Ciência

O quão perto a ciência está de uma vacina para o câncer

O sistema imunológico humano pode ser a maior arma contra o câncer. Novas abordagens mostram pesquisas otimistas para a criação uma vacina que estimule uma defesa natural contra a doença

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 17 de abril de 2023 às 14h15.

Última atualização em 18 de abril de 2023 às 09h16.

Durante décadas, os pesquisadores tentaram aproveitar o poder natural do sistema imunológico humano para combater o câncer, procurando maneiras de contornar as defesas que as células tumorais usam para impedir o corpo as combata. Apesar dos desafios iniciais, os cientistas que estudam esse tipo de cura acreditam que agora estão mais próximos de obter uma vacina contra o câncer que demonstre resultados satisfatórios.

Para entender melhor como funcionam esses tratamentos, considere que o sistema imunológico desempenha um papel crítico no controle do câncer. Muitos especialistas acreditam que os cânceres estão constantemente tentando surgir no organismo humano, no entanto, são reprimidos pelo sistema imunológico antes de se tornarem detectáveis, um processo conhecido como imunovigilância.

As gigantes farmacêuticas BioNTech e Moderna recentemente ganharam as manchetes por explorar o potencial das vacinas de mRNA, empregadas pela primeira vez contra a covid-19, para tratar o câncer.

Essas vacinas usam mensageiros criados em laboratório, que ensinam o corpo a montar uma resposta imune.

Uma vacina desse tipo precisa de uma elaboração personalizada. Em um dos estudos da Moderna, o paciente deve passar por uma biópsia e ter suas células tumorais sequenciadas geneticamente. A sequência é analisada para determinar qual composição de vacina provavelmente será mais eficaz no paciente em particular.

No andamento da pesquisa da farmacêutica norte-americana, feito com 157 pessoas, um total de 79% dos pacientes com câncer de pele de alto risco que receberam a vacina personalizada estava livre da doença em 18 meses.

Mas antes da ciência chegar à uma vacina capaz de entender onde atacar em diferentes tipos de câncer, as novas abordagens incluem também o desenvolvimento de vacinas preventivas e terapêuticas com o objetivo de provocar uma resposta imune, ainda que branda, contra elas.

Os pesquisadores também estão reunindo um conjunto de medicamentos imunoterápicos que aumentariam a eficácia das vacinas. A ideia é utilizar como recursos suplementares dentro de um tratamento vacinal.

Testes em andamento

Dado o cenário de pesquisa, no momento, a maior parte das vacinas contra o câncer são terapêuticas - usadas para tratar pacientes que já têm câncer avançado, geralmente em conjunto de intervenções convencionais como quimioterapia, cirurgia ou radiação.

Há dois exemplos de estudos desse tipo em andamento aprovados pelo órgão de saúde dos Estados Unidos Food and Drug Administration (FDA), de acordo com o Cancer Research Institute: um para câncer de bexiga em estágio inicial e outro para câncer de próstata.

Mas também existem vacinas para sobreviventes de câncer. Eles são administrados em pessoas em remissão com alto risco de recaída, como quando há recorrência do câncer de mama triplo negativo.

Depois, há as vacinas que podem prevenir completamente o câncer. Há quatro que são aprovados pela FDA: três para o HPV, ou vírus do papiloma humano, e um para a hepatite B. Todos trabalham para prevenir infecções que podem levar ao câncer no futuro.

A vacina contra o HPV é recomendada para homens e mulheres com cerca de 11 ou 12 anos de idade, mas pode ser administrada a partir dos 9 anos e até os 26 anos.

Embora as vacinas preventivas contra o câncer aprovadas sejam poucas, elas apresentam um impacto considerável. A vacina contra o HPV levou a um declínio de 65% no câncer cervical em mulheres na faixa dos 20 anos de 2012 a 2019, de acordo com dados divulgados pela American Cancer Society.

Essas mulheres estariam entre as primeiras a receber a vacina, aprovada pelo FDA em 2006. Reduções semelhantes devem ser observadas em outros cânceres causados ​​pelo HPV que geralmente ocorrem mais tarde na vida, como câncer de cabeça, pescoço, oral, retal e vulvar.Um

Um bom exemplo no horizonte é a imunoterapia Keytruda da Merck & Co, uma terapia de anticorpo monoclonal que ajuda as células imunológicas a matar as células cancerígenas após a remissão de um câncer.

Os resultado exibiram 44% menos probabilidade de morrer ou ter o câncer de volta, quando comparados a um grupo que usou tratamentos convencionais, anunciou a empresa em dezembro. O medicamento está passando para um teste de Fase 3, o último antes da possível aprovação do FDA.

Acompanhe tudo sobre:CâncerVacinas

Mais de Ciência

'Saquinho' de nicotina ganha adeptos para perda de peso

Usuários do Wegovy mantêm perda de peso por quatro anos, diz Novo Nordisk

Meteoros de rastros do Halley podem ser vistos na madrugada de domingo

AstraZeneca admite efeito colateral raro da vacina contra covid-19

Mais na Exame