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Mais amargo, menos álcool: as apostas brasileiras para o mercado de mocktails

Com foco em complexidade sensorial e botânicos nativos, Lucia e Tintin levam amargor, acidez e textura com pouco álcool a bares e restaurantes do Brasil

A hora e a vez dos mocktails: as duas novas marcas no Brasil (Divulgação)

A hora e a vez dos mocktails: as duas novas marcas no Brasil (Divulgação)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 21 de outubro de 2026 às 10h15.

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O aperitivo sem álcool Lucia e a marca de bebidas No&Low Tintin ganham espaço no Brasil em meio ao avanço do consumo de bebidas sem álcool. A Lucia vendeu mais de 150 mil garrafas no primeiro ano e mira 300 estabelecimentos até o fim de 2026; a Tintin estreia com o Carysma, drinque pronto com 2,8% de álcool.

 A cena já é comum nos principais restaurantes do país: em uma taça, um drinque com aroma de ervas e especiarias. A bebida entrega acidez, frescor e um amargor marcante, mas não traz uma gota de álcool. É o tal do No&Low Alcohol, coquetéis sem álcool ou de baixo teor alcoólico, que vive um momento de auge no Brasil e no mundo. E dois nomes recém-chegados ao mercado traduzem essa transformação no hábito de consumo brasileiro: a Lucia e a Tintin.

O consumo de bebidas zero álcool saltou nos últimos dois anos. Ao final de 2025, por exemplo, uma pesquisa do Datafolha apontou que 53% dos brasileiros que consomem álcool reduziram a ingestão. A IWSR, no mesmo período, projetou crescimento de cerca de 7% ao ano para a categoria na coquetelaria até 2028, contra apenas 1% para o mercado alcoólico total.

Diante da tendência, a oferta de mocktails em cardápios cresceu 223% nos últimos quatro anos no mundo, segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR). É aí que querem entrar as duas marcas nacionais, com diferentes sabores e texturas.

Lucia e o zero álcool no cardápio

A barreira histórica das bebidas sem álcool era a falta de estrutura no paladar. Na coquetelaria tradicional, o álcool cumpre o papel de diluir aromas, conferir peso de boca e sustentar o amargor ou a acidez. Sem ele, a fórmula corre o risco de cair no excesso de açúcar ou de ser confundida com um suco.

Criada por Bertha Jucá e Victória Linhares, a Lucia foi uma das que conseguiu um sensorial mais amargo. A marca nasceu com a proposta de ser o primeiro aperitivo sem álcool do país, e foi desenvolvida ao lado da mixologista Michelly Rossi e do empresário José Luiz Soares. Já vendeu mais de 150 mil garrafas no primeiro ano e agora mira a presença em 300 bares, restaurantes e hotéis até o fim de 2026.

A receita combina maçã, cupuaçu e frutas vermelhas a um blend de botânicos com gengibre, losna, zimbro e pimenta. O resultado é uma bebida com estrutura, a acidez e o amargor necessários para acompanhar uma refeição.

"Uma boa bebida não entrega tudo no primeiro segundo. Ela precisa evoluir na boca", afirma José Luiz Soares. "Você percebe uma coisa no aroma, outra no primeiro gole, depois aparece o amargor, a acidez, uma especiaria. É isso que faz a pessoa beber mais devagar e prestar atenção no que toma."

O primeiro lote da marca, planejado para seis meses, esgotou em 20 dias. Após a expansão pelo e-commerce e por empórios como Casa Santa Luzia e Zona Sul, o foco do segundo ano passa a ser as mesas de alta gastronomia.

Tintin e a reeducação do álcool

Se a Lucia mira a presença nas refeições com o zero álcool, a Tintin aposta na flexibilidade do baixo teor alcoólico (low alcohol) para o momento de socialização. O movimento encontra eco em tendências globais como o mindful drinking e o sober curious, que propõem escolher quando e quanto beber sem impor um discurso de restrição.

Fundada por Ines Nespoli e Stephania Egli, a marca estreia como a primeira dedicada exclusivamente ao conceito No&Low. O lançamento ocorre com o Carysma, um drinque autoral pronto para beber com 2,8% de teor alcoólico — abaixo de uma cerveja tradicional. A bebida aposta em um bitter amazônico próprio, feito com catuaba, marapuama e jurubeba, e combina a ele açaí, jaboticaba, caju e pimenta-malagueta.

A inspiração veio da trajetória das fundadoras, que migraram do universo da moda, arte e luxo, com passagens por revistas e marcas globais, para a coquetelaria.

"A nossa proposta é falar sobre beber menos sem adotar um tom punitivo, construindo ao redor dos drinques um universo leve e visualmente marcante", explica Stephania Egli.

Vendida em garrafas de 750 ml (equivalentes a seis doses) por R$ 98, a Tintin começou a circular em aberturas de exposições de arte em São Paulo e no Rio de Janeiro antes de chegar ao e-commerce e a endereços selecionados.

'Perguntas frequentes'

O que são bebidas No&Low Alcohol? +

Bebidas No&Low Alcohol são coquetéis sem álcool ou com baixo teor alcoólico. A categoria busca preservar características como aroma, acidez, frescor e amargor.

Quanto cresceu o consumo de bebidas sem álcool no Brasil? +

Segundo o Datafolha, 53% dos brasileiros que consomem álcool reduziram a ingestão até o fim de 2025. A IWSR projetou crescimento anual de cerca de 7% para a categoria na coquetelaria até 2028, ante 1% para o mercado alcoólico total.

Quanto aumentou a oferta de mocktails nos cardápios? +

A oferta de mocktails em cardápios cresceu 223% no mundo nos últimos quatro anos, segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas, a ABIR.

Quais são os ingredientes do aperitivo sem álcool Lucia? +

A Lucia combina maçã, cupuaçu e frutas vermelhas com gengibre, losna, zimbro e pimenta. A receita foi desenvolvida para oferecer estrutura, acidez e amargor suficientes para acompanhar uma refeição.

Quantas garrafas a Lucia vendeu no primeiro ano? +

A Lucia vendeu mais de 150 mil garrafas no primeiro ano, e o primeiro lote, previsto para durar seis meses, esgotou em 20 dias. A marca pretende chegar a 300 bares, restaurantes e hotéis até o fim de 2026.

O que é o Carysma, da Tintin? +

O Carysma é um drinque pronto para beber com 2,8% de teor alcoólico, produzido com um bitter amazônico de catuaba, marapuama e jurubeba, além de açaí, jaboticaba, caju e pimenta-malagueta. A garrafa de 750 ml, equivalente a seis doses, custa R$ 98.

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