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Neandertais amavam pescar (e só sabemos disso por causa de seus ouvidos)

Descobertas podem significar que nossos primos antigos pescavam com uma frequência maior do que o registro arqueológico sugere

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Homem de Neandertal: espécie tem mesmo ancestral que nós (ullstein bild/Getty Images)

Homem de Neandertal: espécie tem mesmo ancestral que nós (ullstein bild/Getty Images)

A
AFP

Publicado em 15 de agosto de 2019 às, 11h28.

Última atualização em 15 de agosto de 2019 às, 11h31.

Uma nova pesquisa revelou que o homem de Neandertal sofria com frequência de exostose (crescimento ósseo anormal) no canal auditivo externo, uma condição que costuma afetar pessoas que praticam esportes aquáticos em climas mais frios.

As descobertas podem significar que nossos primos antigos, extintos há cerca de 40.000 anos, pescavam com uma frequência muito maior do que o registro arqueológico sugere, disseram os autores do estudo, publicado nesta quarta-feira na revista PLOS One.

"Isso reforça uma série de argumentos e fontes de dados para defender um nível de adaptabilidade, flexibilidade e capacidade entre os neandertais, o que lhes foi negado por algumas pessoas no campo", disse à AFP o autor principal do estudo, Erik Trinkaus, da Universidade de Washington.

Isso porque, para ter sucesso na pesca ou na caça de mamíferos aquáticos, "você tem que poder ter um certo nível mínimo de tecnologia, precisa poder saber quando os peixes vão subir ou sair à costa dos rios, é um processo bastante elaborado", afirmou.

Trinkaus e seus colegas, Sebastien Villotte e Mathilde Samsel, da Universidade de Bordeaux, França, analisaram canais auditivos bem conservados nos restos de 77 humanos antigos, incluindo os neandertais e os primeiros Homo Sapiens encontrados na Europa e no oeste da Ásia.

Enquanto os primeiros humanos modernos mostraram frequências dos crescimentos ósseos similares aos níveis vistos hoje, a condição estava presente em aproximadamente metade dos 23 restos de Neandertal de 100.000 a 40.000 anos atrás.

Estes crescimentos ósseos foram observados pela primeira vez pelo paleontólogo francês Marcellin Boule em uma monografia de 1911 sobre o esqueleto de um neandertal, mas nunca foram estudados sistematicamente até agora.

Trinkaus antecipou certa resistência ao artigo dentro da comunidade paleoantropológica, assim como ocorreu em 2018 depois da descoberta histórica de que a arte rupestre mais antiga conhecida do mundo, na Espanha, foi criada não por humanos biologicamente modernos mas por neandertais.

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