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Como o novo coronavírus afeta pessoas com menos de 40 anos

O vírus é mais perigoso para idosos, mas jovens não estão livres de complicações de saúde devido à infecção pelo novo coronavírus

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Transporte público: epidemia de coronavírus fez o movimento cair nos trens, metrôs e ônibus de São Paulo. (Amanda Perobelli/Reuters)

Transporte público: epidemia de coronavírus fez o movimento cair nos trens, metrôs e ônibus de São Paulo. (Amanda Perobelli/Reuters)

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Lucas Agrela

Publicado em 6 de maio de 2020 às, 09h00.

Última atualização em 6 de maio de 2020 às, 15h39.

Quando se fala em coronavírus, não é difícil que as pessoas imaginem que a doença tem rosto, caracteristícas específicas e endereço. Para muitos, ela é mortal apenas para aqueles que estão no grupo de risco (pessoas acima de 65 anos  ou com histórico de doenças respiratórias ou diabetes), mas, o vírus pode ser perigoso para quem tem menos de 40.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde no final de março, a maioria das internações de pacientes com a covid-19 ocorreu com pessoas com idades entre 30 e 80 anos.

É o caso de Beatriz Carrer, de 23 anos, que mora na França, quinto país mais afetado pela doença, com mais de 170.000 casos confirmados até o momento, segundo o monitoramento em tempo real feito pela universidade norte-americana Johns Hopkins. Além da dor de garganta, da falta de ar e da febre, sintomas iniciais da covid-19, ela sentiu um cansaço extremo que não passava mesmo após 12 horas dormindo. No início, achou que se tratava apenas de um problema de pressão baixa. "Eu estava muito fraca e tendo dificuldade para fazer as coisas, para andar, qualquer coisa me cansava", conta Carrer. Dois dias depois, a falta de ar piorou--- o que dificultou o sono, apesar do cansaço. Em seguida, veio a dor de cabeça.

Assim como o Brasil, o país europeu também enfrenta problemas para lidar com a quantidade de casos suspeitos e não há testes disponíveis para todos. Para ser atendida por um médico, Carrer ligou para o número designado pelo governo francês para lidar com a pandemia, explicou os sintomas e, então, um médico a visitou em casa. "Ele checou meu pulmão e a minha temperatura, foi um serviço meio porco, mas é o que estão fazendo", conta. Ela não foi testada, mas, mesmo assim, o profissional deu o diagnóstico: coronavírus. O namorado de Carrer, que mora com ela, não apresentou nenhum sintoma da doença e, portanto, não foi examinado.

Carrer não tinha nenhuma doença que poderia colocá-la como integrante do grupo de risco, mas até hoje, quatro semanas após os sintomas iniciais, não está 100%. "Não é uma gripezinha de maneira nenhuma, não acabou com a minha vida, obviamente, mas me fez muito mal", diz. "É muito difícil se recuperar, porque o básico que te pedem, que é o descanso, você não consegue fazer. O pulmão não deixa, e a dor no corpo também não. Ainda sinto muito cansaço para falar", conta. "O isolamento é muito necessário, principalmente porque muitos não entendem o perigo. Isso afeta a vida de todo mundo, independente da idade. Eu deveria ser saudável e estar fora do grupo de risco e mesmo assim passei dias quase chorando de tão fraca que estava, só não chorava porque era pior. E tem um risco ainda não calculado de que isso pode ter afetado meu pulmão para sempre", finaliza.

Aqui no Brasil, Luana França, de 21 anos, também passou por poucas e boas por conta da covid. Além de apresentar todos os sintomas, ela também tem asma -- o que a faz ser do grupo de risco. A falta de ar foi o primeiro indício, mas França achou que se tratava de uma crise respiratória. Depois vieram a tosse, a febre, as dores musculares e a fadiga.

O escritor Gabriel Campi, 30, contraiu o novo coronavírus de colegas de trabalho em 26 de março. No mesmo dia do contato com a pessoa infectada, Campi já apresentou sintomas como febre, dor no corpo e calafrios. Após tomar remédios para a gripe, à base de paracetamol, a febre cedeu, mas a dor de cabeça voltou e persistiu por mais algumas semanas.

Campi infectou tanto sua esposa, que teve sintomas leves, e quanto sua filha de um ano, que apresentou um quadro assintomático da covid-19. Cinco dias após o contágio, Campi teve um quadro de diarreia e, poucos dias mais tarde, tosse. “Os sintomas foram fortes. Eu diria que é uma gripe mais forte. No meu caso, a cada dia vinha um novo sintoma”, afirma Campi, que decidiu permanecer em quarentena em casa.

“Quando vemos as pessoas recomendando ajudar os vizinhos idosos ou pessoas contagiadas, não sabemos o quanto isso pode ajudar. Com isso, a gente consegue descansar e se recuperar”, diz Campi, que teve o auxílio de seu irmão para fazer compras no mercado durante a quarentena.
Profissional autônomo, Campi está entre os brasileiros que receberão o auxílio financeiro do governo, no valor de 600 reais, liberado para movimentar a economia nesse período de comércio fechado por governadores em muitos estados.

Ainda sem uma vacina que previna o desenvolvimento da covid-19 ou medicamentos clinicamente aprovados para acelerar a recuperação e atenuar os sintomas da doença, diversos países do mundo sequem em quarentena para evitar uma maior disseminação do novo coronavírus, o que causaria mais mortes e colapso em sistemas de saúde.

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