;
  • Emissores e plataformas de stablecoins devem ser passíveis de leis federais e acatar padrões de gestão de risco;
  • Emissores devem cumprir restrições para a afiliação de entidades comerciais e promover a interoperabilidade.

Os emissores de stablecoins tem considerado as discussões no cenário federal a respeito de uma regulamentação para este ativo digital extremamente importante e conveniente, visto que as legislações de âmbito nacional contribuiriam para o fomento do setor.

Por outro lado, Benoît Coeuré, Chefe do Centro de Inovação do Banco de Compensações Internacionais (BIS), julga a elaboração de regulamentações e a crescente emissão de stablecoins como uma ameaça ao sistema financeiro tradicional e suas instituições. Para Benoît, os bancos centrais devem acelerar suas pesquisas em cripto tecnologias, de forma que possam concorrer com as mudanças proporcionadas pelas finanças descentralizadas e seus produtos.

Uma moeda digital emitida por bancos centrais – CBDC – seria o ativo digital com maior viabilidade para competir com stablecoins, uma vez que pode oferecer maior segurança, liquidez, integridade, custos reduzidos para efetuar transações e pagamentos e, sem a presença de um intermediário. Além disso, a emissão e distribuição das moedas seria feita diretamente por Bancos Centrais, permitindo um envio de dinheiro mais rápido e eficiente.

O Banco Central Europeu declarou que a criação de um CBDC deve ocorrer em quatro anos, através do projeto do euro digital. Já na China, apesar da proibição de cripto atividades, o país aumentou o número de províncias que estão testando o Yuan Digital, além de realizar testes de transferências entre a China, Singapura, Hong Kong e Tailândia.

No Brasil o Banco Central pretende iniciar os testes de um Real Digital já em 2022. O ativo reduziria os custos de contratos de empréstimos e seria capaz de integrar sistemas de pagamentos internacionais.

Países menores, estão com a implementação e adoção de CBDCs ainda mais adiantados. O Cazaquistão anunciou que poderá lançar seu Tenge Digital em dezembro de 2022 e, a Nigéria lançou a eNaira em outubro.

Entretanto, sem uma estrutura regulatória definida, a tecnologia DeFi e seus derivativos permanecerão com seu desenvolvimento marginalizado. Diversas agências regulatórias tem se empenhado para mudar a percepção de instituições financeiras tradicionais acerca das moedas digitais, demonstrando que a tecnologia pode oferecer mais oportunidades de investimento, maior segurança financeira e principalmente, oferecer a indivíduos sem acesso a créditos a oportunidade de participar da economia local e mundial.

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