EUA reserva 90% do estoque do redemsivir e acende alerta no resto do mundo

Remédio foi o 1º tratamento promissor na luta contra o novo coronavírus, da farmacêutica americana Gilead Sciences

Os Estados Unidos compraram mais de 90% do estoque do remdesivir, primeiro tratamento promissor na luta contra o novo coronavírus, da farmacêutica americana Gilead Sciences — o que pode fazer com que os demais países, inclusive o Brasil, receba menos doses da medicação, pelo menos nos próximos três meses.

A Gilead concordou em vender mais de 500 mil tratamentos para os EUA até setembro, o que é quase toda a capacidade de produção da empresa. Em um comunicado publicado no site oficial do Serviço de Saúde e Humanidades (HHS, na sigla em inglês) americano, o diretor do órgão, Alex Azar, afirmou que “o presidente Donald Trump conseguiu um acordo incrível para assegurar que os americanos tenham acesso à primeira terapia para covid-19”.

Segundo o comunicado, a quantidade de remédios reservados significa “100% da previsão de produção da Gilead para julho, 90% da produção de agosto e 90% da produção de setembro”. O que deixa uma quantidade ínfima da medicação para os demais países gravemente afetados pela doença.

De acordo com o monitoramento em tempo real da universidade Johns Hopkins, mais de 10 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus no mundo e 511.909 morreram. Os Estados Unidos são o epicentro da doença, com mais de 2,6 milhões de doentes e mais de 127 mil mortes. Em segundo lugar no ranking está o Brasil, com 1.402.041 de infectados e mais de 59 mil óbitos.

As vacinas também têm preferência

O mesmo tem acontecido em relação às vacinas. Cerca de 136 estão em desenvolvimento atualmente, algumas mais avançadas do que as outras. A Coronavac, feita pela chinesa Sinovac, está entre as fases 1 e 2 de produção. Segundo a agência Bloomberg, mais de 90% das pessoas que receberam doses da vacina produzida pelo laboratório produziram anticorpos contra a covid-19 num intervalo de 14 dias. Outra que está tendo bons resultados é a da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que está na fase 3 de testes.

E os países mais ricos estão investindo pesado para encontrar uma cura para a covid-19. Em maio, o Reino Unido investiu 79 milhões de dólares no programa de Oxford em troca de receber 30 milhões de doses. Já os Estados Unidos asseguraram 300 milhões de doses da mesma vacina ao assinar um acordo de até 1,2 bilhão de dólares com a farmacêutica britânica AstraZeneca.

A Alemanha, a Itália, a França e os Países Baixos também não ficaram para trás e assinaram um acordo com a mesma farmacêutica para receber 400 milhões de doses até o final de 2020. E em 17 de junho, a União Europeia criou uma Estratégia de Vacina Europeia para garantir o acesso à proteção para todos os integrantes do bloco econômico e 2,3 bilhões de dólares podem ter sido investidos nisso.

Segundo o relatório A Corrida pela Vida, produzido pela EXAME Research, unidade de análises de investimentos e pesquisas da EXAME, as pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina já contam com o financiamento de pelo menos 20 bilhões de dólares no mundo. Desse valor, 10 bilhões foram liberados por um programa do Congresso dos Estados Unidos.

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