Ciência

Remdesivir não é indicado para tratar Covid-19, afirma OMS

O antiviral remdesivir, desenvolvido contra a febre hemorrágica do Ebola, não evita mortes, nem o agravamento da covid-19

Remdesivir: especialistas destacaram "a possibilidade de efeitos colaterais importantes" (Bernard Chantal/Getty Images)

Remdesivir: especialistas destacaram "a possibilidade de efeitos colaterais importantes" (Bernard Chantal/Getty Images)

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AFP

Publicado em 20 de novembro de 2020 às 06h34.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselha o uso do remdesivir no tratamento de pacientes internados com Covid-19, uma vez que o antiviral não evita mortes, nem o agravamento da doença, indicou nesta sexta-feira.

"O remdesivir não é aconselhavel para os pacientes internados com Covid-19, seja qual for a gravidade da doença, uma vez que não há nenhuma prova de que ele aumente a sobrevivência ou permita evitar a respiração assistida", assinala o comunicado da OMS, que chegou a esta conclusão após consultar seu painel de especialistas, cuja avaliação será publicada na revista médica "BMJ".

Os especialistas destacaram "a possibilidade de efeitos colaterais importantes", bem como o custo "relativamente significativo e suas implicações logísticas", já que o mesmo deve ser administrado "de forma intravenosa".

O remdesivir foi desenvolvido contra a febre hemorrágica do Ebola e é vendido pelo laboratório Gilead sob o nome comercial Veklury. Em julho, ele se tornou o primeiro medicamento contra a Covid-19 a receber uma autorização de venda condicional no mercado europeu. A Agência Europeia do Medicamento informou em outubro que iria estudar a possibilidade de o remédio provocar "problemas renais agudos".

Um estudo divulgado no mesmo mês, feito a partir de testes realizados em mais de 30 países com o apoio da OMS, concluiu que o remdesivir não mostrou resultado em termos de redução da mortalidade. Segundo os especialistas da OMS, não se pode dizer que o remédio não tenha resultados benéficos, mas o fato de essa eficácia não ter sido comprovada clinicamente, somado a seus possíveis efeitos colaterais e custo, levou a organização a não recomendar o seu uso.

No momento, os corticoides, entre eles a dexametasona, são o único tratamento que permitiu reduzir a mortalidade da doença, embora em nem todas as categorias de pacientes.

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