Ciência

UERJ cria aparelho portátil para mapear carga de coronavírus no ambiente

Equipamento será acoplado à roupa do usuário e vai monitorar o vírus causador da covid-19 nos locais de trânsito, da casa ao trabalho

Ciclistas de máscaras no Rio de Janeiro: carga viral poderá ser medida nos locais por onde as pessoas transitam (Andre Coelho/Getty Images)

Ciclistas de máscaras no Rio de Janeiro: carga viral poderá ser medida nos locais por onde as pessoas transitam (Andre Coelho/Getty Images)

Ivan Padilla

Ivan Padilla

Publicado em 28 de junho de 2020 às 12h14.

Cientistas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) criaram um aparelho portátil individual e de baixo custo para mapear áreas críticas de covid-19. Batizado de “coronatrack”, o aparelho foi inteiramente criado pela equipe da universidade com o auxílio de impressora 3D.

Segundo o site Plantão Enfoco, o Brasil é um dos países que menos faz testes para o novo coronavírus, causador da atual pandemia. Sem a testagem adequada, fica difícil identificar o número real de casos e as regiões mais afetadas pela pandemia. Por isso a importância do aparelho, criado no Laboratório de Radioecologia e Mudanças Globais (Laramg) do Departamento de Biofísica e Biometria da UERJ.

Segundo Heitor Evangelista, professor de Biofísica da UERJ e pesquisador do Laramg, a ideia é proporcionar às pessoas a possibilidade de monitorar a carga viral nos locais por onde costumam transitar, da casas ao trabalho.

“Já vínhamos fazendo um mapeamento de áreas com grande circulação há alguns meses, mas percebemos que as pessoas têm dúvidas e medos em relação à sua rua, seu bairro, seu local de trabalho e o deslocamento que fazem no dia a dia. Por isso desenvolvemos o ‘coronatrack’”, diz Evangelista.

O aparelho vem em uma pequena caixa confeccionada em impressora 3D, de baixo custo. De acordo com Evangelista, o protótipo completo saiu por cerca de 200 reais, enquanto um similar importado custaria 4.000 reais.

O “coronatrack” é composto por uma minibomba, entrada e saída de ar, botão liga-desliga, compartimento para bateria e uma placa GPS. Tudo isso ligado a uma mangueira com filtro, onde o vírus é aprisionado. O equipamento é leve e funciona acoplado à roupa do usuário, permitindo monitorar o ambiente por onde ele se desloca.

“A vazão de ar no qual esse vírus é capturado é calibrada num sistema portátil digital que temos aqui no laboratório”, explica Evangelista. A análise da substância coletada através da testagem RT-PCR será feita na Policlínica Piquet Carneiro, unidade de saúde da UERJ.

Segundo Evangelista, a invenção será patenteada e a intenção é conseguir o apoio do poder público ou da iniciativa privada.

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